A “rainha das romarias” voltou a juntar milhares de visitantes na comemoração dos sessenta anos da construção do ex-líbris religioso de Viana

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A festa ou romaria de Nª Srª da Agonia prolongou-se por cinco dias com quatro noites de fogo-de-artifício, o cortejo histórico-etnográfico, a procissão solene em honra de Nossa Senhora d’Agonia, e a tradicional procissão ao mar e ao rio e as ruas enfeitadas com sal cobertas com cerca 15 toneladas de sal, tingido de amarelo e azul. Milhares de visitantes incluindo como não podia deixar de ser, muitos emigrantes que fazem sempre questão de marcar presença na que é a romaria de Portugal a rainha das romarias marcaram presença e nem a crise energética provocada pela greve dos transportadores de combustíveis fez diminuir o número de visitantes. Neste ano de 2019, o cortejo histórico-etnográfico assinalou a canonização de D. Frei Bartolomeu dos Mártires, assim como o sexagenário aniversário da construção do Templo dedicado ao Sagrado Coração de Jesus, no Monte de Santa Luzia.

Uma “lição de história” sobre o templo do Sagrado Coração de Jesus, no monte de Santa Luzia, sobranceiro à cidade de Viana do Castelo marcou, este ano, o cortejo histórico e etnográfico da Romaria d’Agonia. Na bancada de honra as entidades locais e convidadas em que o deputado pela emigração eleito pelo PS – Paulo Pisco marcava presença. O presidente da Comissão de Festas de Nossa Senhora d’Agonia, António Cruz, explicou que os 60 anos da conclusão da construção do templo, que se assinalam este ano, “serão retratados numa parte” do cortejo, “tal como se de uma lição de história se tratasse”.
No total, o cortejo incluiu 144 quadros, integrou 30 carros alegóricos e mais de 3.000 figurantes, percorrendo 2.300 metros pelas principais artérias da capital do Alto Minho, demorando praticamente três horas.
Foram relembrados alguns dos momentos mais marcantes do monte de Santa Luzia, da edificação do templo do Sagrado Coração de Jesus, um ícone da arquitetura da cidade e de onde se avista uma das paisagens mais belas do mundo”.
Projetado pelo arquiteto Ventura Terra, o templo de Santa Luzia, cuja construção decorreu entre 1904 e 1959, é hoje um ex-líbris de Viana do Castelo.
Segundo António Cruz, o tema escolhido para o cortejo histórico e etnográfico deste ano “está ainda presente na memória de muitos vianenses, quer através de memórias transmitidas pelos seus pais e avós, que assistiram ao início dos trabalhos, quer das vivências, em primeira mão, na fase final desta obra imponente”.
As obras de construção do templo iniciaram-se em 1904 e foram interrompidas em 1910 com a Implantação da República e a consequente Lei da Separação do Estado da Igreja.
A construção foi retomada em 1926, sendo que os trabalhos exteriores prolongaram-se até 1943 e os interiores até 1959.
Benzido em 14 de junho de 1959, o Templo do Sagrado Coração de Jesus, é hoje um ex-líbris de Viana do Castelo.
A confraria de Santa Luzia, zela pelo templo-monumento desde 19 de março de 1884.
Entre 2014 e 2018, aquela confraria realizou um investimento global de dois milhões de euros no arranjo urbanístico e paisagístico daquela área.
Do zimbório existente no topo do templo, o ponto mais alto de Viana do Castelo, os visitantes avistam uma paisagem de vários quilómetros. De acordo com dados da confraria, entre 80 mil a 90 mil pessoas acedem (entrada paga) anualmente ao zimbório.

