Uma festa única no mundo  dedicada ao Espírito Santo

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Os tabuleiros transportados por 748 raparigas foi um dos pontos altos da festa dos Tabuleiros, realizada na cidade templária de Tomar, situada a cerca de 40 Km de Fátima e 140 de Lisboa e conhecida pelo seu Convento de Cristo – Património Mundial da Unesco. A comunidade tomarense de todo o concelho com cerca de 39 mil habitantes, mobilizou-se, e um dos pontos alto da festa, foi o cortejo que sai à rua eram 16H00 do dia 7 de Julho, para 22.440 pães que os 748 tabuleiros levavam, fossem benzidos pelo Bispo da Diocese de Santarém D. José Traquina. O Presidente da República – Marcelo Rebelo de Sousa assistiu na tribuna à benção dos tabuleiros e pela primeira vez na história da festa, fez questão de integrar todo o cortejo, ao lado da Presidente da Câmara e do Provedor da Misericórdia. As mais de seiscentas mil pessoas ao longo dos quatro quilómetros do Cortejo saudaram com alegria e grandes salvasde palmas a presença do Presidente da República
uem visitou Tomar nos últimos tempos, depressa reparou que a cidade se preparava, uns meses antes, para receber a Festa dos Tabuleiros, o maior evento do concelho, que se realiza de quatro em quatro anos. A organização refere que foi a maior festa de todos os tempos, quer em número de tabuleiros, de visitantes, e de quarenta ruas enfeitadas. A incorporação no Cortejo/Procissão por livre vontade, do Presidente da República, arrancou na gigantesca moldura humana grandes salvas de palmas e, saudações, chamando pelo seu nome a que ele ia respondendo acenando para um lado e outro das ruas, repletas de gente. Após a passagem das coroas e pendões da câmara, misericórdia e de todas as freguesias, as palmas depois dirigiam-se para o “mar de flores e pão” dos tabuleiros, transportados com muita alegria e sem demonstrar cansaço, pelas raparigas que incorporavam este cortejo, que parecei não ter fim.
Com saída da Mata Nacional dos Sete Montes às 16H00, o cortejo seguiu para a benção pelo Bispo da diocese,na Praça Principal da cidade – Prça da República e, ao terceiro toque do sino, sob o olhar atento do presidente da República e de convidados oficiais, foram levantados, quase que em simultâneo e voltando o cortejo às ruas da cidade, onde era esperado por visitantes de Norte a Sul, vindos na sua grande maioria em excursões e que bem cedo começaram a marcar o seu local de posição, para não perder nada desta festa única no mundo. Na bancada presidentes de câmaras vizinhas e de Alenquer, onde o Culto do Divino foi também instituído pela Rainha Santa e pela primeira vez o presidente da Câmara de Ponta Delgada nos Açores – José Manuel Bolieiro, cidade onde há três anos foi celebrado com Tomar um protocolo de parceria do conhecimento.
Demorou perto de quatro horas, o cortejo a percorrer os cerca de 4 Km quilómetros, com passagem obrigatória – e coreografada no levantar simultâneo dos 748 aos terceiro toque do sino da Igreja de S. João – na Praça da República após a bênção, localonde se situa o edificio dos Passos do Concelho e a estátua do Fundador da cidade- Gualdim Pais, cavaleiro Templário.
Atrás do cortejo, que parecia não ter fim, seguiam os carros com pão, carne e vinho, puxados por bois. Este “bodo” benzido foi no dia seguinte distribuído, por pessoas carenciadas e entregue a instituições sociais locais.

FESTA EM HONRA DO ESPÍRITO SANTO
Os tabuleiros em honra do Espírito Santo, que podem chegar aos 15 quilos, verticalmente agigantados, enfeitados de flores e pães, com coroas no topo, simbolizam “colunas de uma catedral em movimento, tendo o céu por arco em ogiva”, como explica a organização, sairam à rua e foi o culminar de meses de muito trabalho.
As origens do formato deste “tabuleiro” diluem-se nas da tradição, que remonta ao século XVI. Há quem sugira que a inspiração tenha vindo dos botaréus da Janela do Capítulo do Convento de Cristo, o ícone máximo da arquitectura Manuelina deste monumento que mais de 350 mil pessoas visitam por ano
O Grande Cortejo foi o culminar de meses que centenas de pessoas contribuíram para que estas mulheres, amparadas pelos seus pares masculinos, percorressem as ruas da cidade perante milhares e milhares de pessoas. As inscrições nas 11 freguesias tiveram que por ponto final – hoje toda a jovem quer levar o seu tabuleiro, tal era a vontade de participar. As flores de papel, foram feitas à mão por famílias de todo o concelho; em casa, nas escolas ou nas horas vagas do trabalho, quer seja nos apartamentos urbanos às aldeias e lugares, dos grupos recreativos às associações culturais, das escolas aos lares, ou seja houve uma mobilização comunitária geral para assegurar que tudo estivesse afinado no dia do grande cortejo, em que todas as freguesias do concelho se fazem representar e querem dar o seu melhor. Também as muitas casas e prédios, surgem adornadas com colchas e flores nas varandas, portas e janelas. Só visto. Esta “onda de policromia de cores” é um evento único em Portugal e no Mundo.

