Criadores de maronesa doam carne e alertam para dificuldades nas vendas

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Os criadores de maronesa vão oferecer carne a Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS) numa iniciativa que é também de alerta para a quebra nas vendas que rondam os 85% neste ano de pandemia. A primeira doação teve lugar hoje na sede da Associação de Paralisia Cerebral (APC) de Vila Real, mas esta campanha de solidariedade irá repetir-se por lares das IPSS dos quatro concelhos com maior produção de maronesa: Vila Real, Vila Pouca de Aguiar, Mondim de Basto e Ribeira de Pena.

“Queremos passar uma mensagem de solidariedade para com as IPSS numa época que é uma quadra festiva, natalícia, mas também passar uma mensagem de apelo”, afirmou Filipe Ribeiro, da Associação “Terra Maronesa”.

É que, neste ano marcado pela pandemia, os produtores de carne maronesa estão a sentir “grandes dificuldades” no escoamento.

“As vendas decresceram imenso, chegaram a um mínimo quase histórico, mas as produções são as mesmas, os produtores são os mesmos, o número de animais é o mesmo e os nascimentos também são os mesmos. Portanto, há a necessidade de colocar a carne no mercado. É necessário ajudar estes produtores porque eles ajudam as suas comunidades e o ambiente”, frisou.

A carne é comercializada em exclusivo pela Cooperativa Agrícola de Vila Real e, segundo Marília Olhero, responsável pela parte comercial, a quebra nas vendas ronda entre os “85% a 90%”.

“Estamos a conseguir vender apenas cerca de 15% daquilo que vendíamos no ano passado (…). Não conseguimos dar a volta à situação porque os estabelecimentos estão fechados, os restaurantes principalmente, que eram os nossos principais clientes, não os deixam trabalhar e eles não estão a comprar a nossa carne”, salientou.

Marília Olhero afirmou que “os produtores precisam de muita ajuda” e referiu que, até ao momento, a cooperativa não alterou o preço pago aos criadores, mas baixou o valor de venda aos consumidores em cerca de “50 cêntimos”.

“Estamos a falar com grandes superfícies para ver se nos conseguem fazer um escoamento, como já aconteceu no início desta pandemia. Mas isso significa baixar muito os preços”, salientou.

A cooperativa tem cerca de 400 produtores a entregar regularmente animais.

António Moutinho, criador de 62 anos em Souto, Vila Pouca de Aguiar, tem mais de cem animais reprodutores e salientou que esta é a sua “única fonte de rendimento”.

“Vivo disto, mas a covid veio alterar tudo. Nós produzíamos essencialmente para a restauração e como os restaurantes estão praticamente parados está difícil”, salientou.

O produtor destacou um “problema” que os afeta e que é o facto de não poderem ficar “com os animais na exploração”. “Isto é, nós criamos os animais e eles têm de sair até aos nove meses. É uma situação muito difícil de resolver”, frisou.

Com 26 anos, Avelino Rego tem 30 vacas em Alvadia, Ribeira de Pena, e fala num “ano complicado”.

“Numa situação em que estamos a passar por dificuldades, lembramo-nos também de outros que estão a passar por situações semelhantes, eventualmente até piores, e então esta iniciativa é um reconhecer do trabalho das IPSS e, ao mesmo tempo, divulgar o nosso produto e alertar para a importância de consumir local e o que é produzido aqui à nossa porta”, sublinhou.

Heitor Fernandes, de 54 anos e produtor em Lamas de Olo, Vila Real, tem 78 cabeças de gado, e destacou também o ano “muito, muito complicado”, apontando as “grandes dificuldades” no escoamento dos animais que são a sua fonte de subsistência.

“Não vendemos, mas o trabalho é sempre o mesmo todo o ano”, frisou.

Carlos Varela, da APC de Vila Real, disse que o gesto de solidariedade dos criadores de maronesa é “bem-vindo” e referiu que a associação serve cerca de 100 refeições por dia.

“Esta quadra apela um pouco ao sentido solidário e somos recetivos a qualquer gesto deste tipo”, afirmou.

Portugal contabiliza pelo menos 5.278 mortos associados à covid-19 em 335.207 casos confirmados de infeção, segundo o último boletim da Direção-Geral da Saúde (DGS).

O país está em estado de emergência desde 09 de novembro e até 23 de dezembro, período durante o qual há recolher obrigatório nos concelhos de risco de contágio mais elevado.

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