Empresas portuguesas procuram oportunidades em Cabo Verde no pós-pandemia

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Quase trinta empresas portuguesas procuram, na Feira Internacional de Cabo Verde, oportunidades de negócio no pós-pandemia nos mais diferentes setores, espreitando a exportação e mesmo a instalação no arquipélago.

A Ibéricafrio – Comércio de Equipamentos Hoteleiros, com sede em Olhão, onde emprega cerca de 30 trabalhadores na área da produção, montagem e exportação, é uma dessas empresas que procura na maior feira de Cabo Verde, que decorre na Praia de 17 a 20 de novembro, reforçar a presença no mercado cabo-verdiano.

“O objetivo é tentar arranjar clientes e no futuro próximo instalar-nos cá diretamente. Também temos uma delegação em Angola e a ideia é apostar aqui no mercado cabo-verdiano, diretamente, com a nossa empresa, que será a Ibérica Frio Cabo Verde”, explicou à Lusa o gerente, Bruno Dias.

A empresa, fundada há 42 anos e cuja gestão herdou do pai, em conjunto com o irmão, especializou-se em equipamentos hoteleiros para supermercados, pastelarias e hotéis, entre outros, que tenta agora vender em Cabo Verde, precisamente um destino turístico.

“Montamos esse tipo de casas, é isso que viemos pôr aqui na feira de Cabo Verde, para tentar lançar aqui a nossa marca”, disse.

A aposta em Cabo Verde começou na Feira Internacional de Cabo Verde de 2019, no Mindelo, mas a pandemia de covid-19 obrigou a parar os planos para instalar a empresa no arquipélago.

“Há planos. Já eram para estar, mas com a pandemia tivemos de travar um bocadinho. Mas a ideia é continuar e a presença aqui na feira é mesmo isso, para dar continuidade ao nosso trabalho, que foi iniciado em 2018”, explicou, admitindo que os negócios para Cabo Verde, que já fazem, ainda têm “pouca expressão”.

“Temos de plantar muito (…) É preciso persistência e investimento. As empresas que vierem têm de saber que é preciso investir e ganhar a confiança do mercado. E depois, ao fim de dois anos, as coisas começam a acontecer”, admitiu, dando como exemplo o mercado angolano, o primeiro destino de exportação em África da Ibéricafrio.

Angola vale atualmente, e apesar da queda provocada pela pandemia, cerca de 20% das exportações da empresa algarvia.

“Nos tempos da crise, em 2011, 2012, representou cerca de 40% da nossa faturação, só o mercado angolano. Foi uma grande ajuda nessa fase”, contou.

À espera da retoma, também em Cabo Verde, Bruno Dias, na empresa há trinta anos, afirma que já vê sinais positivos: “Já temos clientes cá e já estamos a sentir alguma retoma pós-pandemia, já se sente alguma confiança no mercado, as pessoas estão a começar a pedir orçamentos, a comprar. Já sentimos nos últimos dois meses os clientes a comprar”.

“Acho que as coisas agora vão. Têm de ir”, afirmou.

Igualmente confiante está Alexandre Simão, gerente da Propyro, uma das empresas portuguesas estreantes na feira – das 125 presentes, com 230 stands, 23% são portuguesas – e no mercado de Cabo Verde.

Criada em 1998, tem sede em Cantanhede, onde emprega uma dezena de trabalhadores, e comercializa produtos pirotécnicos, que vende em Portugal e exporta para Espanha e França. Agora, tenta o mercado cabo-verdiano para venda direta, aproveitando o retoma das festas e dos eventos, mas também os clientes finais, particulares.

“Aqui para Cabo Verde temos tido alguns pirotécnicos que fazem o espetáculo cá, nós vendemos-lhes o produto e eles cá criam o desenho do espetáculo e depois os produtores montam-no e fazem-no cá”, explicou.

A presença na feira é para “abrir outro canal de negócio”.

“Que é também produtos pirotécnicos, mas para venda ao público, para o consumidor final”, disse, exemplificando como as festas particulares.

A intenção é encontrar parceiros em Cabo Verde para venderem ao público os produtos da Propyro e admite ter “boas expectativas” nesta estreia.

“Já temos informação de algumas empresas interessadas, agora vamos aproveitar a feira para contactar essas pessoas e tentar fazer negócio”, disse ainda.

Para a Medd Design, fundada há quase 18 anos e com sede no Porto, com 25 trabalhadores, o mercado da exportação não é novidade e garante mesmo mais de 50% da faturação, nomeadamente França e Inglaterra, além das vendas em Portugal.

“Nós somos especializados na área da saúde. Desde a parte de construção, conceção, obra, equipamento, mobiliário, tudo na área da saúde”, começou por explicar à Lusa, no seu stand na feira cabo-verdiana, o gerente, Miguel Moura e Castro.

Para a empresa, a estreia nesta feira em Cabo Verde é uma forma de começar a procurar novos negócios em África: “No mercado africano é a primeira vez que estamos, no fundo, a entrar, ou por outra, a sondar. Para ver como é que reage”.

A empresa vive de um negócio “tudo chave na mão”, de implementação de farmácias, blocos, hospitais ou clínicas, que se enquadra na visão cabo-verdiana de um destino seguro, em termos sanitários, desde logo para os turistas.

“A estrutura que nós temos não nos permite estarmos a fazer negócios muito pequenininhos (…) Mas a junção de vários projetos pequenos ou um projeto grande, estamos a falar de hospitais, clínicas, farmácias, que é aquilo que estamos habituados a fazer, poderá ser uma situação”, admitiu, sublinhando que a missão em Cabo Verde é sobretudo para “avaliar” potencialidades.

“O objetivo é ir crescendo e todos os mercados são interessantes. Temos é de saber adaptar-nos a eles e trabalhar dentro dos mercados”, concluiu.

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