V. Pouca de Aguiar e Ribeira de Pena vão ter energia limpa com combustão de biomassa

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Os concelhos de Vila Pouca de Aguiar e Ribeira de Pena vão apostar na produção de energia limpa através de unidades de combustão de biomassa, projeto com impacto na gestão dos materiais lenhosos, adiantaram à Lusa os autarcas.
“É um processo simples que pensamos ter viabilidade territorial, com muitos impactos na gestão dos materiais lenhosos resultantes da floresta e acrescida rentabilidade, quer térmica quer elétrica, que irá satisfazer todos”, explicou o presidente da Câmara Municipal de Vila Pouca de Aguiar, Alberto Machado.
Perante o esforço que existe no país na limpeza das florestas e na prevenção dos fogos florestais, o autarca lembrou que os resíduos florestais são “um problema por solucionar”.
Outro problema identificado por Alberto Machado é o facto de as centrais de biomassa de potência elevada obrigarem a uma grande componente lenhosa para a sua produção, algo que não acontece com estas pequenas centrais.
“Entramos em contacto com entidades em França e outros países que instalaram pequenas centrais, que são modelares, e permitem ir aumentado a capacidade de combustão conforme o material lenhoso”, vincou.

Ribeira Pena tem “um potencial de biomassa enorme”

Por seu lado, o presidente da Câmara Municipal de Ribeira Pena, João Noronha, lembrou que o concelho, no distrito de Vila Real, tem uma mancha florestal de pinheiro bravo considerado a maior da Península Ibérica, o que permite ter “um potencial de biomassa enorme”.
“Além do desbaste da floresta que vai sendo feito, mas do meu ponto de vista de uma forma insuficiente, poderemos com este investimento transformar todo o material lenhoso em biomassa para uma floresta mais limpa e aproveitada”, realçou.
O autarca disse que, além de mais segurança e de maior rentabilidade, este projeto permitirá um maior aproveitamento da riqueza natural e contribuirá para evitar as catástrofes que são os incêndios.
O sistema a aplicar será o ‘Organic Ronkine Cycle’ (OCR) que aproveita os desperdícios florestais e que, através da estilha no processo de combustão, gera calor e energia com zero emissões.
“Há ainda estudos técnicos que precisam de ser desenvolvidos, mas o que importa é a vontade férrea de Ribeira de Pena e Vila Pouca de Aguiar em enveredar por este caminho que achamos importante para os dois concelhos”, atirou João Noronha.
O projeto está ainda numa “fase embrionária”, mas as autarquias adiantaram ter já um acordo para que no próximo ano investidores suecos apliquem cerca de dois milhões de euros na instalação de duas Unidades de Combustão de Biomassa, uma em cada concelho.

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