“Temos de fazer a nossa parte e lutar pela sobrevivência do tecido social e económico”, Paulo Pereira

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Para o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, Portugal ganhou “a primeira batalha” contra a covid-19 e entrou agora numa segunda fase. O momento deixa antever grandes dificuldades para o tecido empresarial e para as famílias, mas a União Nacional em torno desta crise deixa o empresário Paulo Pereira otimista e com boas perspetivas de futuro para o país…

O relativo sucesso do caso de Portugal também tem colhido o interesse da imprensa em França onde é sublinhado que “Portugal contabiliza 11 vezes menos vítimas mortais do que Espanha” destacando o facto de, Espanha estar severamente confinada e ter decretado a interrupção de toda a atividade económica não essencial, o que não aconteceu em Portugal. “Os portugueses são tão disciplinados que a repressão é inútil”, é citado o primeiro-ministro António Costa.

O embaixador do Reino Unido em Portugal, Chris Sainty, também destacou as qualidades do povo português que “permitirão a Portugal vencer a batalha contra este vírus”, realçando a “dedicação, coragem e resiliência das pessoas no serviço nacional de saúde, nos serviços de emergência e em muitas outras ocupações da linha de frente”.

Sobre a crise económica que atravessamos Paulo Pereira reforça que “o Governo terá de ajudar e intervir, sobretudo flexibilizando o pagamento das contribuições fiscais, apesar dos empresários não poderem ficar só à espera. Temos de fazer a nossa parte e lutar pela sobrevivência do tecido social e económico”.

Quais são as prioridades agora?

Neste momento a prioridade é proteger as minhas equipas e funcionários, para tê-los prontos e capazes para juntos darmos a volta depois da crise. Não podemos esperar que o Estado faça tudo. Os empresários têm de ser responsáveis e ajudar aqueles que terão mais dificuldades. É um grande erro fazer despedimentos nesta altura. Temos de chegar a consensos com os nossos funcionários e colaboradores, mas é obrigatório mantê-los.

O setor do turismo está a ser dos mais afetados?

Está a ser e vai ser afetado, como muitos outros setores. Mas posso antever que esta crise vai acabar e depois vamos ter bons resultados e alavancar o turismo, que é uma das principais fontes de rendimento do país.

Precisamos de ter a ‘fluidez da caravela’ nos fluxos de turistas. Antes tínhamos caravelas, agora precisamos de ter operações aéreas consolidadas e bem organizadas (o turista não chega de bicicleta a Portugal). O transporte aéreo democratizou-se e precisamos de boas condições para acolher quem chega.

Precisamos de mais voos, para mais destinos e trazer potenciais turistas de novos países.

A TAP tem aqui um papel determinante a desempenhar. Os números tem demonstrado que Antonoaldo Neves e a sua equipa estão a fazer um bom trabalho, incluindo na abertura de novas rotas e na criação de propostas para a expansão do aeroporto de Lisboa, por exemplo.

Os turistas, uma vez em Portugal, notam que temos um grande sentido de hospitalidade, está no nosso ADN e temos grandes profissionais na área do turismo. Porém temos que acentuar a formação porque o profissionalismo é uma das chaves do sucesso.

Qual é a sua perceção da crise que atravessamos?

Há muitas vezes a tendência de subestimar aquilo que temos em Portugal. Muitos portugueses têm a ideia que o que é bom está lá fora, mas apesar das reconhecidas carências no país e no mundo, temos enfrentado os problemas com os meios que temos e estamos a conseguir, uma vez que todos fomos apanhados de surpresa por este vírus.

O momento de união nacional que vivemos tem sido revelador da capacidade dos portugueses para enfrentar esta crise inédita com a eficácia do sistema hospitalar, o trabalho incansável dos médicos, enfermeiros e auxiliares, e todos os intervenientes desde a política às forças de segurança. Não posso deixar de sublinhar a inteligência que todos têm revelado, em manter esta unidade, de todos os quadrantes políticos, em muito orquestrada pelo Presidente da Republica.

Tudo isto é muito positivo para nós…esta união dá credibilidade ao nosso país para atrair e receber turistas, para captar investimento, por isso acredito que vamos estar prontos para depois da crise…para um novo mundo…

E esse mundo será o mesmo depois desta crise?

