Costa recusa perigo de maioria absoluta PS mas não exclui novo entendimento à esquerda

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O primeiro-ministro recusou na segunda-feira que uma maioria absoluta do PS seja perigosa para a democracia, mas assumiu que se os socialistas não a alcançarem nas eleições procurará um entendimento “duradouro” com os parceiros de esquerda.

Estas posições foram transmitidas por António Costa em entrevista à RTP, a primeira desde o chumbo do Orçamento para 2022 que levou o Presidente da República a dissolver o parlamento e a convocar eleições legislativas antecipadas para 30 de janeiro de 2022.

“Peço o voto dos portugueses para uma solução estável para quatro anos de Governo. Com ou sem maioria [absoluta], não deixarei de dialogar”, declarou o líder do PS, numa entrevista conduzida pelo jornalista António José Teixeira.

Logo a seguir, confrontado com um cenário em que o PS sai das próximas eleições legislativas novamente com uma vitória com maioria relativa, António Costa respondeu: “Procurarei um entendimento duradouro com os nossos parceiros”, disse, numa alusão ao Bloco de Esquerda, PCP e PEV.

Na entrevista, António Costa recorreu ao período em que foi presidente da Câmara de Lisboa, a partir de 2013 com maioria absoluta, para afastar os perigos de uma maioria absoluta do PS a seguir às próximas eleições.

“Acho que ninguém tem medo da minha ação e da forma como governamos, ninguém tem dúvidas de que o Presidente da República não deixará de estar atento, que a comunicação social estará atenta e que o poder judicial é livre e independente”, argumentou.

Em relação às próximas eleições legislativas, o líder socialista defendeu a tese de que “a escolha fundamental dos portugueses é se querem regressar a um Governo do PSD ou se querem dar continuidade a um Governo do PS”.

“E, dando continuidade a um Governo do PS, em que condições querem que o Governo do PS governe: Querem dar força a esse Governo para poder governar de forma estável, de uma forma duradoura, ou não querem. É uma opção dos portugueses. Eu estou de bem, eu ficarei de bem qualquer que seja a votação”, completou.

Interrogado se, num cenário de maioria relativa do PS após as próximas eleições, vai tentar novo entendimento com os partidos à esquerda dos socialistas, António Costa não excluiu essa via.

“Há muitas formas de estar na vida: Há quem olhe para portas e veja fechaduras; e há quem olhe para portas e olhe para a maçaneta que abre a porta. Com a minha forma de estar – uns dizem que é por ser otimista -, olho mais para a maçaneta do que propriamente para a fechadura”, respondeu.

O primeiro-ministro advertiu depois que os políticos têm de ter a “humildade de perceber que quem escolhe em eleições os resultados das eleições são os portugueses”.

“Há uma lição que todos temos a retirar destes anos: Bati-me por esta solução, mas não escolho a orientação nem do PCP nem do BE. Se o PCP e o BE optaram por ser partidos de protesto, tenho de respeitar. Custa-me muito, devo dizer, porque acho que foi um desperdício de oportunidades”, considerou.

Neste ponto relativo ao PCP e BE, António Costa admitiu que a seguir às eleições de 30 de janeiro “novos tempos virão”.

“Portanto, eu não vou querer estar aqui a abrir a ferida, andar aqui a remoer no tema. Há eleições, é um ciclo novo que se abre. Aquilo que eu digo aos portugueses, com toda a clareza, é o seguinte: Peço que nos deem força para podermos governar de forma estável durante os próximos quatro anos”, insistiu.

Depois das eleições, de acordo com António Costa, colocam-se pelos menos dois cenários após uma eventual nova vitória dos socialistas: “ou o PS tem maioria para poder governar sozinho; ou o PS é claramente reforçado, mesmo não tendo maioria é claramente reforçado – e acho que isso inevitavelmente também implica que os nossos parceiros à esquerda também reflitam, porque fizeram asneira e as pessoas não compreenderam o que fizeram”.

“Nesse caso, poderão emendar a mão e trabalhar com o PS de boa fé, com espírito construtivo, como fizemos na legislatura anterior. Eu não fecho a porta a ninguém”, reforçou o primeiro-ministro.

Confrontado com a tese de que a “Geringonça” que nasceu em novembro de 2015 está já morta, António Costa concordou e comentou que o dirigente histórico socialista Manuel Alegre já lhe “passou o atestado de óbito”.

“Esta fórmula, como tivemos desde 2016, até agora, essa indiscutivelmente acabou, É uma questão de facto. O que é que virá a seguir? Vamos ver o que os portugueses decidem que venha a seguir”, argumentou.

Já sobre um eventual entendimento do PS com o PSD a seguir às eleições, António Costa não respondeu diretamente à pergunta.

“Primeiro, é preciso deixá-los arrumarem-se a si próprios, e depois falamos sobre os partidos à direita do PS. Neste momento, como é sabido, estão num processo interno, a arrumar a sua própria casa. Não vou interferir nesse processo. É um processo que lhes diz respeito”, alegou.

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