A PRIMEIRA MORDOMA DA FESTA DOS TABULEIROS
Maria João Morais foi a primeira mulher a dirigir a equipa que prepara o evento. Foi aclamada no Domingo de Páscoa do ano anterior pelo Povo no salão Nobre da Câmara como manda a tradição. Esta professora de História de, nos últimos meses pouco dormia e conciliava as aulas de História aos alunos na Escola Jácome Ratton, em Tomar, com o cargo de mordoma da Festa dos Tabuleiros. Refere que a “a Festa dos Tabuleiros tem uma importância muito grande a nível nacional e também já começa a ter a nível internacional.

 

A Mordoma Maria João Morais

É uma festa que une todo o povo do concelho de Tomar, que ama a sua festa, que trabalha afincadamente, e uma pessoa tem sempre receio de falhar. Tem que haver uma grande coordenação e espírito de entreajuda para que tudo corra bem”, refere. E não houve falhas. Em ano de preparação da “Candidatura a Património” foi a melhor edição de todos os tempos! A mordoma já integrou a Comissão Central em várias festas dos Tabuleiros, realça que a candidatura da Festa dos Tabuleiros a Património Nacional está a ser ultimada e deve avançar em breve. O passo seguinte é a candidatura a Património Imaterial da UNESCO.
O orçamento desta festa é de 500 mil euros, sendo que a Câmara de Tomar apoia com 200 mil euros. O restante conseguem-no através de patrocinadores que colaboram há vários anos, empresas nacionais de renome, e também com a população que ajuda sempre que elementos da comissão andam de porta em porta a pedir ajuda.
“As pessoas ajudam a preparar a festa e ainda ajudam com dinheiro” regista. Mas a festa dos tabuleiros não foi só os tabuleiros em si. Foi o “Cortejo dos Rapazes” em que as crianças dos jardins de infância e 1º ciclo em número de 1650, oito dias antes do Grande Cortejo, mostraram a festa dos tabuleiros em versão mini. Foi outro dos grande momentos. Depois as ruas enfeitadas em que a azáfama foi grande com a feitura de flores para ornamentar tanta rua do centro histórico , criando um “telhado” de papel trabalhado em flores que tapava o sol.

DEPOIS DE PATRIMÓNIO NACIONAL FESTA DOS TABULEIROS QUER SER PATRIMÓNIO DA UNESCO
Estima-se que cerca de 600 mil visitantes passaram por Tomar quer para o cortejo principal cortejo, o cortejo do mordomo, em que charretes puxadas por cavalos entram triunfalmente na cidade com os Bois do Espírito Santo. Ainda sobre a candidatura, a património imaterial da humanidade vai acontecer depois da candidatura a património nacional, como refere a presidente da Câmara Anabela Freitas que regista que o “ inventário, será avaliado técnica e cientificamente, deve ser entregue durante este mês de julho” e salienta “a festa dos tabuleiros de Tomar é considerada uma das mais antigas de Portugal e quer ser reconhecida como património imaterial da humanidade. Mas antes que seja reconhecida pelo mundo, é preciso que Portugal a reconheça primeiro como seu património.
Esta festa transporta-nos para o culto do Espírito Santo introduzido em Portugal no século XIV, com a Rainha Santa Isabel e, teve neste concelho de Tomar, a partir do Séc XVI, este aspeto peculiar e único, e que se traduz nas raparigas vestidas de branco transportarem à cabeça, o pão das promessas – o Tabuleiro.
Estamos perante uma festa religiosa cuja génese e decisão, como é o Culto do Divino e as Irmandades do Espírito Santo, aqui em Tomar.
Alenquer, e nos Açores, ilhas para onde foi levado pelos Descobrimentos (cuja Ordem de Cristo esteve sediada em Tomar) assenta na decisão e organização do povo.
O povo é soberano escolhe e faz. É uma festa do povo, feita pelo povo e para o povo.
O tabuleiro é o símbolo da mais icónico. Tabuleiro vem de tábua, e seria este objecto, protegido nos seus bordos por tábuas mais estreitas, tão conhecido em que era levado o pão nos primeiros tempos e será no Século XVI que este tabuleiro de agora, certamente inspirado nos botaréus da Janela do Capítulo do Convento de Cristo ou nas Colunas do Templo de Salomão, ganhou esta forma única de dispor os pães em canas, enfeitado com flores, encimado por uma coroa “a coroa do Divino” e assente numa base que é um cesto de verga.

Setecentos e quarenta e oito tabuleiros, transportados por igual número de raparigas e o seu par, vinte de dois mil e quatrocentos e quarenta pães de meio Kg. As onze juntas de freguesia presentes; Santa Casa da Misericórdia de Tomar e Câmara, quatro bandas filarmónicas e um grupo de gaiteiros, num cortejo/procissão que demorou cerca de 5 horas a percorrer os 4 Km do percurso. Quarenta ruas enfeitadas o maior recorde de ruas de sempre!

ANTÓNIO FREITAS (TEXTO E FOTOS)

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