Quanto vale hoje Portugal?

Data:

Os 878 anos da nossa existência como país, foram passados com muitas oscilações, mas nunca a “marca Portugal” desceu a um valor tão baixo como aquele, em que nos encontramos atualmente.

A Nação portuguesa, atingiu o ponto mais elevado na era dos descobrimentos: mas foram precisos mais 250 anos, para que Portugal fosse considerado o país mais rico do Mundo. À atual geração e às próximas, só lhes restará viver na nostalgia e romantismo daqueles “grandes tempos”.

Convento de Mafra
Palácio Convento de Mafra

Vamos atribuir um valor virtual de 1000 créditos a essa época, em que a nossa moeda era cunhada a ouro, e que só os venezianos conseguiam rivalizar connosco.

Foi preciso esperar pelo reinado de D. João V, para que os portugueses sentissem a verdadeira pujança de uma Nação rica e próspera. que emergiu na sequência de todo o esforço de quase 300 anos de odisseia marítima, começando a perder prestígio no reinado de D. José I que ficou tristemente marcado por intrigas palacianas, com traições e sexo á mistura, onde não faltaram bárbaras condenações, (lembro o suplício dos Távora) que nos envergonham como um povo civilizado que “já fomos”.

Como que uma punição vinda do mar, o terramoto de 1755 veio acabar por destruir o resto do que já estava em curso.

Quando D. Maria I subiu ao trono, Portugal tinha reduzido de 1000 para 400 créditos toda a sua riqueza, baixando para 200 com as guerras napoleónicas e peninsulares, tendo como consequência a fuga da família Real para o Brasil, que mais tarde estaria na origem de uma sangrenta guerra civil entre os irmãos D. Pedro e D. Miguel, que deixou o país devastado e num estado de pobreza de difícil recuperação.

Foram anos de grande sofrimento e penúria para o povo português, que até à independência do Brasil nunca perdeu o orgulho e o patriotismo, nem uma única parcela do seu vasto território, que posteriormente sofreu um duro golpe com o ultimato inglês de 11 de janeiro de 1890, que levou Portugal a endividar-se por mais de 100 anos, tendo a última “tranche” sido paga aos ingleses a 30 de junho de 2011.

Foi naquele ano, e na sequência do referido acontecimento, que Portugal perdeu os últimos dos 1000 créditos que chegou a ter, entrando no ano de 1892 já em campo negativo.

Mapa cor de rosa

É a partir daquele trágico episódio protagonizado por Serpa Pinto e Paiva Couceiro em África, que ficou conhecido como ‘Mapa cor de Rosa’, que Portugal nunca mais deixou de contrair dívida com a qual, começámos gradualmente a perder a nossa independência: motivo utilizado pelos radicais, que iria conduzir ao regicídio.

A seguir foi o descalabro total, sendo a nossa participação no primeiro conflito Mundial uma tragédia nacional que levou a um clima constante de conflitualidade, com várias repúblicas a sucederem-se umas às outras, acabando por descambar numa ditadura que durou 48 anos, e que levou Portugal para os 500 créditos negativos.

A perda da India em 1959 a que se lhe seguiram todas as outras ex-colónias depois de 14 anos de guerra, transformou Portugal nas décadas de 60/70 num país em fuga: que depois é colmatada com a vinda de 1.2 milhões de pessoas, naquela que foi a maior fuga aérea de áfrica de todos tempos.

O impacto foi tal na sociedade portuguesa, que ainda hoje se sentem um pouco por toda a parte os seus efeitos.

Portugal já como uma república perdeu em menos de 20 anos o que restava dos 1000 créditos positivos, e presentemente conta com 2500 negativos, pelo património alienado, e a enorme dívida que contraiu de 276.000 milhões de euros 137,3 do PIB dados recentes de 2021, não existindo qualquer investimento ou benefício público que o justifique, porque o país é o mais subdesenvolvido de toda a Europa, e o que possui a mais baixa taxa de literacia, e os mais baixos salários da União europeia, por motivo da economia miserabilista decidida pelos sucessivos governos após o 25 de abril de 1974.

