“Uma das apostas que temos feito nos últimos anos é precisamente no digital” – Luís Faro Ramos

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“Num mundo em crise”, provocada pela pandemia de Covid-19, a língua portuguesa “consolidou-se e cresceu apesar das condições adversas”, sublinhou o presidente do Camões – Instituto da Cooperação e da Língua, sobre os números do novo ano letivo na Rede de Ensino Português no Estrangeiro (EPE).
A entrada em funcionamento da primeira escola oficial bilingue (inglês-português) no Reino Unido, a previsão da integração do português no ensino secundário oficial da Irlanda e da Escócia e o aumento, no ensino universitário, de cátedras, Centros de Língua Portuguesa e programas de bolsas, foram novidades destacadas por Luís Faro Ramos.

No seu entender, quais são as grandes alterações a nível do Ensino Português no Estrangeiro para o novo ano letivo?
Em primeiro lugar, é a entrada em funcionamento de uma escola bilingue, a Escola Anglo-Portuguesa de Londres. Essa é a grande novidade. É um projeto que perseguíamos e acarinhávamos há vários anos. Começou com 60 alunos na pré-primária, e vai gradualmente receber mais alunos até atingir 420 estudante, nos seis primeiros anos de escolaridade. Outra novidade é o crescimento da rede. Aumentamos em três horários, portanto, mais três professores, o que significa um sinal de confiança no crescimento dessa mesma rede: mais professores correspondem a mais alunos e a mais turmas. Por outro lado, está também a crescer o número de países que integram o Português como disciplina curricular no ensino secundário, o que é também um bom sinal de internacionalização da língua portuguesa: temos 33 (países) e vamos ter em breve 35.
Ao mesmo tempo cresce também o número de cátedras, portanto, a investigação em Estudos Portugueses junto de universidades está a despertar interesse em várias latitudes do mundo, não somente na Europa como também na América Latina, por exemplo. Com alguma segurança, podemos dizer que das 51 cátedras que temos atualmente, podemos passar para 57. As seis cátedras estão em negociação avançada. Poderá haver outras, mas seis quase seguramente. Por exemplo, a cátedra em Lima ia ser inaugurada durante a Feira do Livro do Peru, que entretanto se realizou em formato virtual e a apresentação não pode avançar. Mas temos a negociação praticamente concluída e o mesmo se diga da cátedra Lídia Jorge, em Genebra.
Teremos ainda mais Centros de Língua Portuguesa. Um deles será na Universidade de Nairóbi, no Quénia, país que é um centro regional das Nações Unidas. E queremos aproveitar esta sinergia do Português presente em organizações internacionais.

A pandemia levou o Instituto a ‘acelerar’ os projetos de ensino digital?
Sim. Desde logo, em março e abril, tivemos que arrancar com um curso de formação dos docentes da rede EPE, que se chamou ‘Do presencial ao online’, e permitiu uma adaptação rápida ao ensino à distância perante a situação que viviam nos países onde lecionavam. Fizemos de seguida uma série de formações, em consórcio com universidades, para os professores se adaptarem ao ensino à distância. A parceria com a Universidade Aberta para formação aos nossos professores teve mais de 300 inscrições.
Depois, transformamos cursos que eram presenciais em cursos online, como foi o caso, em julho, do nosso curso de verão de Língua e Cultura Portuguesas – pela primeira vez, desde que esse curso existe, conseguimos juntar cinco universidades ao Instituto Camões, num consórcio em que cada uma dessas instituições ministrava um módulo do curso. Foi um sucesso e são ações que, entretanto, ficam.

O ensino digital será uma aposta crescente do Camões, I.P.?
Sim, penso que não poderá ser de outra maneira. Como disse, tivemos que acelerar, porque tudo o que estava pensado para ser feito num prazo digamos ‘normal’, de um ou dois anos, teve que ser feito em quatro, cinco meses. Não significa que as ideias não existissem, simplesmente tivemos que as acelerar. Porque uma das apostas que temos feito nos últimos anos é precisamente no digital. E com esta situação a nível mundial, não só não podemos desperdiçar o que já temos, como devemos pensar em reforçar essa dimensão.

Referiu que os 170 mil estudantes projetados para este ano letivo não serão um número final…
Quanto ao número de estudantes, sabemos que aqueles que dependem de nós, Instituto Camões, estão a crescer. Mas há muitos milhares que não dependem de nós e com números a crescer, de que é exemplo a China. Neste momento, sabemos que há milhares de alunos a aprender Português naquele país e, no entanto, não estão na nossa rede. Portanto, seguramente mais de 200 mil alunos aprenderão a língua portuguesa no novo ano letivo.
O que prova o que disse na minha intervenção: as línguas não se confinam, e ainda bem, no caso da língua portuguesa. Mas o que acho importante salientar, é que estamos preparados. Não o estávamos há seis meses atrás, mas agora estamos mais preparados.

Ana Grácio Pinto

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