O cultivo dos tremoços em alguns meios rurais

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Não há sabor de tremoços que os “criados” nos nossos solos, malhados, demolhados, cozidos de preferencia em panelões a lenha, bem à larga e depois “adoçados” em água corrente. Que saudades das festas da aldeias e das poucas que ainda tem destes tremoços naturais, não cozidos em autoclaves a vapor, importados da América Latina e em calda deveras saturada de sal, rijos, sem sabor, ao produto e mais ao sal, “um perigo para a tensão”. O tremoço doce, que se come com gosto e se bebe meia dúzia de imperiais. Ai que saudades.

Numa aldeia do concelho de Tomar,  Chão das Eiras ver uma eira com tremoços prestes a serem malhados e que no total dada a quantidade vão produzir e perto de meia uma tonelada de leguminosa, é uma homenagem ao nome da terra Chão das Eiras, hoje com poucas eiras e pouco cereal e uma prova de amor à terra e a ter uns tremoços que se dão prestes a comer caso a criançada venha no dia de Todos os Santos pedir os bolinhos à porta. Nesta eira secular de lajes de pedra.
Este “marisco dos pobres”, como sabem quando a Pantera Negra Eusébio da Silva Ferreira chegou a Portugal, e nunca tinha provado, quando lhe perguntavam que marisco mais gostava e dado no seu Moçambique estar farto de camarões tigres, respondia “tremoço” Rapidamente em Lisboa quando se pede uma “loirinha” e o balconista se esquece diz-se “ dê-me aí marisco do Eusébio”


Tremoços nutritivos e pouco calóricos
Com ou sem a imperial, os tremoços são o petisco ideal quando chega o calor. Contêm pouca gordura e são ricos em proteínas e fibra. Mas o teor em sal é também elevado, dos que já se compram prontos a comer.
Da família do grão e feijão, o tremoço existe há vários séculos na Europa. Foi muito popular entre os Romanos e pensa-se que terá sido difundido durante a expansão do império. Hoje, é considerado um petisco em países de cultura mediterrânica, como Portugal, Espanha e Itália.
Companheiro fiel da cerveja nos dias quentes, tem menos gordura do que outras iguarias estivais, como os caracóis, azeitonas, batatas fritas e amendoins ou pistácios salgados. Se aprecia tremoços, não há porque evitá-los. Desde que consumidos com moderação, são muito nutritivos e também dos aperitivos mais baratos.
O tremoço seco é rico em alcaloides naturais, substâncias tóxicas que lhe conferem um sabor amargo. Daí que só possa ser consumido depois de cozido e passado por várias águas. A cozedura inativa enzimas e elimina o poder germinativo. A passagem do tremoço por várias águas (lixiviação) retira-lhe o sabor amargo e os alcaloides. Este tratamento é feito industrialmente, mas nada chega à moda antiga. É diferente.
Por cada 100 gramas desta leguminosa cozida e sem casca, obtém 15,4 g de proteínas e 9,4 g de fibra. Pelo contrário, não corre o risco de abusar da gordura, pois contém 1,1 gramas. Além disso, a gordura presente é sobretudo insaturada, menos prejudicial para a saúde. Os tremoços contêm ainda sais minerais, como cálcio, potássio e, em menor escala, ferro. Para quem come a casca, o valor nutricional é semelhante, mas com um pouco mais de fibra.
Atenção ao teor em sal
Só o teor em sal é problemático. Cada 100 gramas contêm 3,9 gramas. Assim, basta uma pequena dose sem casca (30 gramas) para ingerir um quinto da dose máxima diária recomendada de sal (5 gramas). Um truque para contornar o problema: passe os tremoços por água corrente ou demolhe durante alguns segundos. Mas estes que se cozem em casa, o sal é só colocado por cima e cada um mete o que quer!

António Freitas

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