Um terço dos trabalhadores em plataformas digitais estava no desemprego

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Mais de um terço dos trabalhadores da União Europeia em plataformas digitais, perdeu o emprego na sequência da pandemia de covid-19 e estava desempregado quando iniciou essa atividade, conclui um estudo divulgado agora.

A pesquisa – que está a ser elaborada pelo Instituto Europeu para a Igualdade de Género (EIGE, na sigla em inglês), agência da Comissão Europeia com sede em Vilnius, capital da Lituânia – revela que o trabalho nas plataformas digitais, como a Uber ou a Glovo, serviu como “uma importante fonte de rendimento durante um período turbulento”.

O EIGE está a analisar dados de cinco mil trabalhadores de plataformas digitais em dez Estados-membros (nos quais não está Portugal), com um foco nas perspetivas de género e no impacto na conciliação entre a vida pessoal, familiar e profissional.

Segundo os resultados preliminares da pesquisa – que só será divulgada em dezembro, no final da presidência eslovena do Conselho da União Europeia, atualmente e até junho a cargo de Portugal –, entre aquele um terço dos trabalhadores nas plataformas digitais que estava desempregado, 40% são homens e 33% são mulheres (na faixa etária entre os 16 e os 56 anos).

Ora, isto contrasta com as estimativas pré-covid, segundo as quais as mulheres estavam “sub-representadas nas plataformas digitais”, perfazendo apenas 2% a 10% dos trabalhadores.

“O número de trabalhadores nas plataformas previsivelmente aumentou”, estimou Lina Salanauskaite, investigadora no EIGE, durante uma sessão virtual para jornalistas promovida esta semana.

“Muitas vezes precário”, este tipo de trabalho, pouco regulamentado e protegido, apresenta também uma “fonte de rendimento acessível durante a recessão económica”, assinalou.

Entre os atrativos estão uma maior autonomia e flexibilidade, menores barreiras à entrada e poderem ser um complemento ao salário, mencionou a investigadora.

Sublinhando que ainda escasseiam dados sobre o impacto das plataformas digitais na igualdade, Lina Salanauskaite destaca que a segregação de género nas plataformas segue os padrões do trabalho mais tradicional, em que os homens são predominantes nos serviços de entrega, enquanto as mulheres são maioritárias nos serviços de limpeza e assistência.

Recordando que o trabalho nas plataformas digitais está ainda sujeito a vínculos laborais mais frágeis, cobertura legal indefinida e menor acesso a proteção social, a investigadora alerta que as mulheres que nelas trabalham são sindicalizadas em menor percentagem do que os homens.

A Comissão Europeia anunciou recentemente que vai apresentar até final do ano uma proposta direcionada a estes profissionais das plataformas digitais, após consulta aos parceiros sociais, no sentido de melhorar as suas condições de trabalho e de impor regras ao nível comunitário para assegurar a sua proteção social.

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