Várias iniciativas marcaram o dia do centenário de nascimento de Amália

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No dia do centenário do nascimento de Amália Rodrigues, muitas foram as iniciativas e as homenagens à ‘Voz de Portugal’.

As cerimónias oficiais arrancaram durante a manhã com uma missa por alma da saudosa fadista celebrada na Igreja de São Vicente de Fora. A Igreja do Padroeiro da cidade de Lisboa, que foi antigo lugar de culto da Família Real Portuguesa e Panteão da Dinastia de Bragança, foi o local apropriado para a homenagem à Rainha do Fado, sepultada no Panteão Nacional.

Pelas 9:30, foi Joaquim Vicente Rodrigues, Presidente da Fundação Amália Rodrigues que deu as palavras de boas vindas aos familiares e amigos da fadista, elementos da Fundação e representantes das demais entidades e parceiros protocolares. O Presidente da Fundação referiu que a celebração era humilde tal como a Fadista era e gostava que fossem as coisas.

Foi com o Fado ‘Foi Deus’ a servir de cântico de entrada que os músicos Pedro Marques (guitarra portuguesa), Lelo Nogueira (viola baixo) e Tony Queiroz (viola) deram início à cerimónia religiosa presidida pelo Padre Joaquim Daniel Vieira Loureiro que relembrou aos fiéis os espírito de caridade de Amália Rodrigues. Duas versões da ‘Ave-maria’ que haviam sido cantadas pela Amália, interpretadas pelos músicos, serviram de cânticos de Ofertório e de Comunhão, seguindo depois o Fado ‘Amália’ que serviu de Acão de Graças.

No Panteão Nacional, pelas 11 horas, teve lugar a cerimónia de lançamento da emissão dos selos comemorativa do centenário do nascimento de Amália Rodrigues, emitidos pelos CTT – Correios de Portugal. A esta cerimónia presidiu o Secretário de Estado do Cinema, Audiovisual e Media, Nuno Artur Silva e contou também com intervenções dos Diretores dos CTT e do Departamento de Filatelia. Para o Secretário de Estado, o facto de Amália continuar a inspirar uma nova geração de fadistas é a prova de que a mesma jamais será esquecida. Já o Presidente da Fundação Amália Rodrigues viu nesta emissão de selos algo que ficará para a história.

A emissão filatélica é composta por dois selos, um com o valor facial de 0,53 euros e outro com o valor facial de 0,86 euros, com uma tiragem de 100.000 exemplares cada; e um bloco filatélico com um selo, no valor de 2,00 euros e uma tiragem de 35.000 exemplares. O ‘design’ esteve a cargo de AF Atelier.

Um dos selos mostra um balandrau de cores fortes da coleção da Fundação Amália Rodrigues e, como fundo, tem Amália no Brejão na década de 1980; o outro selo mostra um xaile negro e “colorido com design inovador”, tendo como fundo Amália num concerto na década de 1980.

O selo do bloco filatélico tem, “do lado esquerdo, Amália num concerto em Cartago, na Tunísia, em 1972; no centro, Amália no programa de rádio ‘Comboio das Seis e Meia’, em 1952; e, à direita, Amália no jardim da sua casa na Rua de São Bento”, em Lisboa, na década de 1990; o fundo do bloco é o vestido que foi usado pela artista numa digressão ao Japão, na década de 1980.

Entre os numerosos convidados recebidos por Isabel Melo, diretora do Panteão estiveram D. Duarte de Bragança, José Manuel Rodrigues, sobrinho da Fadista e sua mulher, amigos e fãs da Rainha do Fado que seguidamente prestaram honras a Amália junto do seu túmulo.

As homenagens no Panteão contaram ainda com a presença do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa que depois de cumprimentar todos os presentes à chegada deslocou-se ao túmulo de Amália onde colocou uma rosa branca sobre o sarcófago. Antes de partir cumprimentou José Manuel Rodrigues e falou-lhe dos encontros que teve com Amália Rodrigues e depois felicitou o Presidente da Fundação Amália Rodrigues pelo trabalho que a nova administração tem levado a cabo e pelo fato da Fundação ter celebrado um Protocolo com o Instituto Amália Rodrigues, Rainha do Fado da Fundação Oureana no Castelo de Ourém, também criado pela fadista e que este ano celebra 25 anos.

