Beiras e Serra da Estrela contra explorações de lítio que prejudiquem território

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A Comunidade Intermunicipal das Beiras e Serra da Estrela (CIM-BSE) opõe-se às explorações de lítio na região que possam originar “malefícios” para o território.

Segundo Carlos Filipe Camelo, presidente da CIM-BSE e também do município de Seia, o Conselho Intermunicipal abordou recentemente o tema das propostas de exploração de lítio em Portugal e no encontro foi manifestada “a preocupação dos diferentes autarcas do território”.

A CIM-BSE, com sede na Guarda, é constituída por 15 municípios: 12 do distrito da Guarda (Almeida, Celorico da Beira, Figueira de Castelo Rodrigo, Fornos de Algodres, Guarda, Gouveia, Manteigas, Meda, Pinhel, Seia, Sabugal e Trancoso) e três do distrito de Castelo Branco (Belmonte, Covilhã e Fundão).

O autarca referiu tratar-se de “uma preocupação relativamente ao médio e longo prazo”, mas, “sendo um território onde o turismo ativo, de natureza, desportivo ou científico tem vindo a crescer”, é necessário ter em conta “tudo aquilo que tem a ver com o lítio ou com outros metais que sejam explorados”.

De acordo com Carlos Filipe Camelo, os autarcas que fazem parte do Conselho Intermunicipal têm “em linha um conjunto de áreas que têm que continuar a ser intocáveis relativamente a uma eventual exploração” de lítio na região.

“Questões que se possam traduzir em malefícios do ponto de vista ambiental são para nós muito sensíveis”, apontou.

A CIM-BSE opõe-se à exploração de lítio em zonas “muito perto das áreas urbanas”, nas “áreas que estejam sujeitas a um conjunto de servidões que sejam de interesse público para todos aqueles que as têm utilizado” e a “situações do campo hidroagrícola em que haja prejuízos relativamente às áreas irrigadas”, entre outras.

Segundo o autarca, “’cautelas e caldos de galinha’, diz o povo, não fazem mal a ninguém”, daí que a CIM-BSE entenda que todas as questões relacionadas com a eventual exploração de lítio na região “sejam devidamente operacionalizadas para que, do ponto de vista dos territórios, não haja qualquer beliscadura relativamente àquilo que tem sido uma aposta grande, nos últimos anos, em termos de criação de riqueza e de emprego”.

Na área da CIM-BSE, a Câmara de Seia tomou uma posição sobre o assunto quando, recentemente, ocorreu uma manifestação de cidadãos em frente aos Paços do Concelho.

Na ocasião, Carlos Filipe Camelo, reiterou que a autarquia “será intransigente na defesa dos interesses do concelho, opondo-se a qualquer prospeção que colida com as áreas de aproveitamento hidroagrícola, de vocação turística, sítios de importância comunitária, áreas de património classificado ou em vias de classificação, sítios arqueológicos, áreas urbanas, assim como todas as servidões administrativas e restrições de utilidade pública associadas aos recursos naturais (hídricos, geológicos, agrícolas, florestais ou ecológicos), património edificado, equipamentos e infraestruturas”.

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