Ana Malhoa em entrevista: Sempre fui muito acarinhada pelos nossos emigrantes

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O Mundo Português conversou com Ana Malhoa que, com 33 anos de carreira, continua a surpreender e a inovar em cada música e trabalho que abraça. A promover o seu último single “Ela mexe”, não esconde a admiração que tem pelos portugueses que vivem fora de Portugal.

“Ela mexe” é o seu mais recente single. Uma música que faz dançar…
Quando vou para estúdio penso sempre nas músicas no seu produto final. Muito no espetáculo, naquilo que vai ser o seu conceito. Cada vez mais penso desta forma. O conceito passa por colocar toda a energia e atenção na produção de um single mas no seu todo. Pelo power que esta música tem, por ser tão forte enquanto batida achei que seria giro dar um aspeto de dança no videoclip. Mas queria uma coisa homogénea e que quebrasse alguns preconceitos. Então a ideia surgiu em colocar algumas meninas num kartódromo que é uma coisa mais masculina, mostrar um lado sensual.
Queria um videoclip simples e bonito que chamasse a atenção para a dança. Muita dança, gente nova, muita cor, muita dinâmica.

Esta nova forma de lançar as músicas, como se cada música fosse uma história, é para continuar?
Sim. Daí ser mais conceptual. Como se cada música contasse uma história, tivesse o seu visual próprio. Uma produção própria criada à volta daquele tema. E depois também temos assim o seu tempo de divulgação e de consumo. A música respira e as pessoas podem dançar, cantar esse tema à vontade. Num álbum isso não acontece: tens 11 de ou 12 músicas e estás a fazer promoção de apenas uma ou duas. Há músicas boas que acabam por perder algum destaque que mereciam.

ana malhoa em entrevistaCantar para os portugueses fora de Portugal. A Ana é uma das mais acarinhadas pelas nossas comunidades. É sempre especial?
É muito especial. Está muito relacionado com os locais onde vamos. Já estive a cantar na Califórnia e estive com pessoas que não vinham a Portugal há 30 anos. Para eles receber um artista português é como ter um bocadinho do seu país lá. Há sempre muitas saudades, partilham imensas histórias de vida e eu acabo por aprender muito com eles.

Sente que representa Portugal nessas ocasiões?
Reconheço que sim e tento fazer o meu melhor. Tenho muito orgulho nisso nomeadamente quando sou convidada para o Dia de Portugal junto das comunidades. Já estive em países como a Namíbia, África do Sul, Cabo Verde, França ou Canadá sempre a representar Portugal nesse dia tão importante que é de Portugal e das Comunidades.
Sempre que viajo e digo que sou portuguesa há sempre uma recetividade e um feedback muito positivo em relação ao povo português. É uma coisa que me deixa muito feliz porque prova que somos uma comunidade trabalhadora, sincera, harmoniosa. Acho que os nossos emigrantes são verdadeiramente a nossa bandeira portuguesa. Sempre que vamos para junto das comunidades tanto eu, como a minha filha e o meu pai somos sempre muito bem recebidos, de uma forma muito especial.

Também canta em espanhol mas é a língua portuguesa que a encanta?
Gosto de cantar em espanhol e identifico-me bastante mas sou muito portuguesa e não há como cantar em português. Será sempre o meu idioma! É a minha casa!

As redes sociais vieram mudar a forma como se relaciona com os seus fãs?
Sim, sem dúvida! Dou muito tempo e faço questão de ter tempo para os fãs em cada concerto mas agora é uma forma de também conseguirem estar a par do que vou fazendo. Antigamente isso era mais difícil. Lembro-me de receber na editora imensas cartas, dar autógrafos em posters e enviar para as pessoas. Era outra forma de comunicar. Hoje é mais fácil e mais imediato. Com um simples clique posso passar uma mensagem.

ana malhoa em entrevistaA Ana Malhoa é mãe e uma mulher de sucesso. Pensa nisso quando está a comunicar?
Sim, claro que sim. Tenho imenso cuidado e tenho imenso feedback porque recebo imensas mensagens de mulheres. Aliás, muitas pessoas pensam que o meu público é maioritariamente masculino mas não é. É muito maior a percentagem de mulheres do que de homens que me seguem nas redes sociais por exemplo. Recebo mensagens de mulheres que não se identificam tanto com a música e se identificam com a minha postura, com a minha imagem.

Recuando um pouco no tempo: cantar com o seu pai, o Bueréré.. Hoje olhando para trás fez o percurso que desejava?
Fui crescendo pessoal e profissionalmente ao longo destes anos. Tenho muito orgulho em tudo o que fiz. Hoje vejo vídeos meus no início de carreira e sinto um misto de achar muito fofinho mas também vejo que estava a começar e portanto tenho desculpa (risos). Mas tudo o que fiz foi no tempo certo: cantar com o meu pai, as músicas apropriadas para a minha idade, o fazer televisão quer seja o Badaró quando tinha 8 anos ou o Super Bueréré. Quando saí do Buereré e agarrei novamente na minha carreira artística estava com 19 anos portanto tinha que atualizar para essa idade e fase da minha vida. Aí senti que algumas pessoas não conseguiram perceber essa separação das coisas e acharam que era uma viragem muito repentina. Muita gente estava parada na imagem da menina mas depois as coisas acabaram por correr bem.

A sua filha seguiu as pisadas da família e é cantora com a Ana e o seu pai. Como vê o seu percurso?
Com muito orgulho. A India gravou um álbum quando tinha 10 anos e entretanto fez inúmeros concertos, inclusive comigo. Por sua escolha quis parar um bocado. Com a idade não se identificava com aquilo que estava a fazer. Acho que foi uma escolha certa: parar, pensar no que queria fazer da sua carreira e neste momento está a produzir o seu disco, o seu espetáculo.
Simplesmente faço o que o meu pai fez comigo: passo o que aprendi e tento que a minha experiência ajudasse. No fundo, estou na retaguarda a proteger. A India é nova e tem uma carreira pela frente. É uma menina que tem essa noção: o avô anda aqui há 50 anos, a mãe já está na música há 33 e a India, que até nasceu neste meio, sabe que está a fazer uma viragem na sua carreira e que há toda uma variedade de situações que vai ter que saber lidar. Mas eu acredito que está preparada.

Participou no filme “Malapata”. O cinema é uma paixão nova?
É (risos). Já tinha participado em duas telenovelas como cantora mas fazer um papel completamente diferente não. O Diogo Morgado fez-me esse desafio e eu aceitei. Ele foi super querido porque teve imensa paciência e ensinou-me imensa coisa. Contracenei com o Marco Horácio e com o Rui Unas e foi um trabalho que me apaixonou. E a verdade é que fiquei com vontade de fazer mais. Também tive um pequeno pepel no filme “Bad Investigate” do Luís Ismael e agora estou a fazer dobragens de cinema de animação. Tem sido um trabalho muito interessante este de dar vida a um desenho animado.

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