As grandes epidemias da História

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A humanidade tem sido ao longo da sua existência confrontada com várias catástrofes epidémicas que deixaram marcas profundas na nossa espécie, que foi a que teve a mais rápida ascensão no planeta.
Os registos pré sumários, que foram os inventores da escrita, não são de todo fiáveis porque eram transmitidos verbalmente e em alguns casos passaram de umas civilizações para as outras, às quais lhes perdemos o rasto.
Foram as guerras que tiveram mais destaque na passagem de testemunho dos povos, que davam mais realce aos seus feitos de guerreiros em salvaguarda e proteção dos seus territórios.
Mas foram as grandes epidemias que levaram à grande devastação de cidades e, provavelmente, ao desaparecimento de civilizações, como se pressupõe ter acontecido com os Maias.
Quando em 1665/1666 o mayor de Londres mandou exterminar 200 mil gatos e 40 mil cães, pensando que aqueles animais estavam na origem da grande praga que atingiu a cidade, estava a cometer um grande erro porque os gatos estariam na linha da frente do combate contra os transmissores da doença – os ratos, que por sua vez eram contaminados por pulgas.
Em fevereiro de 1666, quando a Corte regressou à cidade, a peste tinha causado em Londres e periferia mais de 100 mil vítimas. A peste negra, como era conhecida, já tinha aparecido em 1338 e nunca as ilhas tinham ficado livres dela.
Uma das mais aterradoras situações vividas durante um violento surto de peste negra, ocorreu em Moscovo no ano de 1770 e na primavera de 1771 quando chegou com a força máxima, levando as autoridades a colocar de quarentena forçada adultos e crianças suspeitos de contágio e ordenando que todos os seus pertences fossem destruídos sem qualquer compensação.
Com o abandono da cidade por parte das autoridades, os que ficaram presos em quarentena tiveram que enfrentar uma grande escassez alimentar e para além da peste foram dezenas de milhares os que morreram à fome.

No entanto, em percentagem de população/vítimas nenhuma (epidemia) se compara com a chegada dos colonizadores ao continente americano. Por exemplo, as doenças que foram levadas da Europa, às quais os nativos não eram imunes, fizeram com que cerca de 80 por cento do povo andino fosse exterminado, com doenças levadas pelos conquistadores espanhóis.

Um dos mais devastadores e dramáticos surtos de peste negra, teve origem em Marselha no ano de 1720. Rápido e demolidor, o surto chegou no navio Grand Saint-Antoine, vindo da Síria com um passageiro clandestino contaminado com uma bactéria variante da peste negra.
O surto não chegou a sair da cidade porque as autoridades fecharam todas as saídas por mar e terra, para que a peste não contaminasse o resto do país e possivelmente toda a Europa, chegando depois a todo o mundo.
Marselha perdeu 100 mil vidas em pouco tempo, tendo recuperado a sua população normal 45 anos depois.
Quando em 1918 a Primeira Grande Guerra terminou, deixou para trás um saldo de mais de 30 milhões de mortos em quatro anos de conflito, nesse mesmo ano apareceu a gripe espanhola que em poucos meses fez 40 milhões de vítimas. Em finais de 1920 a pandemia tinha sido debelada, deixando para trás mais de 50 milhões de mortos.
Se estabelecermos um paralelo com a população da Europa naquela época, que era metade da atual, seria o mesmo que a epidemia por Covid-19 fazer 100 milhões de vítimas.
No entanto, em percentagem de população/vítimas nenhuma se compara com a chegada dos colonizadores ao continente americano.
Por exemplo, as doenças que foram levadas da Europa, às quais os nativos não eram imunes, fizeram com que cerca de 80 por cento do povo andino fosse exterminado, com doenças levadas pelos conquistadores espanhóis.
As guerras e as catástrofes epidémicas dizimaram biliões de humanos ao longo da sua existência e muitas delas nunca irão chegar ao nosso conhecimento. O perigo de ambas em pleno século XXI, mantem-se como uma permanente ameaça, como é o caso do Covid-19 que desde o seu aparecimento já provocou centenas de milhares de mortes.
Não obstante existir a possibilidade de acontecer um lapso ou erro laboratorial, as catástrofes epidémicas serão sempre uma constante decorrente no percurso da humanidade, que terá que aprender a conviver com elas.
Deixo aqui expressos dois exemplos de combate a surtos epidémicos, em duas cidades da Europa em épocas diferentes: Marselha 1770, peste negra, e Porto 1899, peste bulbónica, em que as autoridades locais decidiram fechar as respetivas cidades, para que os seus países fossem poupados.

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