Populações humanas da Península Ibérica já controlavam o fogo há 400 mil anos – estudo

Data:

Um estudo liderado pelo paleoantropólogo João Zilhão concluiu, a partir de escavações arqueológicas em Torres Novas, que as populações humanas da Península Ibérica já dominavam há 400 mil anos as tecnologias que permitiam controlar o uso do fogo.

O estudo, publicado na revista científica Scientific Reports, foi conduzido por uma equipa de investigadores do Centro de Arqueologia da Universidade de Lisboa e resulta de escavações feitas na Gruta da Aroeira, em Torres Novas, entre 2013 e 2017.

O paleoantropólogo João Zilhão disse que o trabalho “comprova, num caso em que a datação é absolutamente segura e, para os parâmetros do período, muito precisa, que há 400.000 anos as populações humanas da Península Ibérica dominavam as tecnologias ligadas ao uso controlado do fogo”.

“E, se era assim na Península Ibérica, sê-lo-ia também seguramente nas outras regiões habitadas da Europa, Ásia e África”, frisou.

Durante as escavações na Gruta da Aroeira, onde em 2017 foi encontrado o fóssil humano (um crânio) mais antigo de Portugal, com 400 mil anos, a equipa coordenada por João Zilhão recolheu vestígios da ação do fogo, como restos de ossos queimados e carvões.

“Podemos agora afirmar com segurança, com base na Gruta da Aroeira, que, há 400.000 anos, a humanidade já dominava o fogo”, sustentou o paleoantropólogo português, ressalvando que tal “não quer dizer, evidentemente, que o não fizesse desde há mais tempo”.

“Quer só dizer que estas são, de momento, as provas mais antigas que temos”, sublinhou o investigador e docente, também responsável pela descoberta do ‘crânio da Aroeira’.

João Zilhão lembrou que “há uma corrente de opinião que defende que o uso controlado do fogo é tão antigo como a humanidade (1,5 a 2,0 milhões de anos) e outra que defende que só foi conseguido há menos de 50.000 anos (antes disso, os grupos humanos saberiam utilizá-lo, mas não produzi-lo)”.

O investigador assinalou que mesmo as jazidas de Beeches Pit, no Reino Unido, e de Qesem, em Israel, apontadas como “os mais antigos exemplos de conservação de lareiras”, possuindo vestígios como carvão, ferramentas de pedra e restos da caça consumida, têm datações imprecisas, variando, no caso da primeira jazida, entre 375.000 e 425.000 anos, e, na segunda, entre 200.000 e 300.000 anos.

Justificando a importância da produção e utilização controlada do fogo, já durante o Paleolítico Inferior (período entre 3 milhões e 250.000 anos), João Zilhão realçou, citado num comunicado de imprensa da Universidade de Lisboa, que o lume permitiu “cozinhar alimentos, melhorando a qualidade da nutrição e alargando o leque de plantas comestíveis”.

Além disso, era “uma fonte artificial de calor e aquecimento dos espaços residenciais [cavernas], sem a qual, na Europa temperada, a sobrevivência humana durante o inverno não teria sido possível”, adiantou o paleoantropólogo.

Da equipa de João Zilhão fizeram parte os investigadores espanhóis Montserrat Sanz e Joan Daura.

Share post:

Popular

Nóticias Relacionads
RELACIONADAS

Compal lança nova gama Vital Bom Dia!

Disponível em três sabores: Frutos Vermelhos Aveia e Canela, Frutos Tropicais Chia e Alfarroba e Frutos Amarelos Chia e Curcuma estão disponíveis nos formatos Tetra Pak 1L, Tetra Pak 0,33L e ainda no formato garrafa de vidro 0,20L.

Super Bock lança edição limitada que celebra as relações de amizade mais autênticas

São dez rótulos numa edição limitada da Super Bock no âmbito da campanha “Para amigos amigos, uma cerveja cerveja”

Exportações de vinhos para Angola crescem 20% desde o início do ano

As exportações de vinho para Angola cresceram 20% entre janeiro e abril deste ano, revelou o presidente da ViniPortugal, mostrando-se otimista quanto à recuperação neste mercado, face à melhoria da economia.

Área de arroz recua 5% e produção de batata, cereais, cereja e pêssego cai 10% a 15%

A área de arroz deverá diminuir 5% este ano face ao anterior, enquanto a área de batata e a produtividade dos cereais de outono-inverno, da cereja e do pêssego deverão recuar 10% a 15%, informou o INE.