Historiadora Laurence des Cars vai ser a primeira mulher a dirigir o Museu do Louvre

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A historiadora de arte Laurence des Cars vai dirigir o Museu do Louvre, em Paris, o maior e mais visitado do mundo, onde quer refletir a sociedade, como disse à rádio France Inter, depois de conhecida a sua nomeação.

A antiga presidente do Museu d’Orsay, também na capital francesa, vai tornar-se na primeira mulher a dirigir o Louvre desde a sua fundação, em 1793, sucedendo, a partir de 01 de setembro, a Jean-Luc Martinez, conforme o anúncio hoje feito pela Presidência francesa.

Martinez, que esteve no cargo durante oito anos, procurando tornar o museu acessível a todos os públicos, expandindo o número de visitantes e dando vida a vários projetos nacionais e internacionais, como o Louvre em Abu Dabi, dá lugar à historiadora escolhida pelo governo francês, que também foi a primeira mulher à frente do museu parisiense que reúne, entre outros criadores, os expoentes do impressionismo.

O projeto de Laurence des Cars, de 54 anos, submetido à Presidência francesa, “pode dizer muito à juventude, e tornar-se uma câmara de eco da sociedade”, explicou a nomeada à cadeia de rádio France Inter.

“O Louvre pode ser totalmente contemporâneo. Precisamos de perspetiva, porque saímos de uma crise que nos desestabiliza. Vivemos uma época apaixonante, mas muito complicada”, comentou, anunciando, como primeira medida, criar um departamento que será dedicado a Bizâncio e aos cristãos do Oriente.

A historiadora de arte que dirigia o Museu d’Orsay há quatro anos, foi notada pelo seu dinamismo, nomeadamente com o projeto de abertura do museu e a exposição “Le Modèle noir”, em 2019.

O projeto para o Louvre, bem recebido pelo governo francês, tem a qualidade de “acolher a polifonia do mundo num museu em ressonância” com a sociedade, segundo um conselheiro oficial, citado pela agência France Presse.

O que chamou a atenção do Presidente francês foi o facto de a historiadora “sentir que os debates em sociedade entraram nos museus e não devem ser tratados como discussões, mas como arte e um espetáculo vivo”, acrescentou.

A expectativa de Emmanuel Macron é que Cars consiga “reinventar” o Louvre num mundo de crise pós-pandémica, e “torná-lo num lugar de contemplação e de reflexão aberto a todos”, disse, por seu turno, a ministra francesa da Cultura Roselyne Bachelot.

Jean-Luc Martinez, 57 anos, no seu terceiro mandato no Louvre, estava como diretor interino desde 13 de abril. Foi agora nomeado primeiro embaixador para a cooperação internacional no domínio do património, por Emmanuel Macron.

Ficará encarregado de liderar a política de restituições e a luta contra o tráfico internacional de obras de arte.

O responsável modernizou o Louvre. Sob a sua gestão, em 2019, antes da pandemia, os seus visitantes ultrapassaram o número de 10 milhões, cerca de 71% deles estrangeiros.

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