Hoje Tomar comemora a sua elevação a cidade pelo foral de D. Maria II há 175 anos

Data:

No calendário das efemérides de Tomar regista-se hoje a comemoração dos 175 anos de elevação da “villa de Thomar” à categoria de cidade, por despacho régio de D. Maria II datado de 13 de fevereiro de 1844.No ano anterior, Tomar engalanou-se para receber a visita da monarca e foi nessa altura que os autarcas locais oficializaram o pedido para que Tomar fosse elevada a cidade. Um ano e meio depois de assinar o despacho régio, D. Maria II voltou a visitar Tomar sendo recebida em ambiente de festa. Tomar foi a primeira cidade do distrito de Santarém
Tomar, cidade de 20 000 habitantes, é a capital política da Comunidade Urbana do Médio Tejo e sede de concelho homónimo com 11 freguesias, 352 kms e 40 677 habitantes. Foi sede das Ordens Militares do Templo e de Cristo. Porém a história da que é hoje cidade é muito mais antiga!

O Rio Nabão atravessa a cidade dando-lhe uma beleza ímpar
Com mais de 30 mil anos de fixação humana neste território, Tomar foi fundada por D. Gualdim Pais em 1160.
Sede das Ordens do Templo e de Cristo, teve no Infante D. Henrique um dos responsáveis pelo seu crescimento.
A fixação humana deveu-se ao excelente clima, água abundante, fácil comunicação fluvial e excelentes solos. Das sucessivas marcas civilizacionais pré-históricas restam utensílios, grutas, antas, povoados, algumas lápides, moedas, poucas esculturas, peças utilitárias, a lenda de Santa Iria, a toponímia, as rodas de rega e os açudes de estacaria.
Os romanos fundaram a cidade de Sellium, ou Seilium, cuja planta ortogonal decorre da perpendicularidade dos característicos eixos cardus e decumanus que determinavam a organização urbanística das cidades romanas. Para além das ruínas do Forum de Sellium, as escavações efectuadas (cerca de 1980) na zona da actual Alameda 1 de Março deram conta de vestígios das habitações da época.
Pelos meados do século VII, aqui houve conventos de freiras e frades, datando dessa época o episódio visigótico e lendário do martírio de Santa Iria.
Quanto aos árabes (após 712) pouco se sabe, mas imagina-se muito, como a sensitiva origem do nome Tomar: “Tamaramá”, doces águas.

Thomar  ( em grafia antiga) nasce com o castelo (1 de Março de 1160), cuja construção, pela Ordem dos Templários, bem como a da Vila de Baixo, se prolongou por 44 anos.

Tomar concorreu às Sete Maravilhas à mesa e o brasão da cidade

No século XIV, com a permanência do Infante D. Henrique enquanto Administrador da Ordem de Cristo, a Vila beneficia de grande desenvolvimento, sendo urbanizada a zona da Várzea Pequena em arrojada organização ortogonal, correndo em paralelo à Corredoura e perpendicularmente ao rio. D. Manuel I concede Foral Novo em 1510 e, nesse século, os arquitectos e pintores Domingos Vieira Serrão, João de Castilho, Olivier de Gand, Fernando Muñoz, Diogo de Arruda, Gregório Lopes, João de Ruão e Diogo de Torralva tornaram Tomar um importante centro artístico.

No período da dominação filipina, os reis espanhóis investem em Tomar ( aqui foi aclamada Filipe II rei de Portugal nas Cortes que tiveram lugar) e na reinado de Portugal pelos espanhóis fizeram as seguintes obras : obras do Claustro Principal do Convento e Aqueduto dos Pegões, bem como a criação da ainda existente Feira de Santa Iria.
Entre os meados do século XVII e finais do século XIX, verifica-se grande desenvolvimento industrial: Fábrica de Balas do Prado, de Vidros da Matrena, Chapéus e de Fiação e Tecidos e diversas fábricas de papel.

Hoje é uma cidade turistica/cultural, cujo Convento de Cristo regista mais de 350 mil visitantes anuais e cujas maiores festas são a Festa dos Tabuleiros evento que vai decorrer de 5 a 8 de Julho de 2019 e em que vão passar por Tomar mais de 800 mil visitantes

 

O DOCUMENTO RÉGIO
D. Maria, por graça de Deus, Rainha de Portugal, Algarve e seus domínios. Faço saber aos que esta Minha Carta virem que Eu fui servida de mandar passar o Alvará de teor seguinte: Eu a Rainha faço saber aos que este Meu Alvará virem que tendo-Me representado a Câmara Municipal da notável Vila de Thomar haver aquela terra desde tempos memoráveis, até que foi arrasada pela irrupção dos Árabes, gozado da categoria de cidade com a sua denominação de Nabância, reunindo a esta circunstância a grande notabilidade histórica e muitas e gloriosas recordações, que lhe estão ligadas; e atendendo não só ao alegado mas a ser a mesma Vila uma das mais vastas e formosas deste Reino, enriquecida com várias fábricas e ornada com diversos e belo edifícios, entre os quais se distingue, por sua celebridade, o do extinto Convento da Ordem de Cristo, possuindo além destes todos os mais elementos para sustentar com dignidade a categoria de cidade; e tomando finalmente em consideração os claros testemunhos que os Tomarenses Me têm dado da sua nobre dedicação ao Trono e à Carta Constitucional da Monarquia: Hei por bem e Me praz, Deferindo à representação da Câmara Municipal do Concelho de Thomar, que a dita Vila do dia da publicação deste Alvará em diante, fique erecta Cidade, denominando-se Cidade de Thomar, e que como tal goze de todas as prerrogativas que directamente lhe pertencem. Pelo que Mando a todos os Tribunais, Autoridades, oficiais e mais pessoas, a quem o conhecimento deste Alvará competir, o cumpram como nele se contém sem dúvida ou embargo algum. E por firmeza do que dito é Ordenado que pelo Secretário de Estado dos Negócios do Reino se lhe passe Carta em dois diferentes exemplares, que serão por Mim assinados e selados com o selo pendente das Armas Reais – a saber: um deles para seu título, e outro para se remeter à Torres do Tombo Pagará de direitos setenta mil réis, como constou de um conhecimento em forma com o número mil setecentos e quarenta e data de novo do corrente mês.
Dada no Palácio das Necessidades em doze de Fevereiro de mil oitocentos quarenta e quatro – Rainha-M – António Bernardes da Costa Cabral.
Esta carta tem o selo e as armas reais, pendente de fita azul e branca, ligada ao papel pergaminho em que está escrito o Alvará e a data de 13 de Fevereiro de 1844.
https://www.facebook.com/jornalcidadetomar/videos/798372253859673/

 

António Freitas

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