Pandemia altera planos de portugueses nos mercados de Natal alemães

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Nuno Dores pensou bem antes de abrir o ‘stand’ com produtos de cortiça no mercado de Natal de Unna, na Alemanha, mas Sofia Texeira viu-se mesmo obrigada a ficar em casa pelo segundo ano consecutivo.

Se, em 2021, todos os mercados de Natal da Alemanha tiveram de encerrar, ou não chegaram sequer a abrir, este ano, as regras aplicadas foram diferentes nos dezasseis estados federados. A pandemia de covid-19 voltou a trocar as voltas a quem trabalha para manter uma das tradições mais queridas dos alemães.

Para Sofia Teixeira, a viver na pequena localidade de Neuburg an der Donau, na Baviera, este foi mais um ano de silêncio. A portuguesa, há três anos a viver na Alemanha, lamenta a falta do bulício habitual desta altura. Nesta região, nenhum mercado pôde abrir devido ao alto número de infeções.

“Vim cá de férias uma vez na altura no Natal e gostei muito do ambiente. O calor das pessoas, o convívio, é isso que marca esta altura do ano. Sinceramente, nem me parece Natal sem as festas, os mercados. A cidade está vazia, parada, as pessoas saíam do trabalho e iam conversar e agora não há nada”, partilhou com a agência Lusa.

Sofia trabalhou há dois anos, pela primeira vez, num mercado. Foi-se dividindo entre os stands de vinho quente, crepes, e amêndoas torradas. A experiência foi muito positiva.

“Nesses momentos eu convivia muito com alemães. Sem isso, não acontece. Era engraçado porque eles perguntavam sempre se era estrangeira, acabava por falar de Portugal e dos portugueses. Agora não tenho nada disso”, confessou.

Para Nuno Dores, a viver em Unna, na Renânia do Norte-Vestefália, região mais populosa da Alemanha, a primeira aventura num mercado de Natal começou em 15 de novembro.

“É a minha primeira vez. Tem sido uma experiência fantástica (…) Ainda estou a absorver a cultura alemã, é difícil em algumas vertentes, mas é tudo uma questão de tempo (…) Eles têm um espírito natalício excecional. Toda a decoração das ruas é levada ao detalhe. Está a ser muito gratificante e provavelmente para repetir”, disse à Lusa.

O português, há seis anos na Alemanha, admitiu que a ideia de vender produtos de cortiça num mercado de Natal foi debatida em casa.

“Tenho um bebé de três meses, e uma filha de seis, por isso o tema foi muito abordado em casa. Vivemos há dois anos em pandemia, e a Alemanha sempre foi muito rigorosa na aplicação das regras. Aqui, em Unna, há sempre muita polícia local a fiscalizar (…) Também tomamos todas as devidas precauções, distanciamento, usando material de higiene, quando os clientes se vão embora, desinfetamos as coisas. Já é muito tempo, temos de viver cumprindo regras”, considerou.

Na Alemanha, é condutor de pesados. Em Portugal, sempre exerceu as funções de comercial. A experiência com a cortiça nos mercados está a correr tão bem, que Nuno já pensa em repetir no próximo ano, e até vender em lojas.

“Em pandemia é um pouco arriscado, admito, mas achei que esta seria uma boa forma de divulgar um dos nossos produtos, a cortiça, e também me ajuda um pouco a desenvolver a língua. Não falo muito bem alemão, mas assim forço-me a aprender um pouco mais”, acrescentou.

Os clientes são maioritariamente alemães, mas também vai encontrando alguns portugueses. As reações têm superado as expetativas.

“Ficam impressionados. Há alguns que pensam que destruímos as arvores para fazer a cortiça. Explicamos detalhadamente porque é que isso não é verdade. Ultrapassando essa fase, eles acham o material muito interessante. As vendas estão a correr bastante bem. O feedback tem sido muito bom”, admitiu.

A Alemanha regista quase sete milhões de casos e mais de 100 mil vítimas mortais desde o início da pandemia de covid-19.

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