Entre o Ribatejo e o Alentejo o rio Tejo é às vezes um pequeno fio de água

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A seca é o principal motivo. O caudal do rio Tejo está transformado num pequeno fio de água em várias zonas do seu trajeto, entre o Ribatejo e o Alentejo.

A seca é uma realidade que preocupa autarcas, ambientalistas e pescadores do Alto Alentejo e Ribatejo.
Além da seca, a retenção de águas em albufeiras, açudes e o “escrupuloso” cumprimento por parte das autoridades espanholas em relação aos limites acordados quanto aos caudais são outras das preocupações de quem vive entre Gavião (Portalegre) e Mação (Santarém).
Manuela Martins permanece há 56 anos junto às barracas dos pescadores, na zona do paredão da Barragem de Belver, em Ortiga, no concelho de Mação (Santarém) e, em declarações à agência Lusa, diz que o rio Tejo “está no fundo” porque “há três anos” que não chove.
O mesmo sentimento de tristeza de Manuela Martins, antiga vendedora de peixe do rio, é partilhado à Lusa pelo antigo pescador Camilo Vidal, que afirma que este período de seca está a ser difícil para os pescadores no ativo, uma vez que “não apanham peixe nenhum” para poderem sobreviver.
Arlindo Marques, conhecido como o ‘guardião do Tejo’ pela sua luta em defesa do rio, distinguido em 2018 pela Confederação das Associações de Defesa do Ambiente com o Prémio Nacional do Ambiente, diz à Lusa que a situação “não é normal”.
“Numa altura destas, acabou o inverno há meia dúzia de dias, e o rio já está assim, eu não prevejo nada de bom futuramente, e são mais seis ou sete meses sem chuva, a chover em outubro… Isto é uma questão para continuarmos a acompanhar, claro que não podemos fazer nada, mas a minha experiência de andar aqui com esta gente toda é que isto é um ano dramático”, alertou.
Em pleno leito seco do rio Tejo, o ambientalista relata ainda que recentemente passou a pé entre as duas margens e que a água tinha uma altura “acima dos tornozelos”.
José Pio, presidente da Câmara de Gavião, no distrito alentejano de Portalegre, está também preocupado, principalmente com o cenário “dramático” em que se encontram os pescadores da região, numa altura em que a lampreia deveria “reinar” nas mesas dos restaurantes, mas por falta de água tem de ser adquirida noutras zonas do país e no estrangeiro.
“Eu penso que, sobretudo, temos de melhorar as convenções que temos com Espanha”, começou por referir à Lusa, defendendo ainda que os autarcas das zonas ribeirinhas devem unir-se em prol desta causa.
“Todos nós, autarcas das zonas ribeirinhas, devíamos começar a pensar de uma forma global e termos a capacidade de, em conjunto, fazermos aquilo que se impõe que é manifestarmo-nos junto do Governo português numa primeira instância e, de seguida, junto das entidades europeias para que o rio volte a ter a sua água normal”, defendeu à Lusa.

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