Deserdados da democracia

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Nos últimos anos nenhum país europeu caiu tanto em pobreza como Portugal, uma realidade que nos leva a curto prazo para o terceiro mundismo, uma situação que nos espera a todos, mas que os responsáveis não querem aceitar como sua a responsabilidade. 

O elevado risco de pobreza continuada tem vários fatores associados, como a baixa taxa de literacia dos portugueses, e o subdesenvolvimento do nosso país a todos os níveis, não existindo neste momento na Europa, outro país por quem nos possamos nivelar. 

Este drama que mais tarde acabará por afetar todos os portugueses, levará dezenas de anos a recuperar porque existe quem esteja a tirar benefícios, do estado de desespero em que se encontram mais de um terço das famílias portuguesas.

É preciso que ninguém esqueça que Portugal pertence a todos os que aqui nasceram, e a todos os que optaram por aqui viver e que não devem aceitar a pobreza como uma inevitabilidade, sendo de todos o dever de a combater. 

Os “deserdados da democracia” contabilizam 75% da população, e estão a dar-se por vencidos face às inúmeras dificuldades com que as famílias portuguesas são confrontadas diariamente, onde a oferta de trabalho não é de todo inexistente, mas os portugueses estão a perder o ânimo para trabalhar por dois motivos: os mais baixos salários de toda a Europa praticados em Portugal, determinam a pouca apetência para atividades que não excedem o salário mínimo, pelo que preferem receber subsídios o que afunda cada vez mais o país em pobreza, o que fez crescer a economia paralela a um ritmo imparável. 

Um administrador de uma das maiores construtoras da zona oeste, pediu ao fundo de desemprego 10 pedreiros com urgência para acabar as obras nas fruteiras, mas nenhum apareceu ao serviço, por consequência, existe quem esteja à espera mais de 6 meses para executar um trabalho que tem que ser feito antes de começar o inverno.

Presumo de que preferiram continuar a receber o subsídio de desemprego do que trabalhar por um pouco mais. É esta a economia em que o país está mergulhado, trabalhar para quê pensam eles, se tenho o rendimento mínimo garantido, no entanto nem todos os portugueses se podem queixar, as elites e a classe média alta estão ao nível ou mesmo em alguns casos acima da média europeia.  

A emigração será a única saída para aqueles que ambicionam um futuro digno para si e os seus filhos, o mesmo que lhes foi negado no país em que nasceram. 

O que está a bloquear a recuperação económica são os baixos salários praticados em Portugal, que tem provocado nos últimos anos irremediáveis assimetrias sociais entre portugueses com as mesmas habilitações profissionais, e a fuga massiva de centenas de milhares de portugueses dos mais qualificados, que estariam na linha da frente para podermos recuperar o nosso país. 

Portugal enfrenta um problema de incompetências na gestão, desonestidade e ambição que ao longo das últimas décadas criou raízes na sociedade portuguesa, não sendo fácil a qualquer governo, por termo a esta calamidade, sem criar ruturas insanáveis com o (status quo) político português. 

Nos últimos anos foram arquivados centenas de milhares de pequenos processos, com o objetivo de descongestionar os tribunais, tendo afetado uma parte substancial da população, outros serão arquivados na proporcionalidade dos que entram, tornando a justiça em Portugal num poço sem fundo; recordo que a justiça, é um pilar fundamental de uma democracia.

Portugal regrediu em padrões que são essenciais para o nosso desenvolvimento económico, onde se acentua uma falta de patriotismo e a fraca educação da população, o país eclipsou numa única geração 25 anos, todo o prestígio acumulado ao longo de toda a sua história. 

Sem uma justiça isenta e eficaz, nenhum país consegue atingir o desenvolvimento e a estabilidade económica que beneficie todos os seus cidadãos, sendo muitos dos privilégios que uma minoria alcançou, em detrimento da maioria dos portugueses. 

Muitos dos nossos pobres foram recentemente extraídos à classe média, que não tem coragem para estender a mão à caridade, sendo reconhecidamente a classe mais produtiva, eles foram os que mais perderam.

Para poder recuperar, Portugal precisa urgentemente de alguém que tenha a confiança inequívoca de todos os portugueses, uma figura que consiga reunir tal perfil, terá que surgir da cidadania, porque todos já entendemos, que cada vez estamos mais distantes, de todos os nossos parceiros europeus. 

Joaquim Vitorino 

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