Área de arroz recua 5% e produção de batata, cereais, cereja e pêssego cai 10% a 15%

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A área de arroz deverá diminuir 5% este ano face ao anterior, enquanto a área de batata e a produtividade dos cereais de outono-inverno, da cereja e do pêssego deverão recuar 10% a 15%, informou o INE.

“As previsões agrícolas, em 31 de maio, apontam para a normal instalação das culturas de primavera, numa conjuntura fortemente marcada pela seca, pela escalada dos custos com os meios de produção, pela subida dos preços dos produtos agrícolas e pela suspensão das transações comerciais com a Rússia e a Ucrânia”, refere o Instituto Nacional de Estatística (INE).

No caso do arroz, as sementeiras “têm decorrido com normalidade”, sendo que a diminuição de 5% na área semeada se deveu “exclusivamente às obras de manutenção dos canais de rega de Alcácer e Grândola” (já intervencionados em 2020).

No Baixo Sorraia, o INE estima que a área aumente “ligeiramente, devido à conversão de áreas de pastagem permanente em canteiros de arroz”.

Já no caso da batata, o recuo previsto da área de 10% no regadio e de 15% no sequeiro resultou de “fatores meteorológicos, económicos e técnico/agronómicos”, designadamente a “falta de precipitação e humidade no solo, aumento dos preços dos meios de produção, em particular dos fertilizantes e dos combustíveis e proibição de utilização de antiabrolhantes de síntese à base de clorprofame”.

Apesar de a colheita da batata de sequeiro ter arrancado “sem dificuldades, apresentando os tubérculos qualidade e calibres razoáveis”, o INE refere que, “na região do Oeste, onde esta cultura é mais representativa, os batatais apresentam um fraco desenvolvimento vegetativo, pelo que se preveem quebras de 60% face a 2021”.

No que se refere à plantação de tomate para a indústria, “decorreu sem interrupções e em boas condições, sendo a área contratada entre os produtores e a indústria transformadora de 16,5 mil hectares, o que corresponde a um aumento de 4%, face à campanha passada”.

“Apesar da conjuntura fortemente marcada pela incerteza provocada pelo aumento dos preços dos meios de produção, os produtores reagiram positivamente à perspetiva de aumento do preço do tomate para a indústria, aquando da celebração dos contratos”, nota o INE.

Já relativamente aos cereais de outono-inverno, “prevê-se que o impacto da seca nas produtividades corresponda a um decréscimo entre 10% a 15% o que, aliado a uma área semeada historicamente baixa, agravará a dependência do abastecimento externo”.

“Os cereais de outono-inverno encontram-se em plena maturação, apresentando, de um modo geral, fraco desenvolvimento vegetativo. Globalmente, as previsões apontam para uma diminuição generalizada da produtividade dos cereais praganosos em 10%, sendo de 15% no trigo duro e aveia”, precisa o INE.

Quanto às fruteiras, em particular nas prunóideas, “as condições meteorológicas não foram favoráveis”, prevendo-se por isso decréscimos de produtividade de 15% na cereja e de 10% no pêssego.

De acordo com o INE, as condições de desenvolvimento da cereja “foram distintas nas principais regiões produtoras”: Se, no Ribadouro, os pomares “apresentam um bom aspeto vegetativo e os frutos grande qualidade, devendo a produtividade ser idêntica à da campanha passada”, na Cova da Beira “as geadas tardias e as baixas temperaturas noturnas de abril provocaram alguma queda de frutos e um atraso no desenvolvimento vegetativo, prevendo-se um decréscimo de produtividade de 25%”.

Embora esta estimativa global de quebra ainda possa alterar-se, dada a “existência de muitas variedades de cerejeiras com diferentes épocas de colheita e o facto de se tratar de um fruto muito suscetível às condições meteorológicas”, o INE acredita que “deverá rondar os 15% face a 2021”.

Com quebras de produtividade face à campanha anterior estarão também os pomares de pessegueiros, “afetados durante a floração por precipitação, baixas temperaturas noturnas e formação de geadas, que prejudicaram a polinização e atrasaram o desenvolvimento vegetativo”.

Este cenário, “juntamente com os ventos fortes de abril”, contribuiu para a “queda fisiológica dos pequenos frutos, cujo desenvolvimento aparentava um vingamento consolidado, prevendo-se assim um decréscimo de produtividade de 10%”.

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