D. Sancho I deixou-o, por testamento, a suas filhas e mais tarde foi incluído no património da Rainha Santa Isabel.
Diz a tradição que o Castelo de Santa Maria da Feira foi erguido no local de um templo indígena dedicado ao deus Bandeveluco-Toiraeco.
Obra emblemática da arquitetura medieval portuguesa de tipo militar, “é um dos nossos monumentos que melhor reflete a diversidade de meios de defesa utilizados durante a Idade Média, tendo sido fundamental em todo o processo de Reconquista e de autonomia do Condado Portucalense”, apresenta uma nota do IPPAR (Instituto Português do Património Arquitetónico e Arqueológico).
Foi castro romano e depois fortaleza ampliada na época da reconquista cristã. Dessa função original, resta hoje apenas o 1º piso da Torre de Menagem. A partir de 1117, desenvolveu-se ali uma das mais importantes feiras de Portugal, que, com o tempo, deu mesmo nome ao burgo que nasceu à sombra do castelo.
Foi fundamental para a vitória de São Mamede, em 1128, quando o alcaide deste castelo, Pêro Gonçalves de Marnel, tomou o partido de D. Afonso Henriques contra D. Teresa e o conde de Trava. No testamento de D. Sancho I de Portugal (1185-1211), redigido em 1188, este foi o principal dos cinco castelos eleitos pelo soberano para eventual refúgio da rainha, quando viúva, e das infantas. Em 1282, D. Dinis I de Portugal (1279-1325) incluiu-o entre os doze castelos assegurados como arras à sua consorte, a Rainha Santa Isabel. Mais tarde, ainda neste período, foi tomado pelas forças do infante D. Afonso, em luta contra o soberano, seu pai. Celebrada a paz entre ambos, por iniciativa da Rainha Santa (1322), o domínio deste castelo foi outorgado a D. Afonso, mediante o compromisso de menagem prestado por este último ao pai.
Após 1448, o Castelo de Santa Maria da Feira ficou na posse do nobre Fernão Pereira, que realizou algumas obras de reparação e reconstrução, transformando-o numa residência apalaçada. Data desta época a imagem arquitetónica essencial que apresenta até hoje. A 12 de janeiro de 1472, o mesmo Rei nomeou o filho daquele, Rui Vaz Pereira, 1º conde da Feira, senhor do Castelo e da Terra de Santa Maria. Aliás, as grandes obras que lhe regulam o prospeto e lhe definem o carácter arquitetónico hoje visível datam de finais do século XV, como a Torre de Menagem (estrutura central de um castelo medieval; é o seu principal ponto de poder e último reduto de defesa). Outra torre mais pequena, no lado nascente, forma um poço com uma bem lançada escadaria envolvente.
Incêndio e recuperação
Com a morte sem descendência do último conde (1700), o Castelo passou à casa do Infantado (1708). Na posse da coroa ou de particulares, consoante as mudanças de opinião de quem decidia, o Castelo sofreu algumas obras de conservação e remodelação, mas nunca perdeu o carácter medieval inicial.
Em 1722 o Palácio dos Condes, construído dentro das muralhas, e a Torre de Menagem sofreram um grande incêndio – ao que se diz por ordem do próprio rei D. João V, receoso das ambições de seu irmão, o infante D. Francisco.
Coube à municipalidade iniciar, em 1887, as obras da sua reconstrução, mas foi com a visita de D. Manuel II, em 1908, bem como com a criação no ano seguinte de uma Comissão de Proteção e de Conservação do Castelo, que as obras efetivamente se realizaram.
Uma campanha de subscrição pública angariou fundos para obras de restauração do imóvel, cujas ruínas passaram a ser vigiadas por um guarda. Nesse período, os Gonçalves Coelho e Vaz Ferreira descobriram três inscrições epigráficas. O castelo foi classificado como Monumento Nacional por Decreto publicado a 23 de junho de 1910.
A partir de 1927, as visitas ao monumento passaram a ser pagas. Entre 1935-1936 e 1939-1944, a Direcção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais (DGEMN) realizou obras de consolidação e restauro. Um novo acesso foi aberto desde 1950, e inaugurada a iluminação exterior do monumento em 1963, trabalhos que o valorizaram. O castelo voltou a passar por uma intervenção em 1986, um ano depois da Vila da Feira ter passado a cidade, sob a designação de Santa Maria da Feira.
Recentemente, a Comissão de Vigilância do Castelo de Santa Maria da Feira, em parceria com o IGESPAR, desenvolveu um Projeto de Conservação e Remodelação do Castelo de Santa Maria da Feira, salientando-se as obras de conservação e restauro da Capela e da Torre de Menagem, para utilização em conferências, reuniões, espetáculos musicais, exposições e outros eventos.
O que ver
Porta da Vila: A entrada do castelo faz-se pela chamada “porta da vila”. Esta entrada leva à “cerca avançada” ou “praça de armas” que conduz, pelo lado norte, à Torre de Menagem.
Torre de Menagem: Tem dois pisos. Grandes lareiras revelam o caráter residencial que o Castelo teve.
Torre do Poço: Colocado junto à torre de menagem, pelo lado nascente; é uma construção do séc. XV toda em granito e com oito janelas fechadas, formando nichos, com acesso pelo exterior com 136 degraus.
O poço tem 33,5 metros de profundidade e nascente própria.
Capela: Junto à muralha da cerca, está uma capela de estilo barroco, mandada construir em 1656. Esta capela veio substituir uma ermida muito antiga, entretanto demolida. Da antiga ermida passou para a atual capela, um precioso núcleo de imagens de pedra de ançã.


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