Exposição “revisita” 60 anos da presença dos monges cartuxos em Évora

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A presença dos monges cartuxos em Évora, durante cerca de 60 anos, vai poder ser “revisitada” através de uma exposição de fotografia e vídeo, a inaugurar hoje  na cidade alentejanao. Intitulada “Saudades dos Cartuxos”, a mostra, com trabalhos dos fotógrafos Daniel Blaufuks, José M. Rodrigues, Paulo Catrica e Nacho Doce, entre outros, abre ao público às 18:00, no Centro de Arte e Cultura da Fundação Eugénio de Almeida (FEA).
A exposição faz parte do programa preparado pela FEA para assinalar a despedida dos quatro monges cartuxos que viviam no Mosteiro de Santa Maria Scala Coeli (Escada do Céu), perto de Évora, e que se vão mudar para Espanha.
Antes da inauguração da mostra, às 17:00, no auditório da FEA, o padre Antão Lopez, monge cartuxo em Évora há 50 anos e prior da Cartuxa de Santa Maria Scala Coeli desde 1989, vai evocar “memórias e vivências do seu percurso monástico e da relação da Cartuxa com a Fundação e com a cidade”.
A exposição, que tem curadoria de José Alberto Ferreira, diretor artístico do Centro de Arte e Cultura da FEA, pretende recordar “a presença dos monges Cartuxos no Mosteiro de Santa Maria Scala Coeli desde os anos 60 até aos nossos dias”.
“Será também possível acompanhar uma linha do tempo em imagens, evocando alguns momentos históricos da Cartuxa de Évora ou visitas de personalidades destacadas do panorama político e cultural nacional”, adiantaram os promotores.
A história da Fundação Eugénio de Almeida está ligada, desde a sua génese, em 1963, ao regresso e à presença da Cartuxa em Évora, como foi vontade e obra do seu instituidor, Vasco Maria Eugénio de Almeida.
Évora acolheu, em 1587, os primeiros monges que fundaram o Mosteiro de Santa Maria Scala Coeli, mas, quase três séculos mais tarde, “os ventos da história determinaram a expulsão dos filhos de São Bruno” e que “só regressaram a Évora em 1960, pela mão de Vasco Maria Eugénio de Almeida”, realçou a FEA.
“Foi possível que, durante quase 60 anos, os monges ali permanecessem em silêncio e oração”, referiu, indicando que “chegaram a ser 22, em 1977, mas, com a diminuição de vocações por toda a Europa, a comunidade foi-se reduzindo cada vez mais”.
Os quatros monges que ainda restam, dois octogenários, um português e um espanhol, e dois nonagenários, ambos espanhóis, receberam a indicação do Capítulo Geral da Ordem de que teriam de se mudar para a Cartuxa de Montalegre, a cerca de 20 quilómetros de Barcelona (Espanha).
Com esta decisão, assinalou a FEA, desaparecem também as ordens masculinas de clausura em Portugal.
No dia 08 deste mês, quando os monges se despediram, com abertura de clausura, o arcebispo de Évora, Francisco Senra Coelho, anunciou que o mosteiro vai ser ocupado por monjas do Instituto das Servidoras do Senhor e da Virgem de Matará, ligadas à Família Religiosa do Verbo Encarnado.

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