O orgulho e a opulência do nosso passado, marcaram a diferença com a pobreza e o descrédito do presente: o nosso país que chegou a controlar os sete mares e cinco oceanos, para além de ter sido alienado parte do riquíssimo património que herdámos, foram vendidas as empresas chave no desenvolvimento de um país como a EDP, a companhia das águas, CTT, bancos e até o oceanário de Lisboa já foi vendido.

D. Nuno Álvares Pereira
D. Nuno Álvares Pereira – Santo Condestável

Recentemente desloquei-me ao “Centro de Interpretação da Batalha de Aljubarrota” onde prestei homenagem a todos os que tombaram no campo de S. Jorge em 1385 faz agora precisamente 636 anos, com toda a certeza que os portugueses de hoje, estão longe de merecer o sacrifício das suas vidas.

Portugal já pouco tem a que se possa deitar a mão: quase tudo foi vendido a preço de saldo, e simultaneamente transformaram-nos na segunda maior hipoteca per capita do Mundo. A bandeira é tão só a única coisa, com que hoje nos possamos identificar.

De esperança perdida, sem perspetivas futuras e os sonhos traídos, nos últimos 14 anos deixaram Portugal mais de 1 milhão e 200 mil dos nossos Jovens, em busca de um futuro digno que aqui lhes foi negado.

Nas suas bagagens, levaram com eles licenciaturas, doutoramentos e formações politécnicas tiradas nas nossas Universidades e estabelecimentos de ensino Superior, que é reconhecido como dos melhores tendo em conta os meios que dispõem.

Esta elite de portugueses que foram “forçados” a deixar as suas famílias e seu querido país, deixaram-nos mais pobres e abrem uma grande lacuna na reposição demográfica do território onde em alguns distritos do interior, existem 3 idosos por cada criança e jovens no seu conjunto.

É uma situação alarmante, onde o futuro é mais que previsível; com a reposição demográfica feita em larga escala de fora para dentro, o que já está a acontecer.

Portugal vai perdendo a sua identidade, e aos que partiram não lhes são oferecidas condições para poderem regressar até porque, já não sentem como seu este país, para trás deixaram tudo, incluindo o desejo de eventualmente um dia poderem regressar.

OBS: Aos nossos emigrantes e seus descendentes, que já são um terço da população portuguesa que teve que sair de Portugal e à memória do meu avô paterno, nascido em Aljubarrota no ano do ultimato inglês de 1890. Emigrou com a minha avó para os Estados Unidos em 1919, e faleceu com tuberculose dois anos depois em Fall River Massachusetts, tinha o meu pai 6 meses de idade.

Joaquim Vitorino

Share post:

Popular

Nóticias Relacionads
RELACIONADAS

Compal lança nova gama Vital Bom Dia!

Disponível em três sabores: Frutos Vermelhos Aveia e Canela, Frutos Tropicais Chia e Alfarroba e Frutos Amarelos Chia e Curcuma estão disponíveis nos formatos Tetra Pak 1L, Tetra Pak 0,33L e ainda no formato garrafa de vidro 0,20L.

Super Bock lança edição limitada que celebra as relações de amizade mais autênticas

São dez rótulos numa edição limitada da Super Bock no âmbito da campanha “Para amigos amigos, uma cerveja cerveja”

Exportações de vinhos para Angola crescem 20% desde o início do ano

As exportações de vinho para Angola cresceram 20% entre janeiro e abril deste ano, revelou o presidente da ViniPortugal, mostrando-se otimista quanto à recuperação neste mercado, face à melhoria da economia.

Área de arroz recua 5% e produção de batata, cereais, cereja e pêssego cai 10% a 15%

A área de arroz deverá diminuir 5% este ano face ao anterior, enquanto a área de batata e a produtividade dos cereais de outono-inverno, da cereja e do pêssego deverão recuar 10% a 15%, informou o INE.