Elefante Salomão de Saramago vai estar em Évora esta sexta-feira

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O elefante Salomão, cuja história foi contada pelo escritor José Saramago, vai “viajar” por Évora, na sexta-feira, num espetáculo da Trigo Limpo – ACERT que combina teatro de rua e música, com a participação da comunidade local.

O espetáculo “A Viagem do Elefante”, criado à volta de um engenho cénico de grandes dimensões, vai ser representado no Jardim Público da cidade, às 22:00, no âmbito do “Artes à Rua” – Festival de Arte Pública.

Trata-se de uma criação da Trigo Limpo – Associação Cultural e Recreativa de Tondela (ACERT) estreada em 2013 e baseada no livro “A Viagem do Elefante”, da autoria de José Saramago (1922-2010), Prémio Nobel da Literatura em 1998.

Numa coprodução com Flor de Jara (Espanha) e em parceria com a Fundação José Saramago, explicou hoje a Câmara de Évora, o projeto incide na “visão poética e humanista” do conto histórico de Saramago, publicado em 2008 e que o próprio escritor considerou “uma metáfora da vida humana”.

O espetáculo teatral conta a história de um elefante chamado Salomão que, no século XVI, acompanhado pelo seu tratador indiano, viajou desde Lisboa até Viena de Áustria para ser oferecido, como prenda de casamento, pelo rei João III ao seu primo, o arquiduque Maximiliano II de Áustria.

A “combinação de personagens reais e inventadas” que “habita” esta criação faz o público “viver simultaneamente na realidade e na ficção”, assinalou a câmara.

A criação, acrescentou, apresenta “um olhar sobre a humanidade em que a ironia e o sarcasmo, marcas da lucidez implacável do autor, se combinam com a compaixão solidária” de Saramago na observação das “fraquezas humanas”.

Luís Garcia, programador do festival “Artes à Rua” promovido pelo município alentejano, considerou hoje à agência Lusa que “a viagem da narrativa central” traduz, “por analogia, uma viagem por todas as artes e expressões artísticas, pela cultura enquanto espaço de interação com a arte, património e produção de conhecimento”.

“Tal como nós empreendemos essa viagem no festival, também a narrativa que a companhia Trigo Limpo – ACERT conta, com a grande marioneta do elefante e as peripécias que vão acontecendo, é uma viagem”, disse.

Assim, frisou que “as viagens são sempre fantásticas e permitem descobrir novos horizontes. É esse o grande objetivo do festival e era também o grande objetivo de Saramago, ajudar a descobrir esses novos horizontes do conhecimento”.

A representação marcada para Évora, que “deverá ser uma das últimas oportunidades para assistir a este espetáculo”, segundo Luís Garcia, conta com o envolvimento da comunidade local.

Além de atores, músicos e ativistas culturais, “várias dezenas” de pessoas de Évora vão participar no desenvolvimento cénico da peça e já estão a ensaiar, esta semana, com equipas técnicas e artísticas especializadas, destacou o programador do festival.

O espetáculo vai ser “um dos pontos altos” do “Artes à Rua”, que arrancou a 12 de julho e se prolonga até 06 de setembro, apresentando mais de 150 propostas artísticas.

“Não podíamos perder a oportunidade de homenagear José Saramago e ter em Évora ‘A Viagem do Elefante’ porque é um grande espetáculo”, frisou Luís Garcia.

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