Empresas de vinhos no Douro apreensivas com a situação vivida entre a Ucrânia e a Rússia

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A Associação das Empresas de Vinho do Porto (AEVP) classificou hoje como preocupante a situação vivida entre a Ucrânia e a Rússia e referiu que uma escalada das tensões poderá afetar as exportações para estes mercados.

“Não só pelas dificuldades intrínsecas em fazer chegar os produtos como em eventuais embargos, nomeadamente da Rússia em relação à importação de produtos da União Europeia”, sustentou Isabel Marrana, diretora executiva da AEVP.

Em 2021, segundo dados fornecidos pelo Instituto dos Vinhos do Douro e Porto (IVDP), foram exportados cinco milhões de euros de vinhos das denominações de origem protegidas (DOP) Porto e Douro para a Rússia.

A Ucrânia tem um peso menor no valor nas exportações, mas tem apresentado um crescimento consistente nos últimos cinco anos. O volume de negócios para este país atingiu os 900 mil euros no ano passado.

“Esta invasão militar da Ucrânia pela Federação Russa vai ter vários tipos de impactos, desde logo nas populações, mas também vão ocorrer daí impactos nas economias europeia e nacional e o setor vitivinícola nacional, infelizmente, também não passará incólume”, afirmou Gilberto Igrejas, presidente do IVDP.

Uma semana após a invasão da Rússia, o responsável disse que o instituto público tem estado em contacto com os agentes económicos e referiu que algumas empresas reportam a suspensão de encomendas para estes países nos últimos dias devido a dificuldade de “as fazer chegar ao destino”, bem a “como restrições no transporte”.

“Provavelmente estes cancelamentos vão intensificar-se ainda mais nas próximas semanas, porque as prioridades passam a ser outras, as limitações vão aumentar”, referiu.

A AEVP disse que ainda é cedo para fazer um balanço da suspensão das vendas.

“No entanto, é evidente que elas irão acontecer se o conflito perdurar. Caso se venha a verificar uma escalada das tensões ou um eventual conflito entre a Rússia e a Ucrânia, pensamos que será muito difícil manter o nível de exportações para estes mercados”, referiu Isabel Marrana.

Acrescentou ainda que a “alternativa, embora difícil de concretizar, será as empresas exportadoras tentarem aumentar as exportações para outros países de forma a minimizar o impacto negativo de uma eventual quebra de exportações nestes dois mercados”.

Relativamente às exportações para a Rússia em 2021, o Vinho do Porto representou um volume de negócios de 4,4 milhões de euros, enquanto a DOP Douro representou 620 mil euros de exportações.

No caso da Ucrânia, as exportações representaram cerca de 900 mil euros, 850 mil euros relativos ao vinho do Porto.

“Se olharmos para as exportações para a Rússia e para a Ucrânia, até ao dia de hoje, desde o início de 2022 e comparando com igual período do ano anterior, verificamos uma quebra nas exportações de Douro, seja na Rússia seja na Ucrânia, mas paradoxalmente estamos a ter crescimento no Porto e um crescimento que não é negligenciável. Estamos a falar de um crescimento de cerca de 44% na Rússia até hoje e de cerca de 90% para a Ucrânia também no mesmo período”, referiu Gilberto Igrejas.

No entanto, ressalvou que provavelmente nas próximas semanas este crescimento “vai tender a desaparecer”.

A Rússia lançou na madrugada de 24 de fevereiro uma ofensiva militar com três frentes na Ucrânia, com forças terrestres e bombardeamentos em várias cidades. As autoridades de Kiev contabilizaram, até ao momento, mais de 2.000 civis mortos, incluindo crianças, e, segundo a ONU, os ataques já provocaram mais de um milhão de refugiados na Polónia, Hungria, Moldova e Roménia, entre outros países.

O Presidente russo, Vladimir Putin, justificou a “operação militar especial” na Ucrânia com a necessidade de desmilitarizar o país vizinho, afirmando ser a única maneira de a Rússia se defender e garantindo que a ofensiva durará o tempo necessário.

O ataque foi condenado pela generalidade da comunidade internacional, e a União Europeia e os Estados Unidos, entre outros, responderam com o envio de armamento para a Ucrânia e o reforço de sanções económicas para isolar ainda mais Moscovo.

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