Atleta português Ricardo dos Santos vai processar polícia londrina por racismo

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O atleta de 25 anos, especialista dos 400 metros, preparava-se para ir para casa, no bairro residencial de Maida Vale, em Londres, quando, devido ao trânsito e a cinco minutos do local, resolveu mudar o trajeto, com a mulher e o filho bebé no carro, num percurso que acabou em ‘perseguição’ pela polícia.
“Disse (à mulher) que estávamos a ser seguidos, não nos mandaram parar logo”, acrescentou o atleta, explicando que, depois, a sua mulher, a também velocista Bianca Williams (campeã europeia pela Grã-Bretanha em 2018 na categoria 4×100 metros), começou a filmar o que se estava a passar.
Ricardo dos Santos disse que não demorou mais de 20 segundos a parar o carro, quando lhe foi pedido pelas autoridades em Londres, e garantiu que vai processar a polícia londrina.
“Parámos quando nos sentimos seguros para o fazer, estávamos no meio da estrada e vinham carros no sentido contrário. Não demorei mais de 20 segundos a parar”, explicou à Lusa o atleta do Benfica, que no sábado passado foi parado e algemado pela polícia.
No momento em que parou o carro à porta de casa, Ricardo dos Santos e Bianca Williams foram obrigados a sair, num incidente em que o atleta português acusa a polícia de ter tirado os bastões e de o acusar de cheirar a canábis, antes de o algemar.
Uma situação que Ricardo dos Santos diz ser recorrente desde que comprou um carro de melhor gama, e que considera serem atitudes racistas.
Segundo Bianca Williams, especialista dos 200 metros, Ricardo dos Santos já foi parado cerca de 15 vezes desde que adquiriu um carro de marca Mercedes.
“Quando chegaram perto de mim, estavam prontos para bater. Tiraram o bastão, tiraram-me o telemóvel e atiraram-me contra a parede. Gritei que tinha dores e eles disseram que eu cheirava a canábis”, contou o atleta.

Segundo incidente em dois meses

Ricardo dos Santos assegurou aos polícias que estava limpo, que nunca fumou, que era um atleta profissional e que, se quisessem, lhe fizessem um teste, depois de as autoridades indicarem que iriam chamar uma equipa cinotécnica para detetar drogas, o que não aconteceu.
Após estas acusações, o velocista foi ainda acusado de conduzir acima da velocidade permitida, o que Ricardo dos Santos nega, acrescentando que nem sequer foi multado, o que aconteceria se fosse verdade.
“Como sabiam que não tinham nada, mentiram”, acrescentou, em declarações à Lusa. Os dois foram algemados e detidos durante 45 minutos antes de serem libertados.

“É sempre a mesma coisa com o Ricardo. Eles pensam que ele está a conduzir um carro roubado, ou que esteve a fumar canábis. É discriminação racial. A forma como falaram com o Ricardo, como se ele fosse ralé, tivesse feito alguma coisa mal, foi chocante”, disse a mulher do atleta ao jornal ‘Sunday Times’

“Vamos processar a polícia metropolitana de Londres”, assinalou o atleta, que é treinado por Linford Christie, um dos maiores nomes do atletismo britânico, campeão olímpico e mundial dos 100 metros, em 1992 e 1993, respetivamente.
“É sempre a mesma coisa com o Ricardo. Eles pensam que ele está a conduzir um carro roubado, ou que esteve a fumar canábis. É discriminação racial. A forma como falaram com o Ricardo, como se ele fosse ralé, tivesse feito alguma coisa mal, foi chocante”, disse a mulher do atleta ao jornal ‘Sunday Times’
Bianca Christie publicou no seu instagram um vídeo do incidente, acusando a polícia de “abuso de poder”, acrescentando que foi o segundo incidente em dois meses, corroborando as palavras de Ricardo dos Santos.
Linford Christie também assinalou o caso na sua conta pessoal no Instagram, acusando a polícia britânica de ser racista.
Na sua página na ree oficial Instagram, o ex-atleta e treinador escreveu: “Dois dos meus atletas foram parados pela polícia. Ambos atletas internacionais, ambos pais de um bebé de três meses. Ambos foram algemados à porta de casa”.
E prosseguiu com uma questão: “Alguém me pode explicar qual é a justificação da Polícia Metropolitana para fazer algo assim?”.
Já a polícia britânica nega que tenha havido racismo e diz ter cumprido as regras durante uma operação de revista ao automóvel onde seguia o atleta português e a família.
“Cada operação stop é conduzida de acordo com os seus méritos, à discrição dos agentes envolvidos, tendo em conta vários aspectos, incluindo comportamento e respeito”, disse a polícia num comunicado.
Segundo a polícia, responsáveis pelo cumprimento visionaram vídeos partilhados nas redes sociais e as imagens recolhidas pelas câmaras que os agentes tinham nas fardas e concluíram “não existir preocupação com a conduta” dos polícias envolvidos.

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