TURISMO POR CÁ: À descoberta da muralha de Elvas

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Com uma história que se perde nos séculos, sendo já documentada pelos cartagineses, Elvas foi uma cidade disputada entre árabes e lusitanos até 1229, ano em que foi definitivamente reconquistada por D. Sancho II.

Esta autêntica cidade-fortaleza, construída dentro de muralhas num sistema defensivo complexo, teve grande importância estratégica e militar na afirmação da soberania portuguesa, tendo suas linhas de muralhas e os fortes de Santa Luzia e da Graça um papel defensivo importante no desfecho da Guerra da Restauração, em inícios do século XVII, e entre 1810 e 1812, durante as Invasões Francesas.
Com interesse na área defensiva, podem-se ainda ver pequenas fortificações construídas no início do século XIX, entre 1810 e 1812, durante as Invasões Francesas. São eles: o Fortim de São Pedro, o Fortim de São Mamede, o Fortim da Piedade e o Fortim de São Francisco.
Elvas goza da sua proximidade com Espanha para potenciar o comércio e o turismo, sendo uma cidade muito animada e orgulhosa da sua história.
Atualmente, Elvas é uma cidade que aposta no turismo no espaço rural, na pesca desportiva de água doce e no turismo cinegético, de forma a tirar grande proveito dos recursos naturais da região.
A nível económico, os cereais, a azeitona e os frutos secos (sobretudo as ameixas) continuam a ser os produtos de referência.

Castelo de Elvas

O Castelo de Elvas data do reinado de D. Sancho II e assenta sobre uma estrutura muçulmana, da qual ainda se conservam duas cinturas de muralhas.
A cidade foi tomada aos mouros, sucessivamente, em 1166 e 1220, mas só em 1226 o castelo foi definitivamente conquistado, imediatamente reedificado e concluído em 1228.
No reinado de D. Dinis introduziram-se algumas inovações ao nível das coberturas e outros elementos de apoio, como os torreões e os matacães.
Nos séculos seguintes, D. João II e D. Manuel I adaptaram o castelo rumo a um novo sistema abaluartado, de gosto renascentista, ao mesmo tempo que todo o conjunto assumiu um carácter mais residencial, a cargo dos alcaides da cidade.
Com a grande reforma militar de meados do século XVII, o Castelo de Elvas passaria a ser um dos mais notáveis conjuntos abaluartados da Europa, devido à premência da defesa em pleno ciclo de guerras de fronteira (1641-1668).
A obra é atribuída ao engenheiro Padre Cosmander e a outros mestres, que para o efeito foram chamados à corte portuguesa por D. João IV e D. Afonso VI. Destaca-se, desta campanha, o complexo sistema de muralhas, revelins, fossos, bem como duas fortalezas secundárias, as de Santa Luzia e da Graça.
Ao longo do século XVII, XVIII e XIX, Elvas sofre modernizações constantes do seu recinto amuralhado, constituindo-se num enorme campo entrincheirado.
Apesar das grandes transformações sofridas ao longo da história, o Castelo de Elvas mantém a sua estrutura militar medieval e é reconhecidamente um dos mais importantes casos de sobreposição de funções e de evolução das conceções estratégicas e militares ao longo da história onde claramente foram aplicadas os melhores conhecimentos práticos e teóricos.
Elvas possui ainda uma função de centro reator, tanto em tempo de paz como em tempo de guerra, que a converteu numa capital da região e da qual derivou uma função administrativa, plasmada em numerosos edifícios e conjuntos administrativos de valioso interesse arquitetónico, na representatividade de alguns edifícios civis, de notáveis caraterísticas arquitetónicas, e de um conjunto vasto e coerente de edifícios de acompanhamento.
A localidade e o seu povo mantêm uma forte ligação às atividades agrícolas, impondo ao modelo urbano, decorrente dos imperativos militares, ligações à terra e com uma identidade ainda próxima de aglomerados rurais.
As fortificações de Elvas, pela sua expressão territorial, urbana, edificada e militar enquadram-se no âmbito dos bens culturais, nomeadamente dos sítios ou monumentos, entendeu a comissão que propôs a sua distinção como Património Mundial da UNESCO, num processo iniciado em 2004. Agora, quase dez anos depois, Portugal junta mais um monumento àquela ambicionada lista.

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