Por outro lado, o diretor-geral da Associação Portuguesa de Empresas de Distribuição (APED), Gonçalo Lobo Xavier, diz que as empresas que representa “compreendem as razões da convocação da greve”, mas salientou que a entidade “não considera que as negociações estejam a correr mal”.

“O processo é longo, são matérias difíceis e tem havido progressos. Não é fácil, sobretudo se tivermos em conta que há um enquadramento neste momento em Portugal que provoca algum distúrbio, como o anúncio do salário mínimo para 2019”, afirmou. O Siondicato, por sua vez, garante que depois de “26 meses de negociação” as empresas representadas pela APED e que incluem a “Sonae, Pingo Doce/Jerónimo Martins, Auchan, Lidl, Dia/Minipreço, El Corte Inglés e muitas outras, continuam a não apresentar propostas de verdadeiro aumento dos salários e correção das injustiças e discriminações existentes”.

O sindicato diz depois que, “pelo contrário, continuam a querer reduzir o valor do trabalho extraordinário e desregular ainda mais os horários de trabalho com a introdução do banco de horas no Contrato Coletivo de Trabalho”, lê-se na mesma nota.

Gonçalo Lobo Xavier conta que esta segunda-feira houve “um encontro no Ministério do Trabalho e os sindicatos manifestaram o seu descontentamento com a proposta avançada pela APED”.

Ficou marcada uma nova reunião para o dia 21 de janeiro, mas o mesmo dirigente associativo não excluiu que sejam encetadas negociações não oficiais para tentar evitar a paralisação.

O CESP mostra-se descontente com o andamento das negociações, salientando que “permanece em cima da mesa uma proposta de aumento de 3,21 euros (0,5%) para os operadores e escriturários especializados da tabela A”, além de colocar, segundo o sindicato, a generalidade dos trabalhadores “próximos do salário mínimo nacional”. Os trabalhadores acusam ainda a APED de ter apresentado uma proposta “discriminatória”, já que fala em aumentos de chefias e quadros de 1,14%.

“Esta proposta permanece inalterada quando as empresas e a APED sabem já que é intenção do Governo fixar o SMN [salário mínimo nacional] nos 600 euros”, critica o CESP, apontando situações, nos escalões dos trabalhadores da distribuição, que ficam entre salários de 580 euros e 630 euros, de acordo com a respetiva tabela e escalão.

O sindicato acusa as empresas de quererem manter a distribuição como um setor de salário mínimo nacional, referindo que com a proposta em cima da mesa a evolução salarial desde a admissão até ao topo de carreira, para os trabalhadores dos escritórios e lojas, “será de 30 euros”, quando na penúltima revisão do CCT, em 2010, era de 139,5 euros.