O Regicídio: uma nódoa na história de Portugal

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JOAQUIM VITORINO

Passam hoje 112 anos, do dia em que D. Carlos I e seu filho D. Luís Filipe foram barbaramente assassinados a mando de um grupo de deputados, que se aliaram à pior organização que existia na Europa – a sociedade sinistra Carbonária.
Em causa estavam motivações políticas, inveja e vinganças pessoais, como toda a história dos acontecimentos veio posteriormente confirmar. Para trás ficam mais de quatro gerações, sem que a verdade tenha sido totalmente divulgada por conveniência daqueles que têm interesse em afastar da opinião pública portuguesa.
Os contornos do regicídio foram levados ao pormenor com rancor e perversidade e mereceram a condenação de toda a Europa, porque em Portugal existia uma monarquia constitucional, onde a figura do rei era central, mas por norma não se interpunha na ação governativa.
Para que existisse uma justificação, era preciso provocar uma agitação parlamentar que resultasse em dissidências, com a finalidade de se formarem pequenos grupos por serem mais fáceis de aliciar e controlar, o que veio a acontecer.
Os cabecilhas mais radicais tinham depois a incumbência de contactar os assassinos para executarem o atentado, que culminou com a morte do rei e de seu filho o príncipe real.
O primeiro encontro da conspiração foi levado a cabo por alguns membros do partido republicano, que tinham aderido aos ideais da carbonária.

A crónica de Joaquim Vitorino
Francisco Herédia, Visconde da Ribeira Brava, era um membro influente e iria ter um papel aliciador na execução do regicídio, com a agravante de ser um nobre titulado pelo pai e avô de quem ele e seus cúmplices iam intentar contra as suas vidas.
Francisco Herédia era um conhecido espadachim, cujo título de Visconde em princípio se destinava ao seu pai, tendo este pedido ao rei D. Luís I que o entregasse a seu filho, que viria a ser um dos principais mandantes da conjura.
Para que os portugueses saibam a história, Francisco Herédia que foi o principal conspirador do fim de quase 800 anos de monarquia em Portugal é o bisavô de Isabel Herédia que é casada com um pretendente à coroa de Portugal.
Mais tarde, veio ao conhecimento público que o visconde da Ribeira Brava terá inclusive fornecido as armas para a execução do crime e esperou pacientemente, no café Martinho da Arcádia, o desenrolar dos acontecimentos que dois anos mais tarde ditariam o fim da monarquia em Portugal.
Note-se que o príncipe Dom Manuel também estava na mira dos assassinos e só foi poupado, porque tinha regressado dias antes de Vila Viçosa para dar cumprimento a deveres escolares.
Como é do conhecimento dos portugueses, existiram várias tentativas de reposição da monarquia após D. Manuel II ter seguido para o exílio, com levantamentos no Norte que culminaram com a tentativa final em Monsanto, onde seria arriada a última bandeira monárquica.

O Regicídio: uma nódoa na história de Portugal

Talvez seja tempo de ser lançado um movimento de cidadania, que em princípio não será no sentido de voltarmos à monarquia, mas para elevar a autoestima dos portugueses para que tenham orgulho na sua história. E que o seu conhecimento seja útil para os jovens de hoje e as futuras gerações.
As principais figuras que planearam o regicídio foram António José de Almeida, Luz de Almeida (patrono e grão-mestre da Carbonaria) e Afonso Costa (advogado) que foi chamado para dirigir a revolta.
Do partido Republicano juntaram-se aos revoltosos José Maria de Alpoim e Francisco Herédia, Visconde da Ribeira Brava, que foi o braço direito de Alpoim.
As armas utilizadas no atentado, foram uma Browning nº 349-432 utilizada por Alfredo Costa e a Winchester nº 2137 por Manuel Buíça, que terão sido encomendadas e pagas por Francisco Herédia a Gonçalo Heitor Ferreira, armeiro e membro da Carbonária.

OBS: Às memórias de D. Carlos I, D. Luís Filipe, Príncipe da Beira, e D. Manuel II, último Rei de Portugal

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