PR considera que revolução tinha de ser evocada e diz que “esta hora impõe-nos unidade”

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O Presidente da República defendeu hoje que “o 25 de abril é essencial e tinha de ser evocado”, tal como vão ser o 10 de junho, o 05 de outubro e o 01 de Dezembro.
“Em tempos excecionais de dôr, sofrimento, luto, separação e de confinamento, é que mais importa evocar a pátria, a independência, a República, a liberdade e a democracia”, acentuou o chefe de Estado na sessão solene evocativa da Revolução dos Cravos na Assembleia da República.
No seu discurso na sessão solene comemorativa do 46.º aniversário do 25 de Abril, Marcelo Rebelo de Sousa considerou que este momento exige unidade e prometeu que os mortos pela Covid-19 “hão de merecer no fim desta privação uma homenagem coletiva daqueles que não puderam prestar a sua homenagem pessoal”.
O chefe de Estado afirmou também que haverá que “retirar, a seu tempo, as lições” desta crise de saúde pública, que no seu entender mostrou “as fragilidades, as desigualdades, as clivagens” do tecido social português e “as debilidades, as carências, as descoordenações, a rigidez, a lentidão” em várias instituições – “em demasiadas”, observou, sem dar exemplos.
Haverá que tirar lições igualmente dos “exemplos de criatividade, de versatilidade digital, de excelência na pesquisa biomédica” e “de generoso voluntariado, de ilimitada solidariedade, de permanente maturidade cívica, de inimaginável resistência” dos portugueses, completou.
“Esta hora impõe-nos unidade. Unidade que não é nem unicidade nem unanimismo. Mas unidade entre os portugueses, que o têm lembrado no seu dia a dia, e unidade entre os responsáveis políticos, uma convergência que tem sido decisiva para Portugal”, declarou o Presidente da República.

Acorrer aos desempregados e às famílias aflitas

Segundo Marcelo Rebelo de Sousa, “a crise económica e social” resultante da pandemia de Covid-19 vai fazer-se sentir “durante anos” e agora é preciso “conjugar aberturas amadurecidas com precauções bem explicadas e bem compreendidas que há a conjugar” e “acorrer aos desempregados, aos que estão em risco de o ser, às famílias aflitas, às empresas estranguladas”.
“Temos de continuar a resistir ao desgaste, à fadiga, à lassidão, temos de manter a máxima convergência possível, temos de não ceder ao simplismo de separar velhos e novos, metropolitanos, urbanos e rurais, regiões autónomas, sem embargo da sua autonomia específica, Porto, Norte, Centro, Alentejo, Algarve e Lisboa. E também não cair na tentação fácil de discriminar ideias, correntes de opinião ou pessoas, como se o 25 de Abril fosse só de uma parte de Portugal”, acrescentou.
Advertindo que “o caminho a fazer ainda é longo, difícil e imprevisível”, o Presidente da República apelou a “uma Europa lúcida, solidária, empenhada e rápida a agir” e a que se ultrapassem “egoísmos, unilateralismos, visões fechadas do mundo e da vida”. Citando o papa Francisco, pediu também para não se “imolar quem fica para trás no altar do progresso”.
Neste discurso do 25 de Abril, o último do seu mandato de cinco anos, que termina em março de 2021, Marcelo Rebelo de Sousa argumentou que é fundamental assinalar esta data histórica e que no atual contexto de confinamento devido à pandemia de Covid-19 “evocar Abril” é falar dos desafios deste tempo.
“É testemunhar gratidão sem fim aos que salvaram, salvam e salvarão vidas e por isso deverão ser permanentemente acarinhados, agora e sempre, e os que ajudaram a salvar e a manter o básico na nossa sociedade, civis, Forças Armadas e forças de segurança”, disse.
A meio da sua intervenção, Marcelo Rebelo de Sousa saudou “de modo especial o Presidente António Ramalho Eanes”, o seu único antecessor presente nesta sessão solene, “primeiro Presidente da República democraticamente eleito em Portugal, símbolo, também ele, do espírito de unidade deste nosso encontro cívico”.
O chefe de Estado destacou também a presença nesta cerimónia de um representante dos capitães de Abril e de dois antigos deputados constituintes – o próprio Marcelo Rebelo de Sousa e o secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa.
Além disso, recordou que nesta sessão solene já não está nenhum dos “quatro principais fundadores partidários do constitucionalismo pós-Abril”, Francisco Sá Carneiro, Álvaro Cunhal, Mário Soares e Diogo Freitas do Amaral, que morreu em outubro do ano passado.

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