Produtores de Vila Real queixam-se de prejuízos em ataques que atribuem a lobos

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Produtores de aldeias de Sabrosa e Vila Real queixam-se dos prejuízos pela morte de vacas ou ovelhas devido a ataques que atribuem aos lobos e reclamam o pagamento das indemnizações a que dizem ter direito. O presidente da Junta de Freguesia de Torre do Pinhão, concelho de Sabrosa, Rodrigo Timóteo, disse que são muitos os relatos dos pastores e criadores de gado sobre ataques que têm vitimado animais.
“O povo anda assustado. Não podem deixar os animais sozinhos em lado nenhum porque o lobo aparece em tudo o que é sítio”, afirmou o autarca.
Rodrigo Timóteo relatou avistamentos do lobo perto da localidade e contabilizou muitos prejuízos.
“É um prejuízo muito grande e as pessoas andam muito preocupadas. Na freguesia já foram para aí 70 ou 80 cabeças que os lobos mataram, desde ovelhas, vitelas e burros”, referiu o autarca.
Um pouco mais à frente, em Pinhão Cel, José Luís Madureira, 73 anos, disse que perdeu “duas ovelhas que trazia numa pastagem, cercada e onde estavam os cães”.
Manuel Claro, 53 anos, contabiliza “23 ovelhas mortas”. “Tinha o gado numa cerca, deixei-o lá ficar de noite e quando lá cheguei os animais estavam mortos e outros estavam feridos. Nunca mais deixei o gado sozinho”, referiu. Manuel Dias, de 52 anos, afirmou que perdeu “uma vitela” que andava no pasto e que lhe tinha “custado 500 euros”.
Em Sanguinhedo, já no concelho de Vila Real, Elsa Teixeira, 62 anos, disse que o seu rebanho já foi atacado por “sete vezes” e contabiliza um prejuízo de “1.500 euros”, garantindo ainda estar “tudo legal”, desde as “ovelhas, cães e cercas”. O lobo ibérico é uma espécie protegida em Portugal desde 1988. Após os ataques, os agricultores chamam ao terreno os técnicos do Instituto de Conservação da Natureza e Florestas (INCF) para avaliar se as mortes foram provocadas pelos lobos e é o Instituto de Financiamento da Agricultura e Pescas (IFAP) que procede ao pagamento das indemnizações. A Associação dos Agricultores e Pastores do Norte alertou para os atrasos nos pagamentos dos prejuízos e reclamou uma alteração legislativa considerando que a “atual está desadequada à tipologia de algumas das explorações”. É que, segundo a organização, alguns produtores ou pastores que possuem poucos animais “não conseguem preencher os requisitos legais previstos na legislação”, ou seja, não têm dimensão para suportar um cão de proteção de gado ou não têm estruturas adequadas para a proteção do gado e, em consequência, não têm acesso às indemnizações. Contatado pela agência Lusa, o ICNF disse ter conhecimento da “participação de prejuízos atribuídos ao lobo sobre efetivos pecuários na região de Vila Real, pelos quais os produtores são compensados, sempre que o processo de avaliação atribua os danos registados ao lobo e se verifique o cumprimento das obrigações legais”.
Ou seja, desde que estejam “asseguradas , por parte dos proprietários, as necessárias medidas de proteção e vigilância dos animais”.
Em 2016 foi revista a legislação, os pagamentos de indemnizações passaram para o IFAP e foi desenvolvida uma plataforma para participação e processamento de prejuízos atribuídos ao lobo.
No entanto, acrescentou o instituto, dada a complexidade desta plataforma, que integra, para cada participação, uma peritagem no terreno, “só foi possível estabilizar o processamento relativo à análise e pagamento dos prejuízos atribuídos ao lobo em finais de 2018”.
“O ICNF está a envidar todos os esforços para recuperar atrasos verificados, com a expectativa de, no mais curto prazo, a situação estar regularizada e alcançar-se o aumento da eficiência e rigor do mecanismo em causa”, frisou.
A fonte do instituto disse ainda que o “número de cães vadios e assilvestrados tem vindo a aumentar” e que “o conflito destes animais com o gado é elevado”, sendo “muitas vezes confundidas ou denunciadas essas interações como ataques de lobo”.

 

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