Desde a Segunda Guerra Mundial que o risco de um conflito nuclear nunca foi tão grande como agora

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A diretora do Instituto das Nações Unidas para Investigação sobre Desarmamento alerta para o perigo de uma guerra nuclear que, afirma, não era tão grande desde a Segunda Guerra Mundial. Tudo isto porque o panorama de controlo do armamento está a mudar, em parte devido à competição estratégica entre os EUA e a China, começou por dizer à imprensa, na terça-feira, Renata Dwan, diretora do Instituto das Nações Unidas para Investigação sobre Desarmamento. “Acho que é genuinamente uma chamada para que seja reconhecido – e isso tem faltado um pouco na cobertura que os media têm feito destas questões – que os riscos da guerra nuclear são agora particularmente altos, e os riscos do uso de armas nucleares, pelos fatores que mencionei, são maiores agora do que em qualquer outro momento desde a Segunda Guerra Mundial”, alertou a especialista.

Segundo Dwan, todos os Estados com armas nucleares têm neste momento programas de modernização nuclear em curso e os mecanismos tradicionais de controlo do armamento estão a ser corrompidos pela emergência de novos tipos de guerra, com uma prevalência crescente de grupos armados, forças do setor privado e novas tecnologias que tornam a linha que separa o crime da defesa cada vez menos clara.

De acordo com dados da federação americana de cientistas, em 2017 existiam nove países com armas nucleares: EUA, Coreia do Norte, Paquistão, China, Rússia, Reino Unido, França, Índia e Israel.

Em 2007, nasceu na Austrália a Campanha Internacional para a Abolição de Armas Nucleares (ICAN), que viria a vencer do Prémio Nobel da Paz dez anos mais tarde. Na sequência disso, foram organizados os primeiros congressos para a abolição do uso de armas nucleares e, em março de 2017, na Assembleia das Nações Unidas, começaram as negociações para a terminar com a utilização deste tipo de armas. Em julho desse mesmo ano, dois terços do mundo aprovam um tratado da ONU para a proibição de armas nucleares. No total, 122 países já assinaram o tratado, “em parte por frustração e em parte por reconhecimento dos riscos”, diz Renata Dwan.

Contudo, o tratado ainda só reuniu 23 das 50 ratificações necessárias para que entre em vigor. Na lista de países que deram o seu aval estão a África do Sul, Cuba, a Áustria, a Tailândia, o Vietname e o México, no entanto, existe uma forte oposição por parte dos EUA, da Rússia e de outros países detentores de armas nucleares. Portugal também votou contra a resolução da Assembleia Geral da ONU que estabeleceu o mandato para as negociações do tratado, negociações essas em que o país nem sequer participou, alegando que as armas nucleares dos EUA são essenciais para a sua segurança.

Renata Dwan lembrou que o perigo de uma guerra nuclear não pode ser ignorado. As armas nucleares são únicas no seu poder destrutivo e na ameaça que representam para o ambiente e a sobrevivência humana. A última vez que foram utilizadas foi em 1945 nas cidades japonesas de Hiroshima e Nagasaki, quando mais de 210 mil civis e muitos outros ficaram feridos. Uma única bomba nuclear detonada sobre uma grande cidade poderia matar milhões de pessoas e a ICAN prevê que uma guerra nuclear, envolvendo o uso de dezenas ou centenas de bombas nucleares, perturbaria o clima global, causando fome generalizada.

“Como pensamos sobre isso, como agimos em relação a esse risco e a gestão desse risco, parece-me uma questão muito importante e urgente que não se reflete plenamente no Conselho de Segurança (da ONU)” concluiu a diretora do UNIDIR.

 

 

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