Comerciantes de Alvalade em Lisboa criticam estacionamento exclusivo para residentes

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Os comerciantes de Alvalade, em Lisboa, mostraram-se hoje descontentes com a exclusividade de estacionamento para residentes em duas ruas, considerando que “vão ser severamente castigados”, referindo que a Junta de Freguesia não agiu de “boa fé”.
Em declarações à agência Lusa, a presidente da Associação de Comerciantes de Alvalade, Elsa Gentil Homem, explicou que as medidas implementadas nas ruas Acácio de Paiva e José d’Esaguy vão tirar pessoas ao comércio, porque ficarão sem poder estacionar.
“Houve imensas alterações no estacionamento nas ruas. Logicamente, os comerciantes estão contra e isto vem tirar um bocadinho ao comércio, porque as pessoas vêm para estacionar”, disse, adiantando que os lojistas foram apanhados de “surpresa”.
De acordo com Elsa Gentil Homem, a Junta de Freguesia fez um contrato com o parque de estacionamento do Mercado de Alvalade, no âmbito do qual é de acesso gratuito a partir das 16:00, mas, recordou, as pessoas não vão às compras a essa hora.
“A proposta era para toda a gente fazer o estacionamento das 10:00 às 19:00 e depois das 19:00 para residentes, porque os residentes saem de manhã e chegam à noite. O que vai acontecer é que vai haver lugares vagos ali durante o dia e as pessoas não vão poder estacionar”, observou.
Para a dirigente, os comerciantes das ruas Acácio Paiva e José d’Esaguy serão castigados nas próximas semanas, adiantando que não houve uma “conversa prévia” com a autarquia e “não se arranjou nenhuma solução” antes de se tomar uma posição.
“Não houve por parte da Junta nenhuma negociação com ninguém. Era assim e acabou. Na reunião, o presidente disse que, eventualmente, se verificássemos que não dava bom resultado podia haver um recuo, mas não vai haver recuo nenhum, porque isto é para ficar assim”, frisou.
Questionado pela Lusa sobre as preocupações dos comerciantes, o presidente da Junta de Freguesia de Alvalade, José António Borges (PS), explicou que a medida, anunciada no final de agosto, surge da criação de “duas bolsas” de estacionamentos exclusivos para residentes na Acácio Paiva e na José d’Esaguy.
“Ela surge porque a pujança do comércio de Alvalade nos últimos anos, muito distinta do comércio de há 10 ou 15 anos, tem vindo a criar uma pressão muita acentuada sobre os residentes, criando imensas dificuldades a quem mora naquela zona do bairro em arranjar lugar de estacionamento”, realçou.
Segundo o autarca, Alvalade tem vindo a desenvolver um conjunto de políticas de estacionamento para libertar algum trânsito para os moradores dentro bairro, face ao aumento da procura de que vem de fora.
“O que nós fizemos foi uma medida de gestão de funcionamento, que foi propor que a Acácio Paiva e a José d’Esaguy passassem a ser exclusivas para residentes. Claro que isto cria alguns constrangimentos aos comerciantes, mas que ninguém pense que o sucesso ou o insucesso do comércio em Alvalade depende de duas ruas serem exclusivas a residentes, porque se o comercio da Acácio Paiva e da José d’Esaguy depende-se das pessoas que estacionam nunca lá teria havido comércio”, sustentou.
José António Borges alertou ainda que a autarquia não pretende que o bairro seja apenas para residentes, mas lembrou que devem ser criados mecanismos para salvaguardar diariamente quem ali habita.
“Alvalade é uma freguesia, sobretudo nessa zona, onde muitos moradores são muito idosos, não é uma gestão de estacionamento limitada para quem sai de manhã com o carro para ir trabalhar volta o final da tarde. Portanto, durante o dia, o estacionamento pode estar livre para os comerciantes ou para quem procura o comércio”, ressalvou.
O presidente da Junta de Freguesia de Alvalade acrescentou que tem tido contactos com o presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Fernando Medina (PS), no sentido de construir um parque de estacionamento, subterrâneo ou térreo, no Largo Frei Heitor Pinto, com cerca de 400 lugares.

 

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