“A Língua portuguesa é a mais bela de todas as línguas”

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OPINIÃO POR PAULO PISCO

 

A MAIS BELA DAS LÍNGUAS

 

A Língua portuguesa é a mais bela de todas as línguas, porque ne­nhuma pode ser tão bela como aquela que conhecemos melhor. É a língua em que nos exprimimos, compreendemos o que nos dizem e entendemos os nossos irmãos lusófonos. É a única de que co­nhecemos todos os segredos, sub­tilezas e segundos sentidos. Mas é ainda muito mais do que isso. É uma língua que une vários povos e é falada em três dezenas de orga­nizações internacionais. E por isso é um ativo estratégico da maior importância, falado por vários mi­lhões de portugueses, lusodescen­dentes e lusófonos espalhados por dezenas de países pelo mundo.

Houve tempos em que não se va­lorizou esta imensa riqueza por causa do complexo associado ao estigma da emigração, o que a re­metia para um gueto. Quando fi­nalmente se começou a valorizar o seu peso económico e cultural, tudo mudou e passámos a exibir, orgulhosos, o quinto lugar entre as línguas mais faladas do mundo, com perspetivas sólidas de expan­são no futuro, passando dos atuais 260 milhões para cerca 350 mi­lhões já em 2050, em virtude das dinâmicas demográficas, sobretu­do em África.

O Ensino de Português no Estran­geiro, essencialmente dirigido aos jovens portugueses e lusodescen­dentes, mas também muito fre­quentado por alunos lusófonos, é uma peça chave nesta arquitetura de defesa e promoção da língua, não obstante a diversidade própria da estrutura das nossas comuni­dades e daquilo que é permitido pelos governos e administrações escolares de cada um dos países de acolhimento.

Isto não impede, no entanto, que esteja bem integrado numa lógi­ca coerente que percorre vários graus de ensino, do pré-escolar ao superior, precisamente sob a tutela do Instituto Camões, que é quem tem a experiência mais só­lida e competências reconhecidas neste domínio. E devemos

afirmação e valorização da Língua portuguesa, o prestígio que lhes é conferido pelo ensino nas Escolas Portuguesas nos países lusófonos e os cursos em cátedras, leitorados e protocolos com universidades em mais de 70 países.

A Língua portuguesa é, indiscuti­velmente, uma riqueza imensa para todos os povos que a falam, porque os une, dá-lhes projeção global e é um fator económico relevante. Daí que seja da maior importância que todos os países da CPLP valorizem muito mais o peso e importância das suas diásporas. Através da Lín­gua Portuguesa, cada um dos povos que a utiliza torna-se mais global como parte de uma rede planetária que dá para cada uma das culturas em que se exprime. É, por isso, uma Língua que tem capacidade de afir­mação fora das fronteiras de cada um dos países onde é falada.

Aquilo que poderia ser visto como uma desvantagem, que é a des­continuidade geográfica dos paí­ses lusófonos, tem também o seu lado positivo, uma vez que garante uma inserção da Língua em todos os continentes. A aprendizagem crescente do Português é hoje um dado adquirido em muitos dos paí­ses vizinhos dos que falam a Língua, essencialmente por motivos de na­tureza económica.

É inegável o grande potencial eco­nómico que a língua representa em termos de trocas comerciais e de uti­lização no espaço digital e, cada vez mais, no domínio científico. Mas é importante sublinhar também o seu imenso poder de afirmação cultural, através de uma riquíssima e criativa diversidade na música, na literatura, nas artes. Do fado à Bossa Nova, do samba às mornas, de Jorge Amado a Fernando Pessoa, de Germano de Almeida a Mia Couto, de Pepetela a Drummond de Andrade, de José Craveirinha a Luandino Vieira e tan­tos outros expoentes culturais em vários domínios.

É uma língua falada em mais de 30 organizações multilaterais em todos os continentes. Nas organizações internacionais, a Língua portuguesa é fator de força e coesão: protege­mo-nos e defendemo-nos uns aos outros. O facto do Secretário-Geral das Nações Unidas ser António Gu­terres ou que o brasileiro Roberto de Azevedo seja o diretor-Geral da OMC é um orgulho para toda a lu­sofonia.

Língua Portuguesa é muito mais do que uma mera ferramenta de afir­mação de uma identidade. É uma língua universal e pluricontinental, que veicula culturas e identidades diversas, história e fraternidade. É uma Língua para todos os que a queiram aprender.

E é esta a sua maior riqueza e a sua imensa força. Cabe-nos a todos sa­ber defendê-la e projetá-la como uma grande Língua global que é, ainda por cima porque todos perce­bemos que as suas potencialidades estão longe de estarem esgotadas.

Paulo Pisco

Deputado

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