As cerimónias da manhã terminaram na Casa Museu, sede da Fundação Amália Rodrigues, com a apresentação de um vídeo produzido pelo Instituto e as Fundações D. Manuel II e Oureana de um fado da autoria de Carlos Evaristo. O Hino que é um fado composto e escrito no ano de 1995, pelo 75º Aniversário de Amália, foi apresentado à fadista que naquela altura pediu para o mesmo ficar guardado para uma homenagem póstuma “numa altura em que ela já cá não estivesse”.

Carlos Evaristo, amigo da fadista, estava em 1991, a tratar da produção do último álbum de Amália, composto quase inteiramente por temas religiosos e um poema musicado de Fernando Pessoa, quando, de repente, e devido a uma doença, a diva ficou sem poder voltar a cantar. Desses ensaios resta uma gravação inédita da oração a Nossa Senhora do Carmo que a fadista recitava sempre antes de entrar em palco e que havia sido ensinada pela avó.

O Hino do Centenário do Nascimento de Amália Rodrigues, Rainha do Fado agora apresentado em ecrã interativo na sede da Fundação Amália é interpretado pelo próprio Carlos Evaristo acompanhado do guitarrista Jorge Gonçalves, mas tal como referiu o amigo de Amália na apresentação, a versão oficial em DVD será gravada por um elenco de artistas de renome internacional, a anunciar, acompanhados por músicos que tocavam com a fadista. Infelizmente devido à Pandemia a produção não se conseguiu realizar a tempo, mas ficará pronta para o fecho das celebrações centenárias a 6 de Outubro de 2021, aniversário do falecimento de Amália Rodrigues.

O Hino na explicação do autor é composto a partir de vários tons dos Fados mais conhecidos de Amália a fim de entrar facilmente no ouvido. O último verso foi, segundo o autor, escrito no dia do falecimento da Rainha do Fado em 1999.

Já durante a tarde, foi a vez da Assembleia da República marcar a efeméride com a aprovação de uma saudação pelo centenário do nascimento da fadista Amália Rodrigues, apresentado pelo presidente da Assembleia da República. Ouviu-se, na sala de sessões, o fado ‘Com Que Voz’, momento que culminou com aplausos de pé dos deputados presentes.

À noite, a antiga residência de férias da fadista, no Brejão, concelho de Odemira, acolheu um memorável concerto “Bem-Vinda Sejas Amália”, com direção musical de Jorge Fernando, ex-músico da diva, e a componente artística coordenada pelo fadista e apresentador José Gonçalez. O elenco foi constituído por Jorge Fernando, Ricardo Ribeiro, Katia Guerreiro, José Gonçalez, Marco Rodrigues, Fábia Rebordão, Filipa Cardoso e Sara Correia.

“Bem-vinda sejas Amália” é também o título de uma exposição itinerante que está a percorrer o país e que estará patente em Lisboa, no terminal de cruzeiros de St.ª Apolónia, durante o festival Santa Casa Alfama, nos dias 02 e 03 de outubro.

Amália Rodrigues foi oficialmente registada em 23 de julho de 1920. As celebrações do centenário do nascimento da fadista, falecida em 1999, prosseguem até ao final do ano e em 2021 promovidas por diversas entidades. (Texto e fotografias: Carlos Casimiro)

Hino Do Centenário Do Nascimento de Amália Rodrigues, Rainha Do Fado

Música e Letra: Carlos Evaristo

Nasceu triste e pobre, mas com uma riqueza na voz…

Nem com isso ficou, pois partilhou, com todos nós.

Foi Primeira-dama, Embaixatriz e Princesa.

Mas para o Fado foi Rainha Portuguesa!

REFRÃO:

Amália nasceu, nasceu para o Fado.

Com ele viveu, foi mãe, esposa e mana.

E Deus a escolheu, para ser Alma Lusitana. 

E Deus a escolheu, para ser Alma Lusitana!

Continuou as viagens de Vasco da Gama.

E no Mundo foi uma Odisseia Lusitana.

Deu vida e voz aos quadros de Malhoa.*

E encarnou, nos versos, de Camões a Pessoa.

REFRÃO:

Amália, viveu, viveu para o Fado.

Severa eterna de um amor arrojado.

E hoje aqui, recordamos com Saudade.

Ai Amália, sua vida foi um Fado!

REFRÃO:

Amália… Amália morreu, mas vive o Fado.

A Virgem lhe deu, esse lugar sagrado.

E hoje aqui…  Rezo por si… e recordo com Saudade…  Ai, Ai, Ai!

Ai… Amália, hoje, seu nome, que dizer Fado!

        * “Deu vida e voz às telas de Malhoa” na versão original de 1995

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