Carnaval da Terceira deverá integrar Património Cultural Imaterial de Portugal dentro meses 

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As danças e bailinhos de Carnaval da ilha Terceira deverão integrar o inventário do Património Cultural Imaterial de Portugal nos próximos meses, adiantou  a diretora regional da Cultura dos Açores, Susana Goulart Costa.
“Calculo que se tudo correr, como eu espero, dentro destes ‘timings’ formais, no mês de maio ou junho, as danças e bailinhos de Carnaval da ilha Terceira estarão oficialmente reconhecidos como património imaterial a nível nacional”, avançou, em declarações aos jornalistas, à margem do II Congresso Internacional do Carnaval da Terceira, que decorre até sábado na Sociedade Progresso Lajense, na vila das Lajes.
Durante quatro dias, mais de 30 salas de espetáculos da ilha Terceira recebem centenas de músicos e atores amadores, que atuam de forma gratuita, madrugada dentro, em manifestações de teatro popular com crítica social, a que chamam de danças, bailinhos e comédias de Carnaval.
Em setembro de 2013 foi aprovada, por unanimidade, uma resolução na Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores, apresentada pelo PSD, que recomendava ao Governo Regional que efetuasse as diligências necessárias para a classificação destas manifestações tradicionais como Património Cultural Imaterial de Portugal.
Entre 2016 e 2018, a direção regional da Cultura recolheu registos de áudio, fotografias e entrevistas, tendo elaborado um “dossiê com quase 500 páginas” sobre estas manifestações culturais.
Em meados deste mês chegou um parecer positivo do Museu de Etnologia e o processo será agora submetido a consulta pública, durante o mês de fevereiro.
“Ao fim destes 30 dias, o processo é de novo remetido à Direção-Geral do Património Cultural, que é a entidade nacional que vai legitimando estes processo e depois temos um prazo de 120 dias para a decisão final”, revelou Susana Goulart Costa.
Segundo a diretora regional da Cultura, a candidatura do Carnaval da Terceira ao Património Imaterial da UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) “vai depender muito da comunidade e da envolvência”, mas a integração no inventário nacional é um “passo importante”.
“Penso que o mais importante nem é este reconhecimento internacional, é a manutenção, a sobrevivência, o carinho e a riqueza cultural que o Carnaval da Terceira tem”, salientou.
Susana Goulart Costa realçou, por outro lado, que com este inventário será possível acompanhar a evolução das manifestações culturais ao longo dos anos, o que permitirá preservar as danças e bailinhos.
“Neste património intangível, a cristalização não é saudável, porque a comunidade evoluiu. Esta evolução significa que o Carnaval está vivo”, apontou.
Também presente no encontro, o secretário regional da Educação e Cultura dos Açores, Avelino Meneses, considerou que “não há sinais de desaparecimento do Carnaval” na ilha Terceira.
“Considero que entre as festividades tradicionais dos Açores, o Carnaval é a mais forte de todas. É aquela que vai perdurar por mais tempo”, frisou.
O governante, que enquanto historiador já tinha defendido, em 2003, a classificação do Carnaval da ilha Terceira como Património Imaterial, revelou ainda que o executivo açoriano deverá apoiar outras candidaturas ao inventário nacional: as romarias quaresmais, existentes sobretudo na ilha de São Miguel, e as festas do Espírito Santo.
César Toste, presidente da Junta de Freguesia da Vila das Lajes (PSD), que organiza II Congresso Internacional do Carnaval da Terceira, reconheceu a importância da classificação das manifestações para a sua valorização, mas defendeu a necessidade de se refletir sobre a evolução das danças e bailinhos.
“É importante pensar a forma do nosso associativismo, porque sem salões não há carnaval. E sem público não há Carnaval. Quem participa nota que há uma diminuição gradual de pessoas a assistir às danças e bailinhos”, sublinhou.

 

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