Gaia quer que Metro do Porto dê “prioridade absoluta” à linha Santo Ovídio/Campo Alegre

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A Assembleia Municipal de Vila Nova de Gaia aprovou, por unanimidade, uma recomendação à Metro do Porto para que seja conferida “prioridade absoluta” à linha de metro Santo Ovídio-Devesas-Campo Alegre, conhecida como “segunda linha de Gaia”.

“Recomenda-se à Metro do Porto o desenvolvimento dos estudos de procura e estudos económicos-financeiros que permitirão aferir a urgência da nova linha de metro em Gaia e conferir-lhe a prioridade absoluta que entendemos que deve ter na nova fase de investimentos do Estado e da Metro do Porto”, lê-se nas conclusões do texto aprovado por PS, PSD, CDS-PP, BE, CDU, PAN e pelo Grupo Municipal de Presidentes de Junta de Freguesia, na quinta-feira à noite.

Em causa está o trajeto entre Santo Ovídio e Devesas, em Vila Nova de Gaia, até ao Campo Alegre, no Porto.

Esta recomendação surgiu depois do presidente da Câmara de Gaia, o socialista Eduardo Vítor Rodrigues, que é também presidente da Área Metropolitana do Porto (AMP), ter decidido na reunião camarária de segunda-feira enviar uma moção à Assembleia Municipal sobre este tema, isto depois de uma troca de palavras, nessa sessão, com o vereador social-democrata Cancela Moura, que é também vice-presidente da Distrital PSD/Porto.

“Gostava de ter o conforto de todos os partidos para uma luta que vai ser de grandes dificuldades. Não há nada que me desvie de defender Vila Nova de Gaia neste processo (…). Se tiver de sair da AMP para defender Gaia, sairei. Não está nos meus horizontes, mas se tiver de ser assim, será”, disse, esta noite, Eduardo Vítor Rodrigues.

O autarca quis promover o debate a nível local sobre linhas de metro para o concelho na sequência de um comunicado da distrital do Porto do PSD, que no dia 26 de fevereiro exigiu a sua demissão imediata, enquanto presidente do Conselho Metropolitano.

Ao longo do texto, o PSD/Porto considerava que, “em toda a sua história, nunca o Conselho Metropolitano do Porto teve, como agora, um presidente que envergonha o passado de prestígio e de reconhecimento de todos aqueles que sempre defenderam a coesão metropolitana”, estando em causa o protocolo sobre a expansão do Metro do Porto.

No texto dos sociais-democratas estavam enumeradas linhas consideradas como prioritárias, não estando incluídas referências à chamada “segunda linha de Gaia”, o que levou Vítor Rodrigues a acusar, na reunião camarária de segunda-feira, Cancela Moura de “esquecer os gaienses” em nome de “interesses e lealdades partidárias”.

Na quinta-feira, em jeito de resposta a estas declarações, o PSD/Porto saiu em defesa de Cancela Moura, garantindo que este, “na qualidade de deputado à Assembleia da República, exigiu recentemente esclarecimentos ao ministro do Ambiente, em sede de discussão de Orçamento do Estado, sobre a calendarização e data de início” da obra.

O PSD/Porto explicou, ainda, em comunicado, que a “omissão” à segunda linha de metro de Gaia no texto do primeiro comunicado se deveu a “um lapso de transcrição do texto”.

“Não nos cai os parentes à lama por reconhecê-lo. Em vez de perder tempo em jogos florais, melhor seria que o presidente do Conselho Metropolitano do Porto dignificasse as funções que ocupa”, conclui o PSD/Porto.

Já na Assembleia Municipal, de quinta-feira à noite, o deputado municipal social-democrata Rui Rocha Pereira falou em “falha de comunicação” entre as estruturas do PSD locais e distritais, desvalorizando o episódio e garantindo que este partido vê a linha Santo Ovídio-Devesas-Campo Alegre como “prioritária”.

“No nosso programa eleitoral tínhamos essa prioridade. Seria incoerente e incompreensível que não defendêssemos esta recomendação. Até vamos mais longe e defendemos que os estudos sejam céleres”, disse Rui Rocha Pereira.

Já os restantes partidos políticos e coligações com assento na Assembleia Municipal de Gaia escusaram-se a comentar a troca de palavras entre socialistas e sociais-democratas, com o Bloco de Esquerda a apelidar o episódio de “novela”, a CDU a considerar que o debate entre PS e PSD “não merece comentário” e o CDS a achar “extemporânea” a atenção dada ao caso.

