A apanha da azeitona e as voltas do azeite…

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A oliveira é o símbolo do Mediterrâneo, sendo a sua distribuição geográfica um indicador que define a região Mediterrânica. A produção de azeitona destina-se sobretudo à sua transformação em azeite, e está concentrada nesta região, sendo que os países do Sul da União Europeia produzem em conjunto mais de ¾ da produção mundial. Devido aos benefícios para a saúde e sabor que adiciona à comida, o azeite tornou-se um produto alimentar cada vez mais apreciado. Nos últimos 15 anos, verificou-se um crescimento médio, a nível mundial, da ordem dos 3,1%.

Portugal encontra-se perto de alcançar a auto-suficiência na produção de azeite. Com a entrada em produção das novas plantações, é expectável que dentro de dois a quatro anos, se satisfaçam as necessidades internas de consumo, 72.000 Toneladas, bem como para exportação, 47.000 Toneladas (valores da campanha 2016/2017). Com a intensificação dos olivais intensivos e super intensivos perdem-se variedades mais tradicionais de azeitona, como a galega, que se adaptam mal aos sistemas de pomar, e com ela se perderá o aroma único, que caracteriza alguns azeites portugueses, e os empurram para os lugares cimeiros das competições internacionais. Porém o olival tradicional , ainda impera e a colheita da azeitona, uma das tradições em muitas famílias, ainda ligadas à terra, remete-nos para os tempos de meninice de muitos de nós. Em várias zonas do país ainda se valoriza a cultura dos nossos antepassados. Foi-se gradualmente transformando num exercício familiar, para quem ainda possui olivais e tem gosto de ver as oliveiras limpas e um azeite mais “caseiro” à mesa.
Hoje com o modernismo, e face à falta de de mão-de-obra e o seu custo, houve que recorrer a novas tecnologias, varejadoras mecânicas, mais rápidas, eficazes e que preservam as árvores. E quem colhe hoje a sua azeitona- na sua grande maioria pessoas com mais de 70 anos, que não querem as suas oliveiras a deixarem-na cair para ao chão. A apanha da azeitona não se inicia ao mesmo tempo entre o Nordeste Transmontano e o Alentejo. É uma atividade que está na memória de todos os que nasceram nos meios rurais, havendo em cada aldeia um ou por vezes mais lagares tradicionais, hoje muitos em ruínas. Mas o setor tem-se modernizado e Portugal conheceu na última década um crescimento notável…

Apanha de azeitona manualmente sem mecanização alguma

Falar de azeite nas regiões do interior, não é a mesma coisa que falar do azeite ou da colheita da azeitona nas grandes herdades.
No entanto, é falar da oliveira, uma árvore secular no nosso país, de grande implementação nos meios rurais, onde poderia ser uma importante fonte de rendimento. Mas ano para ano os custos de produção – como limpa das oliveiras, apanha da azeitona, frezamento ou limpeza dos terrenos e depois o pagamento de “maquias” na ordem dos 25% (ou seja, um quarto do azeite produzido a ficar no lagar) – desmotiva os mais novos, já que o azeite de produção familiar fica muito caro.
A maior parte das famílias de origem rural gosta de ter o seu azeite e 1000 quilos de azeitona (da variedade galega) estão, este ano, a dar na ordem dos 120 litros e com graus de acidez entre 3 e 5 décimos. Descontando os 25% que ficam no lagar (são 30 litros) ainda se leva para casa noventa litros. Porém, apanhar uma tonelada de azeitona significa muita mão de obra, canseiras e por vezes molhas, sem falar no transporte das mesmas para o lagar. Por estes dias, o ritual da jorna, no olival, começa de manhã e vai até ao anoitecer.


Chegam aos olivais em carrinhas ou tratores, muitas vezes com o farnel, tiram-se sacas e panos para estender no solo onde há-de cair a azeitona. Homens e mulheres cercam a oliveira e dão início ao movimento de mãos na ramagem, que pode também ser varejada com uma vara, muitas já elétricas e que são uma preciosa ajuda. É assim de oliveira em oliveira. Já em casa, a azeitona é colocada no limpador para se retirar pequenos cavacos e folhas e ser depois ensacada.
Uma boa colheita requer alguns cuidados no olival ao longo do ano, como a poda em fevereiro/março, a atenção à traça na primavera e saber colher a azeitona no tempo certo. Portugal produz dos melhores azeites do mundo, como provam os prémios conquistados nos mais exigentes concursos mundiais, o país tem grande aptidão para o cultivo da oliveira e grandes investimentos têm sido feitos em novos plantios, sistemas de rega gota a gota, apanha mecanizada e lagares de laboração contínua. A par disso, a exportação do azeite português continua a crescer e há uma grande procura pelo fruto da oliveira que se cria em Portugal.

 

Limpeza semi manual da azeitona colhida

A campanha da azeitona este ano, em termos de maturação da azeitona da campanha 2018-2019 está atrasada cerca de 2 semanas em realção a 2017-2018. Não é um ano de muita produção, mas as oliveiras apresentam fruto são, não picado pela mosca ou atacado pela gafa, o que se traduz em excelente azeite. Numa ronda pelo Lagar do Freixial – Explazeite e pelo lagar do Eraldo na Avecasta, ambos no concelho de Ferreira do Zêzere, a “funda” ou seja o azeite por 100 Kg de azeitona madura cifrava-se nos 12% e com acidez abaixo dos 4 décimos e as cotações mais frequentes do azeite, variavam entre o mínimo de 4,00€/litro e o máximo de 5,00€/litro. A nível nacional seguramente que vai haver menos azeite produzido e, referindo-nos aos dados do Instituto Nacional de Estatística, no continente, a produção de azeitona para azeite foi em 2017 de 595 mil toneladas, e grande parte deste volume produzido é exportado, pois produzimos um dos melhores azeites do mundo, como provam os concurso internacionais em prova cega.

Modernos lagares de azeite das centenas que existem em Portugal e que vieram substituir os lagares tradicionais por exigências da UE, os lagares de capachos e ceiras. Na foto um dos lagares existentes no concelho de Ferreira do Zêzere

O setor do azeite em Portugal conheceu na última década um crescimento notável. Impulsionado por um investimento massivo que conduziu a uma enorme revitalização – não só ao nível da produção mas também ao nível da qualidade do produto, da sua apresentação e comercialização – este setor tradicional da agricultura portuguesa tem apresentado elevadas taxas de crescimento ao longo de toda a cadeia de valor.
A produção de azeite em Portugal vai continuar a crescer, o que é expectável em função do investimento que tem sido feito no setor produtivo nos últimos anos. O Alentejo foi a principal região produtora com quase três quartos da produção em 2017. Os números espelham o grande investimento que tem vindo a ser efectuado na zona pelo sector do olival, principalmente no perímetro de rega do Alqueva. Aliás, desde 2009 que o Alentejo passou a produzir mais de metade do azeite nacional. Mas isto falando na indústria do sector, havendo ainda milhares de hectares de olivais que são tradicionais e de agricultura doméstica. Nesta altura e antes do mês de Dezembro, na região Centro e Beiras a apanha da azeitona já está concluída, com a qual se produziu o azeite que estará na mesa da consoada, o azeite novo, com o seu travo característico a um “verde” e assim esperando a próxima colheita!

 

ANTONIO FREITAS

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