No próximo sábado, às 15 horas, o Museu da Industria Têxtil, em Vila Nova de Famalicão (José Casimiro da Silva, nº 4760) revisita a já desaparecida Fábrica de Lanifícios do Barão da Trovisqueira, implantada em Riba de Ave.
O ciclo de atividades ‘Percursos e memórias da indústria na Bacia do Ave’, promovido pelo Museu, tem levado os participantes a percorrer alguns dos marcos históricos do cluster têxtil da região. E desta vez, o convidado é Mário Bruno Pastor, da Universidade Católica Portuguesa, que irá falar sobre ‘A Fábrica de lanifícios do barão da Trovisqueira, a têxtil inaugural de Riba de Ave’.
Depois da conferência, os participantes são convidados a visitar o local onde esteve implantada a fábrica, num autocarro disponibilizado gratuitamente, com o regresso ao Museu marcado para as 17h15.
A participação é gratuita, mas as inscrições e informações devem ser solicitadas junto do Museu da Indústria Têxtil ou através do email geral@museudaindustriatextil.org
A primeira fábrica têxtil sobre o Rio Ave
“O arranque industrial da produção têxtil no Vale do Ave é um fenómeno que começou a afirmar-se a partir dos meados do século XIX, quase sempre intimamente relacionado com o retorno de antigos emigrantes portugueses no Brasil”, explica Mário Bruno Pastor, citado numa nota de imprensa divulgada pela autarquia de V. N. de Famalicão.
O historiador e investigador no Centro de Investigação em Ciência e Tecnologia das Artes (CITAR) da Universidade Católica Portuguesa conta que primeira fábrica têxtil montada com aproveitamento hidráulico diretamente sobre o Rio Ave foi construída por José Francisco da Cruz Trovisqueira (1824-1898), barão da Trovisqueira.
A Fábrica de Lanifícios do Barão da Trovisqueira foi construída precisamente “por um famalicense que emigrara, ainda menino, para o Brasil, onde fez fortuna e importantes contatos comerciais e políticos, que o levariam não só a ser eleito deputado às cortes constitucionais, durante um dos governos do Marquês de Sá da Bandeira, em 1868, como também, por duas vezes, presidente da Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão”, revela Mário Bruno Pastor.
Em 1873, José Francisco da Cruz Trovisqueira adquiriu, num leilão do Ministério da Fazenda, em Lisboa, as antigas azenhas e respetivos terrenos dos párocos de Riba de Ave. E foi a partir desse património que a sua fábrica de lanifícios começa a ser erguida.
Em 1881, quando a fábrica foi inscrita no registo predial de Famalicão, era já “uma estrutura totalmente renovada, de feição inglesa, do tipo ‘mill’, especializada na fiação de telas e fazendas económicas de lã nacional, destinadas ao mercado local”, diz o historiador e investigador do CITAR.
Mário Bruno Pastor conta que essa primeira fábrica, hoje desaparecida, “está diretamente relacionada com génese da paisagem industrial de Riba de Ave”. Foi adquirida, no final do ano de 1900, por Narciso Ferreira, que a viria a inserir na sua emblemática Sampaio, Ferreira & Cia. Lda.
A conferência e visita a realizar neste sábado, dia 16, vai incidir sobre a memória e o espaço da antiga fábrica em Riba de Ave, tal como sobre as instalações do que resta atualmente da Sampaio, Ferreira.
Ana Grácio Pinto




