Agências de viagem na Venezuela receiam Natal pouco animador

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Os elevados preços dos bilhetes de avião, a baixa oferta e a crise na Venezuela, estão a afetar as agências de viagens que operam no país e que receiam uma quadra natalícia pouco animadora.

As quedas das receitas relativamente a 2018 são este ano de até 70%, disse à imprensa o presidente da Associação de Agências de Viagens e Turismo da Venezuela.

“O panorama para este Natal de 2019, para o fim de ano, não é animador. Muitos vão passar o Natal em casa porque ficou muito caro viajar, principalmente para o estrangeiro”, salientou Nicolas Furnari.

Segundo Furnari, a complicar a situação está o facto de “a oferta ter diminuído enormemente”.

“O número de lugares reduziu-se, pelo que se torna mais complicado viajar, neste Natal. As vendas de bilhetes caíram entre 60% e 70% em comparação com o que foi vendido no ano passado, nessas datas”, frisou.

Por outro lado, explicou que os destinos mais procurados pelos venezuelanos na quadra natalícia são Bogotá (na Colômbia), Cidade de Panamá (no Panamá) e Miami, nos Estados Unidos.

No entanto, explicou, as sanções impostas pelos EUA às companhias aéreas, que estão impedidas de realizar voos diretos entre território norte-americano e a Venezuela, obrigou a que as viagens se realizem em dois ou mais segmentos, a usar um destino pelo meio, “o que eleva os custos e afeta os passageiros”.

“O mercado nacional e internacional tem-se reduzido cada vez mais, cada vez é mais caro, e cada vez é mais difícil aceder a bilhetes aéreos, inclusive a classe média”, frisou.

Segundo Nicolás Furnari, inclusive a compra e a oferta de viagens para a Europa “tem diminuído consideravelmente”.

“Para os EUA e a Europa é mais fácil, para o utilizador, entrar na página ‘web’ (das companhias de aviação) e comprar o bilhete. No entanto, os venezuelanos começam a ter problemas com a atribuição de vistos, o que os obriga a recorrer a agentes de viagem”, explicou.

Nicolás Furnari explicou ainda que “tudo está mais complicado, inclusive para os voos internos” venezuelanos.

“Na Venezuela o principal destino continua a ser Margarita, depois Mérida e Falcón, mas a insegurança, o mau estado das estradas e a falta de gasolina, dificultam as operações”, disse.

Um agente de viagens explicou à agência Lusa que no caso de Portugal, uma viagem de ida e volta, entre Caracas e o Funchal (destino mais procurado pela comunidade lusa da Venezuela), ronda atualmente os 1.800 euros, um valor que sobe para 2.400 euros em dezembro.

O mesmo agente de viagens acrescentou que as agências estão a “tentar resistir” à crise, pelo que muitas delas tiveram que associar-se a empresas em Portugal, porque os pagamentos são feitos em moeda estrangeira.

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