Vilar Formoso recria chegada de judeus que fugiram durante a 2.ª Guerra Mundial

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Dois espetáculos que revisitam as memórias da chegada a Vilar Formoso de milhares de judeus que fugiram durante a 2.ª Guerra Mundial vão ser representados, no fim de semana, naquela vila fronteiriça.

Durante dois dias, Vilar Formoso, no distrito de Guarda, irá recuar 80 anos no tempo e reviver “as memórias da fuga de milhares de judeus, que viviam na Europa”, e a sua passagem por aquela fronteira do distrito da Guarda, foi anunciado pela Câmara Municipal de Almeida.

Vilar Formoso recria chegada de judeus que fugiram durante a 2.ª Guerra Mundial
Os dois espetáculos terão como cenário o Largo da Estação, junto ao Polo Museológico Vilar Formoso Fronteira da Paz – Memorial aos Refugiados e ao Cônsul Aristides de Sousa Mendes.

No sábado, a partir das 16:30 terá lugar a representação “Setembro 1939 – A defesa de Varsóvia” e, no dia seguinte, domingo, pelas 10:30, o público é convidado a assistir ao espetáculo “Vilar Formoso – O caminho da liberdade e da esperança”.

As atividades são promovidas pela Câmara Municipal de Almeida e pela Junta de Freguesia de Vilar Formoso, com a colaboração do Ayuntamineto de Fuentes de Oñoro (Espanha), das Embaixadas da República da Polónia e de Espanha, da Associação Sociocultural Tierras de Piedra e da Associação Histórico-cultural Poland First to Fight.

Segundo a organização, as representações, que envolvem cerca de 60 pessoas, serão feitas pela Associação Histórico Cultural Poland First To Fight e pela Associação Norland.

A representação “Setembro 1939 – A defesa de Varsóvia” tem uma duração média de 30 minutos.
“Serão dez cenas que apresentam dez momentos diferentes da defesa de Varsóvia entre 6 de setembro [de 1939], quando o cerco começa, até 29 de setembro, dia em que os defensores poloneses se renderam”, adiantou à agência Lusa fonte do município de Almeida.

Já a representação “Vilar Formoso – O caminho da liberdade e da esperança”, terá uma duração de dez minutos.

Neste caso, acrescenta a fonte, “serão três cenas que apresentam o caminho dos refugiados da França até Vilar Formoso: entrega de vistos pelo cônsul de Portugal; travessia da fronteira franco-espanhola; travessia da fronteira luso-espanhola”.

Faz ainda parte do programa, no sábado, pelas 11:00, uma visita oficial às exposições “Polónia 1939 – 1947: O preço da honra” e “Os polacos em Portugal nos anos 1940 – 1945”, que estão patentes no posto de Turismo de Vilar Formoso.

A organização lembra, em comunicado enviado à Lusa, que o cônsul de Portugal em Bordéus, Aristides de Sousa Mendes, entre os dias 17 e 19 de junho de 1940, “assinou 30 mil vistos para salvar pessoas do Holocausto nazi, contrariando as ordens do Governo de Salazar”.

“Hoje, passados 80 anos do gesto do cônsul, os ecos da sua ação continuam a fazer-se ouvir”, remata.

O Polo Museológico Vilar Formoso Fronteira da Paz – Memorial aos Refugiados e ao Cônsul Aristides de Sousa Mendes foi inaugurado em agosto de 2017.

O espaço possui seis núcleos expositivos relacionados com as temáticas “Gente como nós”, “Início do pesadelo”, “A viagem”, “Vilar Formoso fronteira da paz”, “Por terras de Portugal” e “A partida”.

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