“Reafirmamos a urgência da obra”, disse o deputado do CDS-PP João Pedro Begonha, enquanto a deputada Luísa Ferreira (BE) considerou a concretização da linha “urgente” ao ponto de, disse, “dispensar estudos que possam conduzir a adiamentos”.

Já Paula Batista, da CDU, levou a votação de uma recomendação desta coligação, a qual incluía reivindicações sobre várias linhas de metro para a AMP, incluindo a chamada “segunda linha de Gaia”, mas o documento foi rejeitado.

CDU de Vila Nova de Gaia solicitou “um debate sério e fundamentado” sobre a decisão da Câmara de maioria socialista criar uma régie cooperativa para gerir os equipamentos e eventos desportivos e culturais de âmbito local.

“Reiteramos a necessidade de ser agendada nesta Assembleia um debate sério e fundamentado sobre a solução proposta”, referiu, na quinta-feira à noite, a deputada municipal eleita pela coligação PCP/PEV Paula Batista, antes de pedir que o ponto fosse retirado da ordem de trabalhos, o que não veio a acontecer.

Em causa está a criação de uma régie cooperativa para gerir equipamentos e eventos desportivos e culturais de âmbito local, a qual terá como nome “Gaia Futuro”, conforme tinha sido anteriormente aprovado em reunião de Câmara a 17 de fevereiro.

Na quinta-feira, em sede de Assembleia Municipal, o dossiê voltou a ser alvo de discussão, tendo merecido aprovação por maioria com os votos a favor do PS, BE, PAN e Grupo Municipal de Presidentes de Junta de Freguesia, enquanto PSD, CDS-PP e CDU preferiram abster-se.

Paula Batista disse estar-se perante “uma estratégia de facto consumado” porque, acrescentou a deputada da CDU, “nunca esta Assembleia debateu se uma régie cooperativa era a solução adequada para a gestão de equipamentos municipais”.

Contrariando esta posição, o presidente da Câmara de Gaia, o socialista Eduardo Vítor Rodrigues, reiterou argumentos apresentados na sessão camarária de 17 de fevereiro, altura em que justificou que “com este modelo não se irá à banca e não há lugar a endividamento”.

A “Gaia Futuro” é constituída pela Câmara Municipal, Juntas de Freguesia e associações locais.

Em outubro do ano passado, em declarações à agência Lusa, Eduardo Vítor Rodrigues avançou que a régie cooperativa de Gaia vai gerir os polidesportivos e piscinas do concelho, bem como a rede de cineteatros e outros equipamentos culturais, zonas com parques infantis e pequenos parques verdes.

A estas competências, somar-se-á a organização de eventos de âmbito local, ficando de fora os de âmbito nacional, regional ou supramunicipal.

O autarca exemplificou com a organização dos Jogos Juvenis, do Dia dos Avós ou da Gala das Instituições Particulares de Segurança Social (IPSS), que serão responsabilidade desta nova estrutura, enquanto eventos como o Festival Marés Vivas ou um ‘Red Bull Air Race’ não entrarão na esfera desta nova estrutura.

Também de fora da vertente de gestão ficam infraestruturas como o Parque Biológico ou o Auditório Municipal, bem como futuros equipamentos como o Multiúsos projetado para a zona dos Arcos do Sardão ou o Centro de Congressos que vai ficar localizado em General Torres.

A Assembleia Municipal desta quinta-feira à noite também ficou marcada pela aprovação unânime das peças relativas à empreitada de remodelação da Casa Barbot, equipamento cultural localizado na Avenida da República, no centro de Gaia, que está classificado como Imóvel de Interesse Público desde 1982 e foi adquirido pela Câmara Municipal que aí instalou a Casa da Cultura em 2007.

Mas, na sequência de uma vistoria da proteção civil, foi determinada a desocupação imediata da casa, por razões de segurança dos utentes, tendo a Casa Barbot, considerada como “único exemplo de Arte Nova no concelho”, permanecido fechada ao longo de vários anos.

A empreitada de recuperação está orçada em cerca de 1,6 milhões de euros e a Câmara de Gaia avançou que o objetivo é reabrir o espaço como polo de cultura para exposições e lançamento de livros.

 

 

 

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