Pandemia afetou os rastreios e testes ao VIH/sida

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A pandemia de covid-19 afetou os rastreios e testes ao VIH/sida, bem como a profilaxia pré-exposição, que está “longe” dos objetivos a que se propôs, assinalam médicos e organizações no terreno.

Em declarações à Lusa, Isabel Aldir, médica infecciologista que até há pouco liderava o Programa Nacional para a Infeção VIH/sida, confirma que a diminuição de testes e rastreios “é preocupante” e resulta de uma “relação claríssima” com a pandemia de covid-19.

Recordando que Portugal atingiu em 2017 o patamar de “90% de pessoas diagnosticadas”, a médica infecciologista realça que “o esforço de rastreio tem de ser continuado”, para se atingir o segundo patamar, de 95%.

“Não podemos descansar”, diz, apelando a “um maior investimento em termos de esforço de diagnóstico, para não se desperdiçar oportunidades de rastreio”.

Em maio, a Direção-Geral da Saúde (DGS) apelou à realização de testes à infeção por VIH, constatando que a pandemia de covid-19 levou a uma diminuição dos despistes a nível mundial.

A covid-19 já matou mais de 4,3 milhões de pessoas em todo o mundo, desde que foi identificada, em novembro de 2019, na China.

A sida, doença infecciosa igualmente pandémica, sem cura mas tratável, matou 34,7 milhões de pessoas desde que foi diagnosticada, há 40 anos. Segundo dados das Nações Unidas, outras tantas pessoas viviam com VIH/sida em 2020, estimando-se que 1,7 milhões tenham contraído o vírus em 2019 (uma redução de 23% desde 2010).

Também a presidente da Liga Portuguesa Contra a Sida está “preocupada com a diminuição de consultas e testes de rastreio, fortemente afetados pela pandemia”.

Em declarações à Lusa, Eugénia Saraiva estima mesmo uma “redução dos testes de rastreio em mais de 75 por cento” e assinala o “impacto da covid nos médicos infecciologistas”, que foram redirecionados para o combate à pandemia.

O que se passa em Portugal não é distinto da situação noutros pontos do mundo. Em junho, investigadores americanos concluíram que a covid-19, ao desviar recursos, perturbou a luta contra o VIH, que sofrerá um retrocesso no objetivo de eliminar a epidemia até 2030.

Aliás, esses especialistas acreditam mesmo que os Estados Unidos podem registar, em breve, o primeiro aumento de infeções em anos.

Simultaneamente, a profilaxia pré-exposição (PrEP) – tomada antes da ocorrência de um comportamento de risco, prevenindo a infeção – também está a ser “afetada” pela pandemia, observa Eugénia Saraiva. “Estamos longe [das metas fixadas]”, constata.

O objetivo da PrEP – comparticipada a 100% pelo Serviço Nacional de Saúde desde 2017 – era chegar a 10 mil pessoas (estimativa de risco), quando, segundo estimativas de Isabel Aldir e do Grupo de Ativistas em Tratamentos – GAT, ainda não passou das “mil a duas mil”, na melhor das hipóteses.

“Esta área também foi bastante afetada pela pandemia”, conclui Isabel Aldir, sublinhando que “as primeiras consultas foram maioritariamente interrompidas”, mantendo-se o acompanhamento das pessoas que já estavam a fazer a PrEP.

Porém, diz a médica infecciologista, neste caso a pandemia apenas piorou um cenário que já não tinha uma cadência normal antes.

Isabel Aldir defende, por isso, “uma estratégia diferente”, assinalando o facto de a PrEP ainda só estar disponível “em exclusivo nos hospitais” é um obstáculo.

“Estamos a falar de pessoas que não estão infetadas e que se querem prevenir, por isso é preciso deslocar a resposta para outros locais que não os hospitais, mais próximos da população. Estava-se a trabalhar nisso quando se atravessou a pandemia e ficou tudo congelado”, recupera.

Questionada sobre a cobertura da PrEP e a conformidade desta com as metas delineadas, a Direção-Geral da Saúde não respondeu.

Já o Infarmed esclareceu que “o mercado se encontra abastecido e não se preveem constrangimentos” dos medicamentos aprovados e financiados para a PrEP.

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