Bispo alerta em Fátima para a pandemia da pobreza e para o vírus da indiferença

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O bispo de Leiria-Fátima alertou hoje que já se está a gerar uma pandemia mais dolorosa do que a da covid-19, “a da extensão da pobreza”, pedindo também solidariedade para combater “o vírus” da indiferença e do individualismo. “A pandemia, com a longa interrupção da vida normal, traz terríveis consequências económicas, sociais e laborais. Já está a gerar uma pandemia mais dolorosa, a da extensão da pobreza, da fome e da exclusão social”, afirmou o cardeal António Marto, durante a homilia do segundo e último dia da peregrinação internacional de maio, que decorre, de forma inédita, sem peregrinos devido à pandemia da covid-19.

Durante a intervenção, o cardeal lembrou que as consequências económicas da pandemia já batem “à porta das Caritas diocesanas e de várias paróquias e soa a sinal de grito de alarme”.

Essa “pandemia” social, notou, é “agravada pela cultura da indiferença e do individualismo”, salientando que “o vírus da indiferença só é derrotado com os anticorpos da compaixão e da solidariedade”.

Esta situação “dramática e trágica” expõe também “a vulnerabilidade e fragilidade da condição humana”, frisou, considerando que essa fragilidade também exige uma união entre povos e classes, já que a covid-19 “ultrapassa todas as barreiras geográficas e todas as condições sociais, económicas, hierárquicas”.

“Sentimo-nos unidos e pertencentes a uma humanidade comum, na fragilidade, mas também mais unidos na fraternidade e na solidariedade”, frisou.

Afirmando que “ninguém está imune”, António Marto frisou a necessidade de solidariedade perante uma pandemia que revela a interdependência entre seres humanos.

“Ou nos salvamos todos juntos ou nos afundamos todos juntos”, sublinhou, recordando as palavras do papa Francisco, que defende um impulso de solidariedade para orientar a resposta mundial a uma “anunciada quebra” do sistema económico e social.

Para António Marto, este é também um tempo para refletir e repensar os hábitos e estilos de vida, vincando que “não se pode viver só para consumir”.

Perante um recinto de oração vazio, o cardeal também voltou a afirmar que, apesar de para muitos esta ser uma peregrinação triste por se realizar num santuário de Fátima fechado, é também uma oportunidade para “aprender como é uma peregrinação em estado puro, o peregrinar com o coração”.

“Há coisas que se aprendem melhor na calma e outras na tempestade”, disse, citando a escritora norte-americana Willa Cather.

A peregrinação internacional de maio, que começou na terça-feira e termina hoje, realiza-se pela primeira vez na sua história sem peregrinos no recinto do santuário de Fátima, devido à pandemia da covid-19, estando apenas presentes as pessoas diretamente implicadas nos diferentes momentos celebrativos e alguns convidados.

 

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