Debate Trump-Biden: Americanos aguardavam com muita expetativa mas acabou empatado em insultos e acusações

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Norte-americanos consideram que debate não atingiu objetivo de atrair eleitores indecisos.
Foi um debate muito conflituoso, onde se aboradarm os temas mais quentes da campanha, incluindo a nomeação para o Supremo Tribunal, o estado da economia, a pandemia de Ccovid-19, o sistema de saúde e o histórico de ambos, com trocas de insultos e acusações mútuas.

“VAIS-TE CALAR, HOMEM?”
O candidato democrata Joe Biden mandou inclusivamente calar o Presidente dos Estados Unidos depois de ter sido interrompido várias vezes por Donald Trump num debate muito conflituoso.
O candidato democrata falava depois de ser questionado pelo moderador, Chris Wallace, sobre a possibilidade de adicionar mais um lugar ao Supremo Tribunal, pergunta a que também não responderia diretamente.
No entanto, Biden afirmou que a vaga deixada pela morte da juíza progressista Ruth Bader Ginsburg não deve ser preenchida antes das eleições e que os eleitores devem ter a oportunidade de decidir quem vai nomear o próximo juiz da instituição.
Donald Trump, que nomeou a juíza conservadora Amy Coney Barrett para o lugar, disse que «tem todo o direito» de preencher a vaga e que os democratas só não conseguiram confirmar Merrick Garland em 2016 «porque não tiveram a eleição».
Recorde-se que há quatro anos, o Senado controlado pelos republicanos impediu o então Presidente norte-americano, Barack Obama, de nomear Merrick Garland para o lugar de Antonin Scalia durante mais de nove meses, argumentando que deveria ser o próximo Presidente a fazê-lo.
O mesmo Senado, liderado por Mitch McConnell, inverteu agora a sua posição e pretende confirmar a nomeada de Trump independentemente dos resultados das eleições.
O Supremo Tribunal foi uma das várias questões abordadas durante hora e meia de debate.

TROCA DE INSULTOS E ACUSAÇÕES
A determinado momento, Biden disse ser “ difícil responder a seja o que for com este palhaço” e afirmou que ele é “o pior Presidente que a América já teve”. Noutra ocasião, afirmou que Trump é “racista”, “mentiroso”, “fantoche de Putin” e “sem conhecimento” do que diz.
Donald Trump, por seu lado, colocou em causa a inteligência de Joe Biden, dizendo-lhe para não há “nada de esperto” no oponente democrata.
Trump acusou ainda Biden de chamar aos militares do exército “bastardos estúpidos”, algo que o democrata negou.
O moderador e apresentador da Fox News, Chris Wallace, pediu repetidamente a Donald Trump que deixasse Joe Biden responder às questões, tendo acontecido com frequência o Presidente norte-amricano falar por cima do oponente de forma agressiva.
Trump lançou ainda várias acusações de corrupção e vício de drogas ao filho de Joe Biden, Hunter Biden, que o democrata defendeu vigorosamente, dizendo que “não fez nada de errado” e que “tem orgulho” nele.

RECUPERAÇÃO ECONÓMICA DEPENDE DE CONTROLO DA PANDEMIA, DIZ JOE BIDEN
O candidato Joe Biden, defendeu que a recessão económica nos Estados Unidos não será debelada enquanto a pandemia de covid-19 continuar fora de controlo. “Não se pode recuperar a economia enquanto não se resolver a crise de covid”, disse o candidato democrata.
Biden acusou Trump de saber desde fevereiro que a covid-19 era muito perigosa e de ter escondido essa informação do público norte-americano, porque “entrou em pânico” e não queria prejudicar os mercados financeiros.
“Ele continua a não ter um plano”, acusou, contrapondo que a sua estratégia é detalhada e inclui financiar os equipamentos de proteção necessários para reabrir estabelecimentos comerciais e escolas em segurança.