Bartolomeu dos Mártires

A componente histórica do cortejo incluiu ainda um “apontamento” sobre a vida do frade e beato português Bartolomeu dos Mártires, cuja canonização foi anunciada, em julho, pelo Papa Francisco. Bartolomeu dos Mártires (nascido Bartolomeu Fernandes) nasceu em Lisboa em 03 de maio de 1514 e faleceu em Viana do Castelo em 16 de julho de 1590. O beato está sepultado no convento de São Domingos, que mandou construir em plena ribeira de Viana do Castelo.
António Cruz referiu ainda que “a parte etnográfica do cortejo “evocou a memória das paradas agrícolas, revivendo as vivências do monte, campo, rio e mar, alicerces da essência das gentes alto-minhotas”.
“A apanha do sargaço, a pesca no rio Lima, os fiadeiros, as lides do campo, até às tradicionais pisadas e matanças do porco”. Muitos bolos, rebuçados, vinho verde e sardinhas assadas foram dados a quem assistia ao cortejo.
Este ano, o desfile integrou a Charanga da GNR, um gigantone francês, Isidore Court’orelle, de Lezennes, no norte de França.
As festas decorreram de 16 a 20 de agosto, com um orçamento de 599.686 euros, um investimento que é sobejamente recuperado, ou seja um investimento na cultura, na tradição, no turismo e por onde passou o cortejo eram milhares as pessoas sentadas a admirar o “minho em festa”.
E numa sede capital de distrito servida pela Linha do Minho em que o comboio chega a Viana atravessando a centenária Ponte Eiffel em Julho deste ano, a conclusão da obra de eletrificação da via férrea entre Nine e esta cidade foi festejada a fazer lembrar a inauguração do caminho-de-ferro, ligando o Porto a Viana, em 1878, ano do fim de construção também da ponte Eiffel sobre o rio Lima.
A assinalar o centenário da instituição Guarda Nacional Republicana em Viana com Castelo foi convidada a Charanga a Cavalo desta força militar que habitualmente faz as cerimónias de recepção a chefes de Estado estrangeiros em Belém e outras cerimónia militares.

Seiscentas e dezanove mordomas de sete países

Seiscentas e dezanove mordomas de sete países inscreveram-se, este ano, no desfile da mordomia que, exibiu todos os trajes de festa de Viana do Castelo, num dos números emblemáticos da Romaria d’Agonia.

Novidade no desfile deste ano foi a mudança, para a manhã do primeiro dia de festa, dos cumprimentos das mordomas às autoridades. Numa festa que é tradição cada vez mais enraizada entre mulheres de Viana. Seiscentas e dezanove mordomas de sete países inscreveram-se, este ano, no desfile da mordomia que, exibiu todos os trajes de festa de Viana do Castelo, num dos números emblemáticos da Romaria d’Agonia. De acordo com os dados da VianaFestas, entidade que organiza as festas da capital do Alto Minho, “além de Portugal, participam neste desfile mulheres de França, Luxemburgo, Brasil, Andorra, Reino Unido e até da República Checa”, sendo que a plataforma ‘on-line’, criada há dois anos para as inscrições, permitiu perceber que “a idade que garantiu o maior número de inscrições foi a dos 20 aos 29 anos”.
“São vianenses, de nascença ou de amor, que temos espalhadas por estes países e que fazem questão de participar na nossa festa. Deve ser um motivo de orgulho para todos este nível de interesse e o rigor, na arte de trajar, que têm, porque é condição essencial do processo de seleção”, explicou António Cruz, presidente da comissão de festas da Romaria da Senhora d’Agonia.
Em 2018, segundo a VianaFestas, “mais de 600 mulheres inscreveram-se no desfile, oriundas de cinco países”. No desfile de 2019, “o Traje à Vianesa Ribeira Lima Vermelho foi o predominante, com 129 mulheres inscritas”.
Segue-se o Traje de Mordomia Preto Colete, que foi envergado por 105 mulheres, o Traje de Cerimónia/Lavradeira Rica, com 50 mulheres inscritas, o Traje à Vianesa de Areosa Vermelho, com 49, e do Traje à Vianesa de Carreço Vermelho, com 47.
Uma das novidades no desfile deste ano prendeu-se com a mudança, para a manhã do primeiro dia de festa, dos cumprimentos das mordomas às autoridades. O desfile das mulheres trajadas pelas principais ruas da cidade realizou-se, pelo segundo ano, à tarde, “conferindo maior dinamismo ao desfile e rigor ao momento dos cumprimentos”.
O desfile da mordomia foi o momento em que os diferentes trajes das freguesias de Viana se encontram e mostram, de uma só vez à cidade. Trata-se de uma tradição cada vez mais enraizada entre as jovens e mulheres de Viana do Castelo e que junta várias gerações, num quadro único das festas. Desde 2014, também as mulheres da ribeira de Viana do Castelo, com os seus trajes de varina, participam neste desfile colorido pelos vermelhos, verdes e amarelos dos típicos e garridos trajes das diferentes freguesias. Não faltam também os fatos de noiva mais sóbrios, de cor preta. Neste número algumas das mulheres chegam a carregar, dezenas de quilos de ouro, reunindo as peças de famílias e amigos num único peito, simbolizando a “chieira” (termo minhoto que significa orgulho) e outrora o poder financeiro das famílias. A certificação do traje à Vianesa, com origem no século XIX, foi publicada em Diário da República no final de 2016.
O traje assume-se como um símbolo tradicional da região, nas suas várias formas, consoante a ocasião e o estatuto da mulher. Em linho e com várias cores características, onde sobressai o vermelho e o preto, foi utilizado até há cerca de 120 anos pelas raparigas das aldeias em redor da cidade de Viana.

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