25 de Abril “é uma lição que muitas pessoas podem aprender nos Estados Unidos”

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A lusodescendente Natasha Silva, diretora legislativa do congressista democrata William Keating em Washington, D.C., defendeu que a forma como a revolução do 25 de Abril foi feita “é uma lição que muitas pessoas podem aprender nos Estados Unidos”.

“Há muitas lições a aprender, em especial com a natureza pacífica do que aconteceu”, afirmou Natasha Silva, que falava no evento virtual “A Cor da Liberdade”, em que participaram capitães de Abril e vários jovens portugueses e lusodescendentes.

“Aprender sobre a revolução da perspetiva das pessoas que a viveram inspirou-me a entrar na vida pública e a tornar o meu país melhor”, disse a lusodescendente, no evento organizado pelo Instituto Português Além-Fronteiras, da Universidade Estadual da Califórnia em Fresno.

A originalidade da revolução portuguesa foi sublinhada por todos os intervenientes e explicada em pormenor pelo almirante Manuel Martins Guerreiro, que teve um papel fundamental na revolução e foi um dos capitães de Abril que conceberam as linhas principais do programa das Forças Armadas.

“Tínhamos a certeza de que aquilo correspondia às aspirações do povo português”, disse o almirante, explicando que o programa foi escrito em sintonia com o que tinham sido as teses do Congresso da Oposição Democrática realizado em 1973 e a que militares assistiram de forma clandestina.

O almirante Martins Guerreiro sublinhou que “uma estrutura muito hierarquizada, que é a estrutura militar, acabou por originar um processo democrático muito mais forte que qualquer estrutura civil partidária”.

“A única revolução original é a nossa”, considerou, lembrando que o programa foi imediatamente aceite pelo povo. “Não há manobras políticas. Tudo é feito em sintonia. É um processo único e irrepetível”.

O comandante Carlos de Almada Contreiras, que indicou a canção “Grândola Vila Morena” como senha e foi conselheiro da revolução, descreveu em detalhe os nove meses de preparação do 25 de Abril e como os vários ramos militares coordenaram os esforços.

“Uma das nossas preocupações, que traduz bem a natureza do movimento, era que o governo fosse civil”, relatou o comandante, referindo que este foi um compromisso com o povo português plasmado no programa que ficou pronto nas vésperas da revolução.

Na discussão, o comandante Jorge Martins Bettencourt, que participou no movimento político na Marinha que culminou com a revolução, frisou que esta “não foi um golpe de estado clássico” e que o 25 de Abril “reforçou muito” a universalidade de Portugal. “É um fator identitário de sermos portugueses”, considerou.

A estudante de Ciência Política Sabrina Brum ecoou esse sentimento: “Ver como Portugal mudou tão radicalmente depois do 25 de Abril é um orgulho”, disse.

“Se não fosse pela revolução, a nossa visão como lusodescendentes seria muito diferente. Não teríamos tanto orgulho em dizer que somos portugueses”, continuou. “O 25 de Abril nunca será esquecido em Portugal e deste lado do Atlântico devemos continuar essa conversa e essa educação para que possamos manter vivo esse sentimento da revolução”.

A estudante Clara Fonseca Borges, que nasceu quase trinta anos depois da revolução dos cravos, falou dos perigos que os regimes democráticos enfrentam agora.

“A democracia se não for regada, cuidada, educada, nunca vai aguentar-se durante muito tempo sem tremelicar”, afirmou, citando a ascensão dos movimentos populistas.

“O populismo ainda é mais perigoso que os extremismos porque arrasta consigo todos aqueles que não querem tentar perceber o que lhes é posto à frente”.

Também o universitário Andrew Figueiredo, filho de emigrantes portugueses, referiu que “a democracia agora tem muitos inimigos” e é necessário aprender com o passado.

“A história portuguesa oferece um exemplo de como nos podemos unir por um bem comum, para lá dos nossos desejos individuais”, considerou.

Para ilustrar o seu ponto, Figueiredo citou a música “Portugal no Coração”, que a banda Os Amigos levou ao Festival Eurovisão da Canção de 1977 e contém a frase “Portugal já tem idade para o povo entender liberdade”.

“Esta é uma das frases mais importantes para hoje”, disse o lusodescendente. “Hoje, no nosso mundo, alguma gente já tem idade para se esquecer da liberdade”.

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