Entre a tristeza e o alívio, a volta ao mundo do Sagres que a covid-19 colocou em pausa

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O navio-escola Sagres regressaria da volta ao mundo em janeiro de 2020, mas a pandemia trocou as voltas aos 142 marinheiros, que hoje voltaram a casa entre o alívio por estarem bem e a tristeza pela missão em pausa.
“Estamos a viver um momento histórico, irrepetível e singular porque estamos a celebrar o passado, a afirmar o presente e a construir o futuro”.
As palavras são do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, mas não são de hoje, mas de 05 de janeiro, quando o navio-escola Sagres zarpou do Terminal de Cruzeiros de Santa Apolónia, em Lisboa, rumo à volta ao mundo que deveria ter durado mais de um ano, no âmbito das comemorações do V Centenário da Circum-Navegação do navegador português Fernão de Magalhães.
A pandemia de covid-19 também mudou a rota do Sagres que, em 24 de março, recebeu ordens para suspender viagem e voltar a Portugal, um regresso a terra firme que aconteceu hoje, na Base Naval de Lisboa, em Almada.
“Tenho aqui três sentimentos simultâneos. Um é de alívio por regressarmos bem. Há um segundo de tristeza porque efetivamente saímos dia 05 de janeiro para uma viagem de circum-navegação que infelizmente não se pode concretizar e um sentimento de esperança de que as coisas rapidamente voltem àquilo que é normal e, num futuro mais ou menos próximo, podermos voltar a ter a Sagres a navegar”, confidenciou aos jornalistas o comandante do navio, Maurício Camilo.
Sem necessidade de fazer testes à covid-19 porque já fizeram “o melhor teste de todos” que foi estarem “69 dias sem sair do navio e sem contacto com nada” – a última vez que tinham saído do Sagres foi em 02 de março, em Buenos Aires -, os elementos da guarnição seguiram , um de cada vez, para as suas casas, apesar de, por motivos de segurança devido à pandemia, não ter sido possível terem as famílias, todas juntas, à espera em terra, tal como aconteceu na partida.
Mas neste regresso, nas palavras do ministro da Defesa Nacional, João Gomes Cravinho, “inesperado, inopinado e diferente” do que foi imaginado, há um especial, o do primeiro marinheiro Sérgio Chambel, cujo filho João Maria nasceu, em 06 de abril, enquanto a Sagres estava em águas da África do Sul.
Por culpa da covid-19 e com os aeroportos fechados, Sérgio não conseguiu voar para Lisboa, como estava previsto, para assistir ao nascimento do segundo filho e foi a “família naval” que o apoiou “nos momentos mais difíceis”.
“Ela foi uma supermulher, conseguiu tomar conta da outra filha, a Maria Carminho e do João Maria”, disse Sérgio, visivelmente ansioso, aos jornalistas, a propósito da mulher Lia Duarte.
Graças às tecnologias e às redes sociais, o marinheiro conseguiu “matar um bocadinho da saudade e ver o João Maria”, que hoje espera abraçar pela primeira vez, tendo a notícia do nascimento do bebé sido motivo de festa a bordo.
Uma das quatro mulheres da guarnição é Diana Azevedo, primeiro-tenente e navegadora, que admitiu aos jornalistas ver este regresso com “um sentimento agridoce”.
“Por um lado, estamos a regressar a casa e temos alguma preocupação com as famílias, mas por outro lado gostaríamos todos de continuar e foi para isso que saímos, em janeiro, foi para um ano de aventuras que tiveram que ficar pelos quatro meses”, afirmou.
Apesar da esperança inicial de que a situação se resolvesse, Diana assumiu que, conforme o tempo foi avançado, a guarnição percebeu que “não existiriam condições para continuar”.
“A vossa viagem de circum-navegação, emblemática e única, não deixará de se realizar. Vivemos ainda tempos de incerteza em Portugal e em todo o mundo. Não sabemos quando poderemos retomar os nossos planos, mas sabemos que isso acontecerá”, garantiu o ministro da Defesa.
Resta agora saber quando será possível que o Sagres volte a navegar.

 

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