Tudo na vida tem um fim ou pelo menos um interregno…

Data:

Mundo Português

É uma inevitabilidade inerente à condição humana, e a ela não escapam nem pessoas nem instituições.

Ao longo de meia centena de anos o jornal ‘Mundo Português’, inicialmente ‘O Emigrante’, foi um companheiro constante na vida de milhares de portugueses um pouco por todo o mundo que reconheceram nele muito mais do que um simples órgão de informação.

Daí ter-se transformado numa verdadeira instituição na vida dos portugueses ao longo destes 50 anos.

Embora sem participação direta neste projeto, sempre acompanhei de perto esta relação jornal/leitores, como diretora interessada no evoluir do dia-a-dia do jornal.

Como é do conhecimento geral, acabei por ter de assumir igualmente a administração que corajosamente insistia em “remar contra a maré” e contra a lógica comercial destes novos tempos.

Quase de repente as novas gerações refugiavam no digital a sua pouca apetência para a leitura e para o contacto com a letra impressa.

A tentação era grande, enquanto o digital prometia uma enorme difusão, praticamente “sem custos”, a imprensa convencional debatia-se permanentemente com uma estrutura de custos que não parava de crescer.
A publicidade refugiou-se igualmente no digital e os jornais viram-se “à beira do sufoco” por falta de verbas verdadeiramente indispensáveis à sua sobrevivência.

Estava a ser criada a “tempestade perfeita”.

A transferência de leitores e a falta de publicidade levaram inevitavelmente ao desaparecimento de inúmeros títulos, tanto em Portugal, como no estrangeiro.
O ‘Mundo Português’ ia andando, apoiado na lealdade e amizade de muitos dos seus leitores e à abnegação de uma administração que via no jornal uma causa para além do projeto comercial.

Mas não podia ser uma solução para o futuro.
A acrescer a todo este quadro o momento que se começou a viver a nível mundial com esta pandemia, que nos trouxe uma transformação brutal da nossa vida e das nossas realidades, vindo criar tantos problemas e tantas dúvidas, que não permitiram continuar este sonho.

E por isso é com muita tristeza e uma profunda mágoa que venho, pela primeira vez, escrever nestas páginas para dizer que esta é a última edição do ‘Mundo Português’.

Aproveito por isso a oportunidade para agradecer a toda a equipa (e às pessoas que fizeram parte dela) e que ao longo destes 50 anos contribuíram para este projeto, dignificando assim a história de um povo e da sua língua.

Quero agradecer também especialmente a todos os assinantes, que foram sempre a “alma mater” do jornal e que com o seu entusiasmo e fidelidade nos orientaram a rota que nos permitiram estes 50 anos de viagem.

Não posso esquecer também os nossos anunciantes e patrocinadores que nas mais variadas situações nos permitiram os sonhos e a vontade de continuar sempre, mesmo quando o caminho era mais difícil.

Não venho, por isso, anunciar o fim do jornal, porque estes 50 nos de trabalho, de amizades, e de caminho feito em comum, não podem terminar assim abruptamente…

Quem sabe se um dia o ‘Mundo Português’ não poderá voltar, remoçado, com as forças retemperadas num outro contexto, e sobretudo numa outra realidade em que temos de acreditar que virá a ser possível, depois do longo e escuro túnel em que estamos a viver. Tudo será certamente diferente. Temos de acreditar que será seguramente melhor.

Maria Morais
Diretora

Share post:

Popular

Nóticias Relacionads
RELACIONADAS

Compal lança nova gama Vital Bom Dia!

Disponível em três sabores: Frutos Vermelhos Aveia e Canela, Frutos Tropicais Chia e Alfarroba e Frutos Amarelos Chia e Curcuma estão disponíveis nos formatos Tetra Pak 1L, Tetra Pak 0,33L e ainda no formato garrafa de vidro 0,20L.

Super Bock lança edição limitada que celebra as relações de amizade mais autênticas

São dez rótulos numa edição limitada da Super Bock no âmbito da campanha “Para amigos amigos, uma cerveja cerveja”

Exportações de vinhos para Angola crescem 20% desde o início do ano

As exportações de vinho para Angola cresceram 20% entre janeiro e abril deste ano, revelou o presidente da ViniPortugal, mostrando-se otimista quanto à recuperação neste mercado, face à melhoria da economia.

Área de arroz recua 5% e produção de batata, cereais, cereja e pêssego cai 10% a 15%

A área de arroz deverá diminuir 5% este ano face ao anterior, enquanto a área de batata e a produtividade dos cereais de outono-inverno, da cereja e do pêssego deverão recuar 10% a 15%, informou o INE.