Arcebispo de Évora lembra alertas para “humilhante problemática” de imigrantes

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O arcebispo de Évora, Francisco Senra Coelho, lembrou  que a “humilhante problemática dos migrantes no Alentejo” já foi alvo de alertas pela Igreja presente na região, mas “nenhuma resposta surgiu, exceto o silêncio de muitos”.

Num texto enviado aos jornalistas, o arcebispo diz que não pode “esquecer ou omitir” um documento da Comissão Diocesana Justiça e Paz de Évora, intitulado “Despovoação e Migração no Alentejo”, que apresentou em conferência de imprensa, em 04 de dezembro de 2019.

“Permito-me refrescar a memória cultural, social e política do país que somos e lembrar no atual contexto de forte rumor político e mediático as constatações então apresentadas e a disponibilidade para colaborar por parte da Igreja presente no Alentejo”, diz Francisco Senra Coelho.

Quando esse documento foi apresentado, já perto do Natal, “nenhuma resposta surgiu, exceto o silêncio de muitos”, para contrariar “esta nova forma de escravatura, mesmo tratando-se de um apelo urgente com consequências de desumanização”.

O comunicado enviado pelo arcebispo de Évora, com o título “Sobre a humilhante problemática dos migrantes no Alentejo”, surge na sequência da situação vivida em Odemira, no distrito de Beja, onde o Governo decretou uma cerca sanitária em duas freguesias, devido à elevada incidência de casos de covid-19, sobretudo em trabalhadores no setor agrícola, muitos deles imigrantes.

Quando o Conselho de Ministros determinou a cerca sanitária, no dia 29 de abril, o primeiro-ministro, António Costa, sublinhou, que “alguma população vive em situações de insalubridade habitacional inadmissível, com hipersobrelotação das habitações”, e relatou situações de “risco enorme para a saúde pública, além de uma violação gritante dos direitos humanos”.

O arcebispo de Évora citou hoje três parágrafos do documento produzido, em 2019, pela Comissão Diocesana Justiça e Paz de Évora, para evidenciar que os problemas relacionados com a imigração estão diagnosticados há algum tempo.

A comissão diocesana referia ter constatado que o Alentejo estava a “ser um dos grandes recetores” da imigração, “não só a nível sazonal, mas também a título permanente, sobretudo para trabalhos relacionados com a agricultura” e “com ênfase na fruticultura, na floricultura e na pecuária”.

“A migração em causa é fundamentalmente proveniente do Brasil, dos países de Leste”, como “Roménia, Moldávia, Ucrânia”, e “da Ásia, [como] Índia, Paquistão, Nepal”, pode ler-se no documento.

E, “infelizmente, em muitos destes casos, suspeita-se a existência de tráfico de pessoas com exploração das mesmas, quer por máfias dos seus países de origem, quer pelas entidades empregadoras”, acrescentava.

Nesse trabalho, a Igreja manifestava já a disponibilidade para poder “ser um parceiro privilegiado neste acolhimento”, ajudando ainda “a uma melhor integração”.

Na altura, foi ainda deixado o repto para a denúncia de “situações anómalas e não compagináveis com os princípios e os valores” da igreja católica e “da boa convivência entre pessoas”, independentemente “da sua raça, género, religião”.

As freguesias de Longueira-Almograve e São Teotónio, no concelho de Odemira, estão em cerca sanitária desde dia 30 de abril por causa da elevada incidência de covid-19.

Esta quinta-feira, em Conselho de Ministros, o Governo decidiu que a cerca sanitária aplicada nas freguesias de São Teotónio e Longueira-Almograve vai manter-se, mas com “condições específicas de acesso ao trabalho”.

As entradas e saídas para trabalhar ou apoiar idosos nestas duas freguesias de Odemira são permitidas, desde as 08:00 de sábado, mas ficam dependentes de teste negativo à covid-19.

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