“A CULPA FOI DA CHINA”, INSISTE TRUMP
Donald Trump defendeu-se afimando que a sua reação à pandemia, salvou milhares de vidas ao interditar a entrada a nacionais do país onde o surto começou.
“Os governadores dizem que eu fiz um trabalho fenomenal”, afirmou o Presidente norte-americano, garantindo que se está “a semanas de uma vacina”.
Todavia, o moderador Chris Wallace confrontou o Presidente com as perspetivas de dois dos responsáveis clínicos da sua administração, que apontam para um calendário mais distante de distribuição em massa da vacina, em meados de 2021.
“Discordo de ambos”, disse Trump, referindo-se a Moncef Slaoui, diretor do programa governamental para a vacina “Operation Warp Speed”, e Robert Redfield, diretor do Centro para o Controlo e Prevenção de Doenças.
Recorde-se que os Estados Unidos são o país mais afetado pela pandemia, com mais de 7,1 milhões de infetados e cerca de 205 mil mortos, de acordo com os números da Universidade Johns Hopkins.
O Presidente republicano também defendeu a realização de comícios com milhares de participantes, violando regras para controlar a pandemia, dizendo que o oponente não o faz porque não consegue atrair apoiantes.
Sobre o impacto económico da crise sanitária, Trump acusou o democrata de querer voltar a fechar o país.
“Construímos a melhor economia da história e tivemos de a fechar por causa da praga da China”, disse o Presidente. “Agora estamos a reabrir e a bater recordes de negócios. Nunca ninguém viu algo assim. Ele vai fechar o país inteiro”.
Biden, por seu lado, disse que Trump “não está preocupado” com a saúde dos cidadãos, acusando-o de querer retirar-lhes a cobertura fornecida pelo “Affordable Care Act” (conhecido como Obamacare), e de ter sido “totalmente irresponsável” ao incentivar as pessoas a não usarem máscaras. “Não confio nada nele, confio nos cientistas”, declarou Biden.
TRUMP DIZ QUE PAGOU “MILHÕES DE DÓLARES” EM IMPOSTOS
Relativamente à questão da fuga aos impostos, o Presidente dos Estados Unidos disse que pagou “milhões de dólares” em impostos federais, sem especificar montantes nem se comprometer a divulgar a sua declaração de impostos.
“Paguei milhões em impostos sobre o rendimento”, afirmou, respondendo a uma questão do moderador do debate, Chris Wallace, depois de uma investigação do New York Times, que terá tido acesso às declarações de impostos de Donald Trump, ter concluído que o Presidente norte-americano pagou apenas 750 dólares por ano desde o início da sua presidência.
“Vocês vão ver”, disse Trump, sobre as declarações de impostos que até agora não divulgou porque, segundo diz, estão sob auditoria. O Presidente dos EUA não se comprometeu, todavia, à revelação das suas declarações de impostos.
Ainda assim, Trump afirmou que, tal como qualquer cidadão, “não quer pagar impostos” e procura todas as formas de dedução para reduzir o que paga.
Joe Biden, o oponente democrata, acusou Trump de pagar muito pouco, “apenas 750 dólares” de impostos federais sobre o rendimento e de ter criado uma economia que funciona para milionários.
“O código fiscal colocou-o na posição de pagar menos impostos que um professor”, criticou Biden, declarando que, se for eleito Presidente, vai voltar a subir a taxa de imposto às empresas para 28%. A subida, disse, resolverá o problema atual de haver grandes empresas que pagam pouco ou nada em impostos.

TRUMP RECUSA CONDENAR SUPREMACISTAS BRANCOS
O Presidente dos Estados Unidos recusou-se a condenar os supremacistas brancos e membros de milícias espalhados pelo país.
“Quase tudo o que vejo vem da ala esquerda e não da ala direita”, afirmou, depois de questionado pelo apresentador da Fox News Chris Wallace, que moderou a noite.
Trump pediu então ao grupo de extrema-direita Proud Boys que “se afaste” e fique “à espera”, em ‘stand by’.
“Alguém tem de fazer alguma coisa por causa dos antifa [antifascistas] e da esquerda”, disse o Presidente norte-americano.
Segundo o jornalista da NBC Ezra Kaplan, as afirmações de Trump foram bem recebidas pelos Proud Boys, que disseminaram as palavras pelas redes sociais como um reconhecimento e uma chamada à ação.
Joe Biden retorquiu que o próprio diretor do FBI da administração Trump, Chris Wray, disse que “antifa” é uma ideologia, não um grupo organizado. Trump disse que o diretor do FBI está errado.
Biden, o candidato democrata, afirmou que foram os comentários de Donald Trump sobre os acontecimentos de 2017 em Charlotsville, ao dizer que havia boa gente dos dois lados quando supremacistas brancos marcharam sobre a cidade, que o levou a candidatar-se a presidente. “Isto é sobre decência”, disse.

O democrata, mencionou ainda a morte do afro-americano George Floyd, considerou que “há injustiça sistémica neste país” e que, embora a maioria dos polícias sejam bons, há “maçãs podres” que têm de ser responsabilizadas pelos seus atos.
Donald Trump posicionou-se como o Presidente da “lei e ordem” e acusou Biden de querer abolir as forças de segurança. No entanto, Biden contrariou a ideia de cortar o financiamento à polícia, algo que tem sido defendido por uma das alas mais progressistas da esquerda no país.

Trump disse que há várias cidades democratas, como Portland e Nova Iorque, a serem arruinadas por uma grande subida da violência. O moderador Chris Wallace afirmou, no entanto, que a escalada do crime violento também está a verificar-se em cidades controladas por republicanos, como Tulsa.
O governante foi também chamado por Wallace a explicar porque acabou com o treino de sensibilidade racial e respondeu que tal “era uma revolução radical” a ser operada no exército e nas escolas e que “estavam a ensinar às pessoas a odiar” os Estados Unidos.

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