“Majestoso e sublime edifício” foi palco de momentos que marcaram a história

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Foi o que lhe chamou Víctor Hugo, no seu romance ‘Notre-Dame de Paris’, escrito 1831: “Majestoso e sublime edifício”.
Neste obra, que é um clássico da literatura, o escritor francês, queria alertar, já na época, para a necessidade de restauração de um dos monumentos mais importantes da cidade de Paris e de França.
“Tão linda como se mantém preservada à medida que envelhece, é difícil não suspirar, não ficar indignado com a sua degradação, as inúmeras mutilações que o homem e o tempo em simultâneo fizeram ao vulnerável monumento, sem respeito por Calos Magno, que colocou a sua primeira pedra, e por Philippe-Auguste, que colocou a última”, escrevia o autor na obra que que deu também ao mundo os personagens Quasimodo (o corcunda de Notre Dame), Esmeralda e Frollo.
O célebre escritor francês não podia prever que 188 anos depois, a catedral fosse consumida pelas chamas, naquele que será o momento mais triste da sua história, a verdade é que já na sua obra se referia a um momento em que Notre-Dame assistiria a um incêndio. No próprio filme da Disney, e quando Quasimodo tenta salvar Esmeralda da morte, o cenário que envolve a cidade é de chamas e fumo.
A história foi um sucesso de público e reconciliou os parisienses com a catedral: pouco tempo depois do lançamento do livro, Notre Dame ganhou um projeto ambicioso de restauração.
Anos mais tarde, ao regressar a Paris após um longo exílio político, Víctor Hugo pôde, finalmente, visitar a catedral restaurada, e elogiou os trabalhos de restauração.

Momentos de turbulência…

A ‘Cathédrale Notre-Dame de Paris’ ou literalmente em português, Catedral de Nossa Senhora de Paris, começou a ser construída em 1163, iniciou a função religiosa em 1182, mas ficou concluída apenas em 1345, quase 200 anos depois do começo das obras.
Dedicada à Virgem Maria, daí chamar-se ‘Notre Dame’ é uma das catedrais góticas mais antigas do mundo. Nos mais de 850 anos de história foi reformada em várias ocasiões, sendo a mais importante em meados do século XIX, a que se seguiu à publicação do romance de Víctor Hugo.
Localizada na Ile de La Cité, na capital francesa, e rodeada pelo rio Sena, a catedral é o monumento mais visitado monumento na Europa: cerca de 13 milhões de visitantes por ano, 35 mil por dia.
Foi palco de momentos importantes na história e tem várias particularidades.
É o marco ‘zero’ oficial de todas as distâncias em França – o ‘point zéro des routes de France’.
Ao longo de mais de oito séculos de existência, também passou por momentos turbulentos.
Durante a Revolução Francesa, entre 1789 e 1799, a catedral foi fechada e nacionalizada e a população, pensando que as cabeças das estátuas da Galeria dos Reis representavam os reis de França, destruíram-nas quase todas.
Nessa altura ficou bastante danificada. Num dos restauros, Eugene Viollet-le-Duce e Jean-Baptiste Lassus mandaram colocar novas estátuas para substituir as que foram destruídas.
Em 1977, parte destas cabeças foram encontradas durante obras na Rue de la Chaussé D’antin, tendo sido posteriormente expostas no Museu Nacional da Idade Média.
Ainda na época da Revolução, o altar foi retirado e o edifício usado para cerimónias protocolares com o objetivo de exaltar os valores revolucionários anti-religiosos.
A igreja chegou mesmo a ser usada como armazém para bens alimentares e os sinos da catedral foram derretidos para se fabricar armas e munições.
Já em 1871, a catedral foi palco da turbulência social que se vivia em França e o seu interior terá sido incendiado durante a Comuna de Paris.

Catedral de Notre Dame

Da convocação de uma Cruzada à coroação de Henrique VI

Os sinos da catedral tinham mesmo nomes: Marie, Emmanuel, Gabriel, Anne-Geneviève, Denis, Marcel, Etienne, Benoît-Joseph, Maurice e Jean-Marie.
Mas os que lá estão já não são os originais, esse, como se referiu acima, foram deretidos para serem transformados em armas e munições. Os novos foram colocados no século XIX.
As gárgulas também foram sendo substituídas ao longo dos últimos 150 anos, por acusarem o desgaste do tempo. Foram criadas para escoar a água do templo gótico.
Três anos depois de ter iniciado a sua função religiosa, foi no seu interior que Heráclio de Cesareia, o patriarca de Jerusalém, convocou a Terceira Cruzada, no longínquo ano de 1185.
Uma publicação do ‘Vatican News’ explica que foi a partir do apelo feito em Notre Dame que os caveleiros Teutónicos se puseram em marcha rumo a Jerusalém para responder à invasão da cidade pelo sultão Saladino, numa cruzada que ficaria conhecida como a ‘Cruzada dos Reis’, devido à participação de vários monarcas, entre os quais o rei francês.
Dois séculos e meio depois, a 16 de dezembro de 143, a catedral foi palco da coroação de Henrique VI como rei da França, dois anos depois de ter sido coroado rei de Inglaterra.
Mas o filho filho de Henrique V de Inglaterra e de Catarina de Valois, princesa de França, nunca chegou a ser aceite pela nobreza francesa, que reconhecia Carlos VII da França como o seu legítimo rei. Henrique VI não chegou sequer a ser considerado rei de França, mas foi coroado na monumental Notre Dame.
Outro monarca ali coroado foi Napoleão Bonaparte, a 2 de dezembro de 1804, e a pensar nesta ocasião, os franceses fizeram o restauro da catedral e uma remodelação das próprias ruas de Paris, que foram pavimentadas.

Da beatificação de Joana D’Arc às guerras mundiais

Outro momento histórico de que a catedral foi testemunho e palco aconteceu a 18 de abril de 1909, com a beatificação de Joana D’Arc.
Conhecida como a ‘Donzela de Orleans’ e uma personagem importante da história francesa durante a Guerra dos Cem Anos (1337-1453), foi beatificada pelo Papa Pio X em Notre Dame, e mais tarde declarada santa pelo Papa Bento XV.
A França esteve envolvida tanto na I como no II Guerra Mundial, mas, curiosamente, a catedral resistiu a ataques e bombardeamentos.
No final da Primeira Guerra Mundial, em 1918, os sinos da catedral tocaram para assinalar o acontecimento. Já durante os bombardeamentos de Paris na Segunda Guerra Mundial, a catedral não resistiu, incólume.
Os danos, infelizmente, aconteceram ontem, quando um incêndio devastou boa parte do monumento.
Os bombeiros anunciaram já que a estrutura está “preservada na sua globalidade” e o presidente francês já lançou o repto da sua reconstrução.
Emmanuel Macron garantiu ontem mesmo que a Catedral de Notre Dame de Paris vai ser reconstruída com a ajuda de todos e anunciou uma campanha de recolha nacional de fundos para reerguer o monumento.
“Vamos reconstruí-la juntos”, disse.

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