Provavelmente será mais solidário, fruto desta união nacional que vivemos. A proximidade que o Presidente da Republica já tinha com a população também se reflete na gestão desta crise. Com responsabilidade e sem divisões, foi suspenso o debate politico e assiste-se a uma coesão nacional inédita cujos resultados começam a aparecer. O debate político continuará depois, mas este não é o momento para anti partidarismos primários.

Esta situação tem sido reveladora de que na nossa representação democrática temos pessoas muito competentes, no Governo e nas bancadas da Assembleia da República, que têm permitido gerir toda esta crise de uma forma bastante pragmática.

Enquanto empresário já tive a oportunidade de receber Presidentes da República, vários ministros e secretários de Estado, na Quinta da Pacheca, que viram o trabalho feito, estiveram lá…José Luís Carneiro, por exemplo, desenvolveu um trabalho muito próximo com as comunidades, um homem muito pragmático, conhecedor do terreno, um ex-presidente de câmara que conhece muito bem a realidade do país, das pessoas e das empresas, e que agora, enquanto secretário-geral-adjunto do PS, foi dos primeiros a defender que o desenho da medida de estado de emergência “deveria salvaguardar o tecido produtivo”, ou Ana Mendes Godinho, a atual Ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, que também fez um ótimo trabalho na secretaria de Estado do Turismo, também ela uma mulher bastante competente para o atual cargo que neste momento é determinante para manter a economia e as empresas a funcionar.

Sem entrar em nenhuma forma de protecionismo temos que privilegiar a produção nacional, temos de nos consciencializar que o que é português é bom!

Por sua vez, o sistema bancário e financeiro terá agora uma oportunidade para se reconciliar com as empresas e com as famílias de uma forma verdadeiramente solidária que permita a todos superarem os grandes desafios que se avizinham, mostrando seriedade e apoiando verdadeiramente todos os seus parceiros durante e depois desta crise. Se a economia está parada, os bancos também têm de perceber que o seu papel terá de ser diferente do que aquando da crise de 2008

O atual executivo de António Costa está a gerir bem a crise?

Parece-me que esta crise está a ser bem gerida pelos partidos, de uma forma geral, e pelo Governo. Há muita unidade em volta desta crise.

Não temos perdido tempo com ‘politiquices’. Todos os intervenientes e líderes políticos mostraram inteligência para encontrar entendimento nas soluções para mitigar os efeitos da crise e todos os partidos revelaram coesão e convergência. Isto dá-nos perspetivas de um futuro sem polémicas.

Este é o resultado de uma unidade focada na solução do problema e o resultado positivo vai ser bom para a credibilidade dos turistas e dos investidores amanhã. Estamos a reforçar uma ideia de que Portugal é um país seguro e organizado.

Independentemente de qual é o Governo, de esquerda ou direita, quando o trabalho é bem feito, temos que acompanhar e relembrar-nos sempre que esta foi a vontade dos portugueses.

Quando está em causa a imagem externa do país considero que temos sido bem liderados pelo primeiro-ministro que tem gerido esta crise com serenidade e competência. Isto tem recolhido elogios pelos seus pares na Europa e no mundo, mas também pelos jornalistas internacionais.

O confinamento com liberdade não frustrou o povo português, que correspondeu com uma auto disciplina muitas vezes exemplar, permitindo que alguma economia se vá mantendo ativa, designadamente nos setores da construção, agroalimentar e financeiro.

Nós somos uma grande nação, um grande povo, com mais de 900 anos de história, fomos o Portugal das descobertas, estamos agora na fase de ser descobertos pelo mundo e estamos preparados com uma grande coesão nacional. Viva Portugal!

Biografia

Paulo Pereira nasceu em Felgueiras, mas, muito cedo rumou para França com a família.

Aos 52 anos  tem três filhos e divide os negócios e a vida entre o Douro, o Algarve e França. Em Orleães, há mais de vinte anos, fundou a Agribéria, hoje das maiores empresas de distribuição alimentar. Paulo Pereira é empresário hoteleiro e proprietário de uma cadeia de supermercados – a Panier du Monde – presente em diversas cidades francesas. Negoceia produtos portugueses e aposta no chamado “mercado da saudade”, tendo como sócia Maria do Céu Gonçalves. Com ela adquiriu, em 2013, a Quinta da Pacheca, em Lamego, dando assim novo fôlego ao negócio vinícola e erguido um complexo enoturístico de referência.

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