Movimento Chão Nosso “nasce” no Alentejo contra agricultura intensiva

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A luta contra as culturas intensivas e a sensibilização da população para os “impactos negativos” desta agricultura, que “compromete o futuro da vida” no Alentejo, são objetivos do movimento de cidadãos Chão Nosso, apresentado hoje em Beja.
“O movimento é composto por um conjunto de residentes no Alentejo que estão preocupados com as alterações surgidas nas últimas décadas na paisagem devido à agricultura intensiva, que compromete o futuro da vida no nosso território”, disse à agência Lusa Inês Fonseca, porta-voz do Chão Nosso.
O movimento, que tem como lema “Em defesa da cultura, património e biodiversidade do Alentejo”, foi apresentado ao final desta tarde em Beja, divulgando também o seu manifesto, que vai agora circular por todo o Alentejo, para recolha de assinaturas.
Trata-se de um “movimento apartidário” e que já integra “pessoas dos distritos de Portalegre, Évora e Beja”, ambicionando chegar, futuramente, ao litoral alentejano, disse Inês Fonseca, que revelou que é vereadora da CDU na Câmara de Avis, mas que participa nesta iniciativa “a título pessoal, enquanto arquiteta que reside na região há muitos anos”.
As culturas intensivas são “o alvo” do movimento, assumiu: “Elas estão a alterar completamente tudo, desde a maneira como os campos estão a ser trabalhados, a paisagem ou a qualidade ambiental no território”.
“Temos problemas na qualidade da água, na qualidade do ar, temos queixas das pessoas e não temos respostas para lhes dar porque tentamos chegar à fala com a Direção Regional de Agricultura do Alentejo ou com os serviços do Ambiente e não nos dão respostas, nem resultados de análises”, argumentou.
Através do Chão Nosso, este conjunto de habitantes espera “ter mais voz” junto das autoridades regionais e, “ao mesmo tempo, sensibilizar as populações, porque ainda há muita gente que acha bem que os campos agora estejam todos verdes e plantados”.
“Mas isto está a ser feito à custa do quê?”, questionou, frisando que o movimento considera que as populações não dispõem de “toda a informação necessária para lidar com este problema das culturas intensivas”, desconhecendo, por exemplo, “muitos dos seus impactos negativos”.
O manifesto, consultado pela Lusa, indica que “a saúde e o bem-estar dos cidadãos deve ser uma prioridade” e que “a utilização de recursos hídricos deve ser avaliada, evitando desperdícios desnecessários”.
O movimento Chão Nosso diz também que “a agricultura em regime intensivo não promove a fixação populacional” e que “a biodiversidade dos habitats, de espécies arbóreas e faunísticas está em risco”, tal como “a paisagem alentejana”, que “possui características identitárias resultado da vivência das populações”.
“As fábricas de tratamento e valorização dos resíduos resultantes da produção de azeite têm gerado graves consequências ambientais” e os trabalhadores agrícolas são “uma realidade de precariedade e baixos salários” pode ler-se ainda no manifesto.

 

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